José Manuel Rodrigues pede acesso de PME aos apoios para IA na Madeira

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José Manuel Rodrigues - Reprodução/Facebook Foto: José Manuel Rodrigues - Reprodução/Facebook

O secretário regional da Economia da Região Autónoma da Madeira, José Manuel Rodrigues, defendeu nesta terça-feira (20) que as linhas de financiamento para inteligência artificial (IA) precisam chegar de forma efetiva às pequenas e médias empresas (PME). O posicionamento ocorreu durante a sessão de abertura do encontro inter-regional do projeto europeu embrAIsme, realizado no Colégio dos Jesuítas, no Funchal, em Portugal. Na ocasião, o governante alertou que a simples criação de apoios públicos não garante que os negócios de menor porte consigam utilizar os recursos disponíveis.

De acordo com o titular da pasta da Economia, a diferença de capacidade financeira e técnica entre as companhias pode ampliar as disparidades no mercado regional caso o acesso aos fundos não seja adaptado. “Há uma distância considerável entre o anúncio de uma inovação e a sua presença efectiva no quotidiano de uma empresa”, afirmou José Manuel Rodrigues.

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Obstáculos apontados por José Manuel Rodrigues no acesso aos fundos

Durante a intervenção no evento organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE, IP-RAM), organismo tutelado pela Secretaria Regional de Economia, o secretário detalhou as barreiras práticas que impedem a digitalização dos pequenos negócios. Entre os principais entraves estão os custos iniciais de investimento, a falta de mão de obra qualificada, a necessidade de reorganização interna das firmas e a burocracia nos processos de candidatura. “Um instrumento pode estar formalmente disponível e continuar inacessível para quem dele mais necessitaria”, declarou o governante.

Para que os programas de incentivo do Madeira 2030 geridos pelo IDE cumpram o objetivo de modernizar a economia local, José Manuel Rodrigues sustentou que o repasse financeiro para compra de tecnologia não funciona de maneira isolada, exigindo ações simultâneas na qualificação dos trabalhadores, na segurança e organização de dados e no cumprimento de normas éticas e regulamentares. Segundo a avaliação apresentada pelo secretário, financiar ferramentas digitais sem garantir as competências humanas necessárias para operá-las representa uma medida incompleta, sobretudo em uma região marcada pela insularidade, pela distância dos principais mercados e por custos operacionais mais elevados.

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O governante reforçou ainda que o desenho das políticas públicas deve observar a estrutura real do mercado local, onde as PME sustentam a maior parte dos postos de trabalho. “Não se pode pensar apenas em grandes empresas ou em projetos de dimensão internacional”, disse José Manuel Rodrigues, acrescentando que “a inteligência artificial abre possibilidades consideráveis, mas não decide sozinha o futuro das nossas economias”.

Meta de 25% na adoção de IA pelas PME da Madeira até 2030

A preocupação com o porte das companhias reflete os dados oficiais divulgados pela Secretaria Regional da Economia sobre a composição do mercado e o ritmo de digitalização no país. Enquanto a média da União Europeia registra 17% de pequenas empresas utilizando ferramentas de inteligência artificial, o índice em Portugal está em 9,4%. Na Região Autónoma da Madeira, o desafio é ampliado pelo fato de as microempresas representarem 86% de todo o tecido empresarial.

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Para tentar reduzir essa defasagem, o Governo Regional da Madeira apresentou publicamente, em 17 de setembro de 2026, na Reitoria da Universidade da Madeira, a Agenda Regional de Inteligência Artificial para as Empresas (ARIA-Empresas). Promovida pela Direção Regional de Competitividade, Inovação e Sustentabilidade, a estratégia estabelece objetivos específicos para os próximos anos.

Dados do projeto europeu embrAIsme e metas da ARIA-Empresas

  • Período e local do encontro no Funchal: de terça-feira, 20 de outubro de 2026, a quarta-feira, 21 de outubro de 2026, no Colégio dos Jesuítas.
  • Orçamento global do projeto embrAIsme: 2.302.690 euros pelo programa Interreg Europe 2021-2027, com cofinanciamento de 80% do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
  • Vigência do projeto europeu: fase principal iniciada na segunda-feira, 1 de abril de 2024, com conclusão global prevista para 2028.
  • Meta de adesão da estratégia ARIA-Empresas: mínimo de 25% das PME madeirenses utilizando inteligência artificial até o ano de 2030.
  • Impacto econômico projetado na Madeira: estimativa de ganhos de produtividade entre 15% e 20% para as PME locais que adotarem a tecnologia.

Programação do projeto embrAIsme no Funchal vai até quarta-feira (21)

O projeto europeu embrAIsme, cujo nome oficial traduz o objetivo de melhorar as condições e as políticas para que as PME adotem a inteligência artificial, é liderado pela agência austríaca Austria Wirtschaftsservice (aws) e reúne parceiros da Áustria, Bulgária, Espanha, Irlanda, Finlândia, Eslovénia e Portugal, representado pelo IDE da Madeira. Ao longo dos dois dias de trabalhos no Funchal, os participantes discutem prioridades regionais de inovação para transformar o intercâmbio em medidas práticas. “Espero que os trabalhos destes dias não se esgotem na descrição de boas práticas. A utilidade deste encontro mede-se pela capacidade de produzir conhecimento aplicável, identificar obstáculos com rigor e formular propostas”, afirmou José Manuel Rodrigues.

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A agenda do evento até o encerramento nesta quarta-feira (21) inclui visitas técnicas à incubadora Startup Madeira e ao centro de inteligência artificial da empresa DataMentors. Os representantes das entidades europeias também acompanham a apresentação de um caso prático do grupo hoteleiro PortoBay Hotels sobre o uso de inteligência artificial na gestão empresarial.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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