Tafenoquina impulsiona queda de 30% em mortes por malária e recorde de 47 anos no BrasilPor Luís Pereira
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O Brasil alcançou uma marca histórica no combate à malária, registrando o menor número de casos da doença em quase cinco décadas. Este feito, atribuído em grande parte à introdução do medicamento tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS), demonstra um avanço significativo na saúde pública nacional.
Dados divulgados nesta segunda-feira (17 de agosto de 2026) apontam para uma redução de 30% nas mortes pela doença em 2025, com os óbitos caindo de 56 em 2024 para 39 no ano seguinte. Além disso, os casos da forma mais grave da malária diminuíram 30,7%, e o total de infecções contraídas no território nacional recuou 15%, totalizando 118.037 ocorrências, o menor índice desde 1978.
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Avanço histórico no combate à malária
A apresentação desses resultados foi feita pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília. O encontro reúne especialistas e pesquisadores para debater enfermidades tropicais, com a malária em destaque. O ministro enfatizou que o país testemunha a menor taxa de casos de malária em 47 anos, um marco na história da saúde brasileira.
A estratégia para esse progresso inclui não apenas a disponibilidade da tafenoquina, mas também a ampliação do diagnóstico, o aumento da oferta de testes e a garantia de tratamento adequado em diversas regiões. Estes esforços coordenados são pilares para a meta do programa Brasil Saudável, que visa eliminar ou reduzir doenças e infecções de saúde pública até 2030, incluindo a malária.
Tafenoquina: a estratégia inovadora do SUS
A tafenoquina representa um dos principais avanços nos tratamentos disponíveis pelo SUS. Incorporada em 2023 para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso mínimo de 35 quilos, sua oferta começou efetivamente em 2024. O medicamento se destaca por sua administração em dose única e ação prolongada, crucial para evitar que a doença reapareça.
Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas já haviam sido tratadas com tafenoquina. Desse total, um número expressivo de 3.920 tratamentos foi registrado em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), áreas frequentemente desafiadoras para o acesso à saúde. O Brasil, com essa iniciativa, tornou-se o primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina ao tratamento da malária em seu sistema público de saúde.
Expansão do tratamento e resultados em comunidades
A inovação da tafenoquina reside em sua capacidade de atuar sobre a forma do parasita que permanece no fígado, responsável por novas manifestações da malária após o tratamento inicial. Ao simplificar o regime terapêutico, o medicamento não só melhora a adesão dos pacientes, mas também contribui significativamente para a redução de recaídas, especialmente em comunidades de difícil acesso.
Desde março de 2026, a tafenoquina também está disponível em uma formulação pediátrica, destinada a crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes já haviam recebido o tratamento no país, expandindo ainda mais o alcance da medicação. A formulação pediátrica da tafenoquina está atualmente disponível em 54 municípios e 17 DSEIs, e mais de 2,4 mil profissionais de saúde foram capacitados para sua utilização.
Os impactos positivos são visíveis em comunidades vulneráveis, como o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, que se beneficiou intensamente da nova terapia. Os resultados incluem:
- 1.515 pessoas receberam tratamento com tafenoquina.
- Recaídas de malária caíram 61,9% entre março e junho de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
- Casos gerais da doença diminuíram 55% entre janeiro e julho de 2026, passando de 17 mil para 7,6 mil, em relação ao ano anterior.
Programa Brasil saudável e metas para 2030
A redução dos casos de malária alinha-se aos objetivos do Programa Brasil Saudável, uma iniciativa abrangente que une diferentes esferas do governo para o bem-estar da população. Coordenado pelo Ministério da Saúde e envolvendo 14 ministérios, o programa reúne ações para eliminar ou reduzir, como problemas de saúde pública, um conjunto de 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical até 2030.
Entre as doenças prioritárias do Brasil Saudável estão tuberculose, hanseníase, HIV/aids, malária, hepatites virais, tracoma, oncocercose, doença de Chagas, esquistossomose, geo-helmintíases e filariose linfática. As infecções de transmissão vertical abrangem sífilis, hepatite B, doença de Chagas, HIV e HTLV. O programa já celebrou a eliminação da filariose linfática em setembro de 2024 e da transmissão vertical do HIV em dezembro de 2025, demonstrando seu potencial transformador. O ministro Padilha reforçou o compromisso de que, até 2030, “ninguém mais morra de malária no nosso país”, destacando a ambição e a seriedade da iniciativa.















