Grupo Carbon pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 371 milhões

Carbon - Instagram

Carbon - Instagram

O Grupo Carbon, maior blindadora de veículos civis do Brasil, protocolou pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo na segunda-feira (5). O processo envolve três empresas do conglomerado e busca reestruturar R$ 371,47 milhões em créditos quirografários perante credores financeiros.

O plano apresentado ao Judiciário abrange as empresas C Blindados Ltda., Opera Glass e Vertco Blindagem. Na distribuição inicial, a proposta contava com a anuência formal de credores que detêm 47,63% do valor total das dívidas sujeitas ao procedimento, restando cerca de R$ 8,8 milhões em novos apoios para que a devedora atinja o patamar de 50% necessário para a homologação legal.

Divisão dos créditos do Grupo Carbon entre as instituições financeiras

A relação de dívidas demonstra que bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) concentram R$ 315,6 milhões da quantia reestruturada, montante equivalente a cerca de 85% do total declarado no plano. Os sete principais credores financeiros representam aproximadamente R$ 281 milhões do passivo submetido ao processo paulista.

Confira também: André Dela Togna assume co-CEO da Chilli Beans para renegociar dívida de R$ 600 milhões

A lista dos maiores detentores individuais de créditos abrange os seguintes valores declarados na recuperação:

Acompanhe: Companhia Braskem pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 54 bilhões

  • Amadeus FIDC: R$ 95,27 milhões
  • Banco Digimais: R$ 61,43 milhões
  • SSG FIDC: R$ 38,41 milhões
  • Banco do Brasil: R$ 35,67 milhões
  • Bradesco: R$ 17,53 milhões
  • Santander: R$ 16,40 milhões
  • Porto Seguro: R$ 16,39 milhões
  • SB Crédito FIDC: R$ 8,28 milhões

Como a proposta da Carbon planeja quitar as dívidas com os credores?

A proposta desenhada pelo conglomerado visa levantar entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões em dinheiro novo para sustentar o caixa operacional. As condições de pagamento estabelecidas pela empresa mudam de acordo com o interesse de cada instituição em fornecer esses novos aportes financeiros durante a reestruturação judicial.

Os credores que concordarem em injetar recursos novos terão seus créditos existentes quitados integralmente, com atualização baseada na taxa DI acompanhada de spread de 3% a 6,5% ao ano. Já as instituições financeiras que rejeitarem o aporte poderão receber 15% do saldo em 18 parcelas. Aqueles que não apontarem preferência cairão na regra geral padrão, sujeita a um deságio de 95%, recebendo apenas 5% da dívida, com o maior pagamento programado para o nono ano.

Cronologia da reestruturação do Grupo Carbon na Justiça paulista

A crise de liquidez da empresa começou a ser tratada formalmente semanas antes da distribuição da petição inicial aos magistrados, momento em que a devedora reuniu as primeiras assinaturas com seus principais financiadores.

Os principais marcos temporais do processo de reestruturação ocorreram nas seguintes datas:

  • 21 de setembro de 2026: assinatura formal do plano de recuperação extrajudicial entre a Carbon e credores com 47,63% dos créditos
  • 25 de setembro de 2026: divulgação pública inicial sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa
  • 5 de outubro de 2026: protocolo e distribuição do pedido de recuperação extrajudicial no Foro Central Cível de São Paulo

Leia também: Empresa Braskem inicia pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 54 bilhões

Investimento fabril e compressão do caixa operacional

A companhia informou que o faturamento anual avançou de R$ 465 milhões em 2024 para R$ 673 milhões em 2025, um salto de cerca de 45%. Por outro lado, as obrigações financeiras imediatas chegaram a R$ 139 milhões para os doze meses seguintes ao pedido, superando a geração de caixa de R$ 52 milhões reportada no mesmo intervalo, diante de um custo financeiro médio do endividamento fixado em 22% ao ano.

A pressão sobre o caixa decorreu da verticalização industrial com a implantação da fábrica de vidros balísticos Opera Glass em Jarinu, no interior de São Paulo. A unidade fabril demandou R$ 80 milhões entre 2024 e 2025, mas enfrentou um atraso de quase doze meses no cronograma e só passou a operar em abril de 2026. A holding também já havia emitido R$ 49,57 milhões em debêntures quirografárias em setembro de 2025 para substituir notas comerciais anteriores com garantias reais.

Histórico do Grupo Carbon e medidas contra despejo

Fundada em 2015 em Barueri, a Carbon alcançou 16% de participação no mercado de blindagem automotiva civil brasileira, com mais de 30 mil veículos protegidos na trajetória da marca, além de ter realizado em 2016 a primeira blindagem mundial de um veículo Tesla Model S. O grupo enfrenta litígios recentes de cobrança, incluindo um pedido de falência impetrado por um fundo credor em maio de 2026 na 1ª Vara Regional Empresarial de São Paulo e o registro de alienação fiduciária da própria marca Carbon Blindados ao Amadeus FIDC perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial em 2025.

No pedido formulado em 5 de outubro de 2026, a Carbon solicitou prazo de 90 dias para obter o apoio de credores que superem 50% dos créditos e requereu medida liminar contra ações de execução, cobranças e despejo de três imóveis operacionais, incluindo a fábrica de Jarinu e uma unidade em Barueri. O processo foi distribuído por sorteio para a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da comarca de São Paulo, e o Judiciário ainda não proferiu decisão definitiva sobre o processamento nem sobre o pedido liminar.