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Brasília sediou, no último sábado, o 2º Fórum de Doenças Negligenciadas, um encontro crucial que reuniu uma diversidade de atores sociais para discutir a importância da participação popular na construção e fiscalização de políticas públicas de saúde. Representantes de órgãos governamentais, movimentos da sociedade civil, entidades do setor de saúde e indivíduos diretamente impactados por enfermidades infecciosas e socialmente determinadas estiveram presentes, buscando caminhos para aprimorar o combate a condições como tuberculose, malária e doença de Chagas.

O evento, que serviu como prévia para o MEDTROP 2026 – congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) –, focou intensamente em como as demandas coletivas podem ser convertidas em propostas institucionais efetivas. A discussão central girou em torno da premissa “Nada sobre nós sem nós”, enfatizando a necessidade de envolver as comunidades afetadas na definição de prioridades e na elaboração de estratégias de resposta por parte das instituições de saúde.

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A voz da sociedade na formulação de políticas

A programação do fórum dedicou-se a explorar os mecanismos de engajamento social e o papel fundamental de lideranças e organizações civis na transformação de desafios sanitários em iniciativas governamentais. A mesa de debate principal destacou a urgência de que as pessoas diretamente atingidas por doenças negligenciadas tenham um assento à mesa onde as decisões são tomadas, garantindo que as soluções propostas reflitam as necessidades reais e as vivências de quem mais sofre.

Draurio Barreira, coordenador-executivo do programa Brasil Saudável e diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs do Ministério da Saúde, sublinhou a existência de um arsenal tecnológico robusto para prevenção, diagnóstico e tratamento de diversas patologias. Contudo, ele alertou para a persistência de profundas disparidades no acesso a esses recursos, que impedem sua chegada a quem realmente precisa. “De nada adianta ter tecnologia, diagnóstico e tratamento se eles não alcançam as pessoas. Temos as ferramentas para avançar na erradicação dessas doenças, mas é imperativo superar as desigualdades para que todos sejam beneficiados”, declarou o especialista.

Superando barreiras de acesso e desigualdade

As doenças negligenciadas, por sua própria natureza, afetam predominantemente populações em situação de maior vulnerabilidade social. Isso significa que, muitas vezes, as soluções médicas e tecnológicas disponíveis não chegam a quem vive em áreas remotas, sem infraestrutura adequada ou com baixo poder aquisitivo. A discussão no fórum evidenciou que a simples existência de um tratamento não garante sua eficácia na vida real, se não houver um esforço coordenado para desmantelar as barreiras de acesso.

Gustavo Homero, médico infectologista e presidente da SBMT, reforçou a importância de construir pontes entre os diversos setores envolvidos na resposta aos problemas de saúde pública. “É nesses ambientes de diálogo que asseguramos a participação genuína da sociedade nas deliberações que impactam a comunidade e contribuímos para a melhoria da saúde pública como um todo”, observou. A colaboração entre governo, academia, sociedade civil e pacientes é vista como o pilar para identificar e implementar soluções que realmente façam a diferença.

Sinergias e o papel central da participação social

A força da sociedade civil organizada foi um ponto recorrente nas discussões, sendo apresentada como um motor essencial para a inovação e a efetividade das políticas de saúde. Draurio Barreira reiterou que, apesar de o Brasil possuir conhecimento científico, tecnologias avançadas e uma sociedade engajada, o maior desafio reside em fazer com que esses recursos alcancem todas as camadas da população. A participação social é, portanto, o elo crucial para mapear os obstáculos e pavimentar o caminho para sua superação.

O evento contou com uma ampla representação de entidades e movimentos, o que demonstra a complexidade e a transversalidade do tema. Entre os participantes estavam:

  • Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT)
  • Ministério da Saúde
  • Programa Brasil Saudável
  • Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (CONASS)
  • Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS)
  • Conselho Nacional de Saúde (CNS)
  • Comitê Técnico Interinstitucional Uma Só Saúde
  • Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas
  • Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN)

Essa diversidade de atores ressalta a natureza multifacetada das doenças negligenciadas, que demandam uma abordagem integrada e colaborativa para serem efetivamente combatidas. A articulação entre diferentes esferas da sociedade é indispensável para criar um ecossistema de saúde mais equitativo e responsivo.

O horizonte do MEDTROP 2026 em Brasília

O fórum serviu como um importante aquecimento para o MEDTROP 2026, o congresso principal da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, que está agendado para ocorrer entre 16 e 19 de agosto no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, também em Brasília. A expectativa é que o congresso reúna cerca de 4.000 profissionais e pesquisadores da área, aprofundando os debates e apresentando as mais recentes inovações no campo da medicina tropical e das doenças negligenciadas.

A realização do fórum como um evento preparatório para o MEDTROP 2026 demonstra a intenção de manter o tema da participação social e da equidade no acesso aos serviços de saúde no centro das discussões científicas e políticas. A continuidade desse diálogo é fundamental para que as reflexões e propostas geradas nos encontros se traduzam em ações concretas e transformadoras para a saúde pública brasileira.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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