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O Ministério da Saúde lançou uma iniciativa de escuta pública para coletar depoimentos sobre os desafios enfrentados por aqueles que tentam abandonar o tabagismo. A campanha, intitulada “Conte o que o cigarro não mostra”, busca compreender as complexas nuances da dependência, que vão além das imagens de advertência já presentes nos maços.

A ação convida fumantes, ex-fumantes e pessoas impactadas pelo tabagismo a compartilharem suas vivências. As informações coletadas são cruciais para aprimorar as políticas públicas de combate ao tabagismo e para definir as novas mensagens e ilustrações que estamparão as embalagens de cigarros, buscando um impacto mais profundo e humano.

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Minha História Sem Filtro: conte sua experiência sobre os desafios de parar de fumar
Minha História Sem Filtro: conte sua experiência sobre os desafios de parar de fumar Crédito: Minha História Sem Filtro: conte sua experiência sobre os desafios de parar de fumar

Campanha “Conte o que o cigarro não mostra” busca relatos reais

A iniciativa do Ministério da Saúde visa preencher lacunas que as advertências visuais atuais nas embalagens de cigarros não conseguem cobrir. Embora as fotos ilustrem as consequências físicas graves do tabagismo, elas não capturam as alterações profundas na vida diária, nas relações familiares e afetivas, e na qualidade de vida de quem fuma e de quem convive com o problema.

Ao abrir um canal direto de comunicação, a campanha permite que cidadãos, incluindo familiares e amigos de tabagistas, contribuam com suas perspectivas. Essa abordagem mais ampla e humanizada é fundamental para que o poder público compreenda o tabagismo em sua totalidade, indo além das estatísticas e números, e assim, possa elaborar intervenções mais eficazes e direcionadas. Os relatos podem ser enviados até novembro de 2026 por meio de um formulário online disponível no Portal da Saúde. Também é possível acessar o formulário via QR Code divulgado nas redes sociais do Ministério da Saúde até o final de setembro, com apoio da Comunicação da Anvisa.

Prevalência de fumantes e uso de DEFs voltam a crescer no Brasil

Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde em 2026 acendeu um alerta preocupante: após quase duas décadas de declínio, o número de fumantes no Brasil registrou um aumento. Dados do Vigitel, inquérito nacional sobre fatores de risco para doenças crônicas, indicaram que 11,7% da população adulta fumava em 2024. Embora o percentual represente um avanço em relação aos 15,7% de 2006, ele superou os 9,2% registrados em 2023, revertendo a tendência de queda.

Outro desafio emergente é o avanço do uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs). A frequência de adultos que utilizam esses aparelhos, ou fumam cigarros tradicionais, passou de 2,3% em 2019 para 2,4% em 2024. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice é ainda mais preocupante, saltando de 7,4% em 2019 para 10,1% em 2024, o maior patamar histórico para essa faixa etária. Esse crescimento representa um obstáculo adicional para as estratégias de prevenção e controle do tabagismo no país, exigindo novas abordagens e campanhas específicas.

SUS amplia atendimento e tratamento gratuito para dependência

Em resposta ao cenário de aumento da dependência, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem expandido significativamente o apoio e tratamento para quem busca parar de fumar. Em 2025, foram registrados 2,1 milhões de atendimentos a pessoas buscando ajuda para largar o cigarro, um aumento expressivo em comparação com 1 milhão em 2022 e 351 mil em 2015. Esse crescimento demonstra a crescente demanda por serviços e a importância da rede pública de saúde.

O tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS é abrangente e acessível, com a Unidade Básica de Saúde (UBS) funcionando como porta de entrada. Ele inclui uma série de etapas e recursos para auxiliar o paciente em sua jornada de cessação:

  • Acompanhamento individual ou em grupo por profissionais de saúde;
  • Orientações detalhadas para lidar com a dependência e seus desafios;
  • Prescrição de medicamentos específicos, quando clinicamente indicados, para reduzir os sintomas da abstinência, como adesivos de nicotina, gomas de mascar e bupropiona;
  • Avaliação clínica e do grau de dependência para um plano terapêutico personalizado;
  • Monitoramento contínuo da evolução clínica e estratégias para manejo de recaídas.

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, associada a mais de 50 enfermidades graves, incluindo diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias. No Brasil, o cigarro é responsável por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão e contribui para milhares de óbitos prematuros anualmente.

Estratégias de controle do tabaco: um olhar internacional e local

O Brasil mantém uma posição de destaque internacionalmente por sua robusta estrutura de políticas públicas de controle do tabaco. Essas medidas estão alinhadas à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) da Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando o compromisso do país com a saúde pública. A proibição da propaganda de produtos de tabaco, as restrições ao fumo em ambientes coletivos fechados e a exigência de advertências sanitárias com imagens e mensagens nas embalagens de cigarros são pilares dessa estratégia.

Essas ações operam em múltiplas frentes, desde a prevenção da iniciação ao tabagismo, especialmente entre jovens, até a proteção da população contra a exposição à fumaça passiva e o estímulo à cessação. A combinação dessas abordagens busca criar um ambiente menos propício ao consumo de tabaco e mais favorável à saúde da população. A prevalência de fumantes entre homens, por exemplo, caiu de 19,5% em 2006 para 13,9% em 2024, embora tenha havido um aumento em relação aos 11,6% de 2023. Entre as mulheres, o percentual passou de 12,4% em 2006 para 9,5% em 2024, após um pico de 7,3% em 2023, mostrando a complexidade e a necessidade de monitoramento contínuo das tendências.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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