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Dados do James Webb reduzem massa estimada de buracos negros antigos

James Webb
Foto: James Webb - Paopano/shutterstock.com
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Uma reavaliação dos dados coletados pelo telescópio espacial James Webb aponta que boa parte dos buracos negros supermassivos encontrados em galáxias do Universo primitivo pode ser bem menor do que os primeiros cálculos indicaram. O levantamento parte de arquivos já publicados sobre galáxias observadas nos primeiros bilhões de anos após o Big Bang, período em que o instrumento revolucionou a astronomia ao enxergar luz emitida por objetos extremamente distantes.

O ponto central da reavaliação está na forma como a massa desses buracos negros é calculada. Os astrônomos não observam o objeto diretamente. Eles medem o brilho e a velocidade do gás que gira ao redor dele, e usam esses números para estimar quanta massa seria necessária para prender esse material em órbita.

Aí mora o problema identificado pelos pesquisadores responsáveis pela reanálise. O método de medição de velocidade do gás, aplicado às galáxias distantes flagradas pelo James Webb, tende a superestimar a largura das linhas espectrais usadas nesse cálculo. Quanto mais larga a linha espectral, mais rápido o gás parece estar girando, e mais massivo o buraco negro parece ser. Se essa largura estiver inflada por um efeito instrumental ou por poeira e gás na própria galáxia hospedeira, a massa final sai maior do que deveria.

Os cientistas por trás do novo estudo compararam as estimativas originais com modelos que tentam isolar esse viés de medição. O resultado, segundo o trabalho, é uma queda significativa nas massas calculadas para uma fração dos buracos negros mais extremos catalogados desde que o telescópio entrou em operação.

Por que o Universo jovem tinha buracos negros grandes demais

A descoberta de buracos negros supermassivos em galáxias formadas poucos centenas de milhões de anos depois do Big Bang colocou a cosmologia numa posição incômoda. Não há tempo suficiente, segundo os modelos padrão de crescimento desses objetos, para que um buraco negro comece pequeno e alcance bilhões de massas solares tão cedo na história cósmica.

Esse descompasso ficou conhecido entre astrônomos como o problema dos buracos negros grandes demais para a idade do Universo. Ele exige explicações alternativas, como sementes iniciais já muito massivas ou taxas de crescimento fora do previsto pela física conhecida. Nenhuma dessas hipóteses é simples de sustentar com os dados disponíveis.

Se a reavaliação dos dados do James Webb estiver correta, parte desse quebra-cabeça perde força. Buracos negros com massa menor exigem menos tempo para se formar. Isso reduziria a pressão sobre os modelos de formação e crescimento que os astrônomos vinham tentando ajustar para explicar como algo tão grande surgiu tão rápido.

O que muda se as massas caírem

Não se trata de descartar a existência desses objetos, nem de dizer que o Universo jovem não abrigava buracos negros supermassivos. Trata-se de recalibrar o quanto eles pesavam.

A diferença é relevante. Um buraco negro superestimado em várias vezes sua massa real distorce cálculos de energia liberada, de influência gravitacional sobre a galáxia hospedeira e de comparação com buracos negros do Universo mais próximo, como o que existe no centro da Via Láctea. Corrigir esse viés não é um ajuste cosmético.

Os autores da reavaliação também alertam que nem todos os objetos catalogados sofrem o mesmo grau de distorção. O efeito parece mais forte justamente nos casos mais extremos, aqueles que geraram manchetes por serem “grandes demais” para sua idade. São exatamente esses os objetos que mais pressionavam os modelos cosmológicos.

Como os astrônomos pretendem confirmar o viés

A proposta dos pesquisadores é testar o efeito em uma amostra maior de galáxias, usando métodos independentes de medição de velocidade do gás. Um deles envolve comparar as larguras espectrais obtidas pelo James Webb com observações feitas por outros instrumentos, sensíveis a faixas diferentes do espectro eletromagnético.

Outra frente de checagem envolve simulações que reproduzem artificialmente o ambiente de poeira e gás em torno de um buraco negro jovem, para calcular quanto desse ambiente poderia estar contaminando o sinal medido. Sem esse tipo de simulação, é difícil separar o que é sinal real do buraco negro do que é ruído produzido pela própria galáxia.

Enquanto essas checagens não avançam, a comunidade astronômica trata a reavaliação como um alerta metodológico, não como um veredito fechado. O James Webb continua sendo a principal ferramenta disponível para estudar essas galáxias remotas, e nenhum instrumento substituto está em operação com sensibilidade equivalente.

A expectativa dos autores é que dados adicionais, coletados em observações futuras do próprio telescópio, permitam separar com mais precisão o sinal do gás girando ao redor do buraco negro de outros fatores que distorcem a medição. Até lá, o número de buracos negros considerados “grandes demais” para sua idade tende a ser tratado com mais cautela pelos próprios especialistas que os catalogaram.

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