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Sony cancela Physint e Microsoft assume projeto de Kojima

Hideo Kojima
Foto: Hideo Kojima - DEIVIDI CORREA DE SOUZA / Shutterstock.com
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A desistência da PlayStation em relação ao desenvolvimento de Physint, nova produção do diretor Hideo Kojima para a próxima geração de consoles, levou consultorias do setor de jogos eletrônicos a avaliar os motivos que definiram a retirada da Sony do financiamento da obra.

O título continua em andamento após a Microsoft assumir o suporte comercial e a publicação do jogo na divisão Xbox. O movimento representa um ganho institucional relevante para a companhia norte-americana.

A decisão da Sony ocorre após a empresa oficializar o encerramento da fabricação de mídias em disco a partir de 2028.

O executivo-chefe da consultoria Kantan Games, Serkan Toto, declarou que a comercialização de Death Stranding 2: On the Beach influenciou o cancelamento. O resultado financeiro abaixo do esperado provocou cautela na diretoria japonesa.

“Os jogos Kojima têm um forte efeito halo de marketing de plataforma e não se trata apenas de vendas, mas parece que a queda acentuada do DS1 para o DS2 assustou a Sony o suficiente para interrompê-lo”, avaliou Serkan Toto.

A Kojima Productions e a Sony nunca divulgaram relatórios oficiais com os números comerciais consolidados do segundo título. Isto não é positivo.

Um levantamento divulgado pela consultoria Alinea Analytics calculou as vendas de Death Stranding 2 em 2,5 milhões de unidades, marca distante dos 20 milhões de usuários que acessaram a obra inaugural da franquia.

Physint - Divulgação
Physint – Divulgação

Desempenho comercial de jogos anteriores gerou alerta no orçamento

Os registros auditados mostram que Death Stranding comercializou 5 milhões de cópias até março de 2021 e reuniu 20 milhões de jogadores até março de 2025, soma ampliada por distribuições promocionais na Epic Games Store e catálogos de assinatura como o Xbox Game Pass. Em julho, a Kojima Productions informou que a franquia acumulava 27 milhões de contas ativas somando os dois lançamentos. O volume total não evitou o declínio na segunda edição.

A desaceleração nas compras de Death Stranding 2 ocorreu mesmo com a aplicação de promoções no comércio digital, mantendo o faturamento geral inferior ao do primeiro lançamento de acordo com as medições da Alinea Analytics.

A continuação não conseguiu replicar o alcance nem a rentabilidade do jogo anterior, motivando o recuo da Sony diante de custos inflacionados por ciclos longos e contratos com elenco de Hollywood. A complexidade financeira assustou a diretoria.

A produção de Physint demandaria um aporte financeiro ainda maior, com previsão de até seis anos de trabalhos segundo estimativas apresentadas por Hideo Kojima durante a concepção preliminar da obra. O planejamento envolvia conexões com a indústria cinematográfica internacional. Os diretores da Sony vetaram os custos previstos.

A divisão de jogos da Microsoft incorporou as obrigações financeiras de Physint para abastecer o catálogo futuro do Projeto Helix no Xbox, equilibrando os investimentos após fechamentos recentes de estúdios e demissões corporativas.

“Isso não parece ótimo para o PlayStation entre os principais jogadores”, afirmou o especialista da Alinea Analytics, Rhys Elliot. “Especialmente agora. De uma perspectiva estritamente financeira, porém, posso entender a posição da Sony.”

Custos de desenvolvimento pesam nas decisões financeiras dos estúdios

“Matemática aproximada: o que se diz nas ruas é que o primeiro Death Stranding custou cerca de US$ 100 milhões para ser feito, e o segundo algo em torno de US$ 150 milhões – US$ 200 milhões”, relatou Rhys Elliot. “Dependendo das despesas de marketing e do custo de oportunidade de atrair os desenvolvedores da Guerrilla para o DS1, a franquia quase certamente atingiu o ponto de equilíbrio – mas não muito.” O retorno financeiro permaneceu reduzido.

O analista Rhys Elliot apontou que as margens operacionais comandam a indústria atualmente e que prejuízos recentes em projetos de grande orçamento como Concord, que gerou perdas estimadas em mais de US$ 300 milhões, somados a desempenhos comerciais fracos de títulos como Marathon, com 1,8 milhão de unidades, Saros, que gerou US$ 61 milhões, Marvel Tokon, com 725 mil vendas e US$ 49 milhões arrecadados, e Lego Horizon Adventures, com menos de 250 mil cópias vendidas no Steam e PlayStation 5 rendendo US$ 11 milhões, aumentaram o rigor financeiro da PlayStation.

A saída de um projeto de renome artístico gera desgaste de imagem para a Sony após mudanças estruturais na desenvolvedora Bungie. O analista Christopher Dring declarou que contratos com Hideo Kojima miram prestígio institucional e representam uma vitória técnica para o Xbox.

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