Aplicativo do Ministério da Saúde orienta sobre o consumo de álcool e busca de ajuda
O Ministério da Saúde está disponibilizando, por meio do Meu SUS Digital, o aplicativo Modera Brasil, uma ferramenta criada para prevenir o consumo exagerado e os problemas relacionados às bebidas alcoólicas. Este miniapp permite que cada cidadão avalie seu próprio padrão de consumo de álcool e receba orientações personalizadas, visando à redução de riscos, à promoção do autocuidado e ao direcionamento para atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a meta de incentivar a identificação precoce de comportamentos que podem causar danos à saúde e expandir o acesso a informações confiáveis, a plataforma emprega instrumentos aprovados internacionalmente. Ela realiza uma triagem digital e, com base nas respostas do usuário, oferece recomendações educativas e, quando necessário, indica a procura por serviços da rede pública de saúde.
“Nossos estudos sobre o uso deste aplicativo, as chamadas intervenções breves, que oferecem ferramentas para as pessoas se autoconhecerem em sua relação com o álcool, demonstram um impacto muito positivo na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos. O desenvolvimento do Modera Brasil foi testado na realidade do SUS local da cidade de São Paulo, em um projeto da Universidade de São Paulo, e agora poderá ter alcance nacional”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O aplicativo Modera Brasil é fruto de uma colaboração entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Ministério da Saúde. A ferramenta já era utilizada na cidade de São Paulo e, para sua integração ao Meu SUS Digital, passou por adaptações para atender aos padrões de segurança, acessibilidade e às diretrizes do Governo Federal para serviços digitais. A versão original da solução foi desenvolvida pela USP com o apoio da Auíri e da CRBS/SA.
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Tendências de consumo de álcool no país revelam aumento em grupos específicos
Dados do Ministério da Saúde indicam que, atualmente, 20,4% da população adulta com mais de 18 anos consome pelo menos seis doses de álcool em uma única ocasião, caracterizando consumo excessivo. O estudo Vigitel 2025 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) revela que, em quase duas décadas, houve um crescimento no consumo populacional — em 2006, esse índice era de 15,6%. Embora não haja variação significativa no padrão de consumo excessivo no público geral nos últimos anos, o aumento entre adultos de 35 a 44 anos, que passou de 17,4% para 26,3% no período, e entre mulheres, que subiu de 7,8% para 15,7%, merece atenção.
Na Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), os atendimentos relacionados a problemas e condições decorrentes do uso de álcool tiveram um aumento superior a 157% na última década, saltando de 326,2 mil em 2016 para 840 mil em 2025.
“A proposta do Ministério da Saúde é ampliar as ações de promoção do cuidado para as pessoas que consomem álcool e intensificar a prevenção, evitando que esses indivíduos enfrentem riscos maiores. Com o Modera Brasil, qualquer pessoa pode realizar uma autoavaliação de seu consumo de forma privada”, afirmou Amanda Frazão, coordenadora de Atenção às Condições Crônicas Não Transmissíveis do Ministério da Saúde.
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Ela esclarece que algumas pessoas podem passar a semana sem ingerir bebidas alcoólicas e consumir quantidades elevadas no fim de semana, o que pode ser um fator de risco. “Situações como essas podem ser avaliadas na ferramenta”, acrescentou.
Guia prático de como utilizar o Modera Brasil para autoavaliação
Dentro do Meu SUS Digital, basta buscar por “Modera Brasil” na seção de aplicações. Ao acessar, o usuário responderá ao questionário Alcohol Use Disorders Identification Test (Audit), validado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para rastrear o consumo de álcool que apresenta risco problemático. Este teste identifica padrões de consumo nocivo por meio de 3 a 10 perguntas simples que geram uma pontuação. Com base nela, o usuário é classificado em zonas de risco — Baixo, Moderado e Uso Problemático — e para cada uma delas é estabelecido um percurso na plataforma.
Além da avaliação inicial, o miniapp oferece ferramentas interativas, exercícios práticos e conteúdos informativos sobre os impactos do consumo de álcool na saúde. Também disponibiliza estratégias digitais de prevenção e direcionamentos para atendimento na Rede de Atenção à Saúde, reforçando a conexão entre as estratégias digitais de promoção da saúde e os serviços presenciais do SUS.
“Com um uso fácil, rápido, diretamente do celular via Meu SUS Digital, a pessoa pode fazer o teste, obter informações sobre o consumo de álcool, seus impactos, por exemplo, no orçamento pessoal, o que pode ser feito para reduzir os danos, para um uso moderado, tudo o que contribua para melhorar a qualidade de vida”, declarou o ministro.
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Caminhos para buscar apoio e tratamento para problemas com álcool no SUS
Para quem enfrenta desafios relacionados ao consumo de álcool, a Unidade Básica de Saúde (UBS) representa a principal porta de entrada para o cuidado no SUS. Nela, além de acolhimento e escuta qualificada e sem julgamentos, é possível identificar o nível de risco e a necessidade de tratamento.
As equipes de saúde também oferecem orientações para a redução ou interrupção do consumo de bebidas alcoólicas, acompanham problemas de saúde associados ao uso do álcool e, quando necessário, encaminham para atendimento especializado nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), que são responsáveis por um tratamento mais intensivo e contínuo.
Impactos do consumo excessivo de álcool na saúde humana
O consumo de álcool é o principal fator de risco para as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Além dos efeitos já conhecidos, como dependência e enfermidades do fígado, o consumo problemático de álcool aumenta a probabilidade de desenvolver câncer de mama, doenças cardiovasculares, transtornos mentais e uma série de outras condições de saúde.
Na autoavaliação oferecida pelo aplicativo, o cidadão identifica sua zona de risco e recebe as orientações essenciais para seu caso.

















