A ilha privada e desabitada de Hildasay, situada entre as Ilhas Scalloway na costa oeste de Shetland, na Escócia, Reino Unido, está à venda para propostas acima do preço mínimo de 350 mil libras (aproximadamente R$ 2,5 milhões em conversão direta). A propriedade abrange cerca de 110 hectares, extensão territorial que supera o dobro da área do Vaticano, mas não possui conexão com a rede elétrica nem serviços públicos básicos de abastecimento.
Anunciada inicialmente no mercado imobiliário local em 26 de setembro de 2026, a negociação ganhou repercussão internacional nesta terça-feira (13). O acesso ao território ocorre exclusivamente por barco, a partir do continente e das ilhas vizinhas. “Acessível por barco a partir do continente e das ilhas vizinhas, Hildasay se beneficia de seu próprio píer, fornecendo um ponto principal de desembarque na ilha. Sua escala e caráter intocado criam uma sensação genuína de refúgio, com paisagens abertas e vistas ininterruptas sobre as águas ao redor”, informou um porta-voz da imobiliária Kelvin Anderson, em tradução livre.
Cabana de pedra é a única construção na ilha de Hildasay
A infraestrutura edificada em toda a extensão da ilha de Hildasay resume-se ao pequeno cais privado de desembarque e a uma cabana tradicional de pedra, conhecida na Escócia pelo termo bothy, que designa abrigos rurais simples deixados em áreas remotas. A construção era originalmente uma antiga casa rural (chamada localmente de croft house) que passou por uma reforma substancial por volta do ano de 1992. Desde a renovação, o imóvel tem sido utilizado apenas para estadias ocasionais, sendo classificado atualmente como vedado contra intempéries, mas com necessidade de trabalhos de manutenção caso o novo proprietário planeje o uso regular da estrutura.
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No interior da acomodação de pedra, o espaço foi dividido para atender às necessidades básicas de abrigo em um ambiente isolado. O imóvel dispõe de uma sala de estar, uma área elevada e aberta destinada ao dormitório e aquecimento interno operado por queima de combustível sólido. A edificação conta ainda com um banheiro separado, que está equipado com chuveiro, pia e vaso sanitário.
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Falta de rede elétrica em Hildasay exige sistemas próprios e licenças
Por ser uma propriedade totalmente desconectada da rede pública (sistema conhecido como off-grid), Hildasay não recebe fornecimento externo de eletricidade, água encanada ou tratamento de resíduos. Ocupantes anteriores utilizavam uma pequena turbina eólica combinada a um gerador movido a diesel para produzir eletricidade no terreno. Quem adquirir a área terá de instalar e gerenciar por conta própria todos os recursos de energia, captação de água e esgoto.
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O agente imobiliário responsável pela venda em Shetland, Kelvin Anderson, alerta que a ausência de infraestrutura exige planejamento legal antes de qualquer obra. Os compradores que desejarem executar melhorias, manutenções estruturais ou ampliações na cabana existente precisarão solicitar e obter licenças de planejamento e autorizações legais junto às autoridades competentes da região.
Os dados técnicos e financeiros divulgados na listagem oficial da propriedade detalham as dimensões e as exigências financeiras do negócio:
- Preço mínimo pedido: ofertas a partir de 350 mil libras (cerca de 414 mil euros, 385 mil francos suíços ou R$ 2,5 milhões).
- Área total aproximada: 110 hectares (267 acres), frente aos 44 hectares que compõem o território do Vaticano.
- Elevação máxima do terreno: ponto mais alto situado a cerca de 32 metros (105 pés) de altitude.
- Recursos hídricos naturais: dois lagos de água doce no interior da ilha, cercados por costa recortada e presença de aves marinhas.
Exportação de granito para a Austrália e isolamento de Chris Lewis em Hildasay
Desabitada de forma permanente desde o século XIX, a ilha de Hildasay chegou a abrigar uma comunidade ativa de aproximadamente 30 moradores no ano de 1891, período em que a economia local girava em torno da salga e cura de arenque e da mineração. O território possuía uma pedreira de granito de coloração vermelho-esverdeada explorada em larga escala comercial, cujo material extraído era transportado por uma ferrovia construída especificamente para ligar a jazida ao porto local, de onde seguia em navios para compradores no exterior, alcançando destinos distantes como a Austrália.
Segundo o porta-voz da imobiliária Kelvin Anderson, vestígios desse passado industrial ligado à extração de granito e à cura de arenque permanecem visíveis no território da ilha.
Na história recente do Reino Unido, a propriedade ganhou projeção durante a pandemia de COVID-19. O ex-paraquedista e autor britânico Chris Lewis passou três meses de confinamento (lockdown) isolado na ilha na companhia de seu cachorro e de 15 ovelhas. A rotina na cabana de pedra foi relatada por Lewis no livro “Finding Hildasay: How one man walked the UK’s coastline and found hope and happiness”. Na época, uma campanha de financiamento coletivo chegou a ser articulada para arrecadar fundos e comprar a ilha para o ex-paraquedista, mas o projeto foi abandonado antes da conclusão.
