A fintech meutudo divulgou nesta quarta-feira (21) projeções que estimam o salário mínimo nacional de 2027 entre R$ 1.729,00 e R$ 1.745,00. O cenário considerado mais provável pela empresa aponta para um piso de R$ 1.735,00, o que representa um reajuste de 7% e um acréscimo nominal de R$ 114,00 sobre os R$ 1.621,00 vigentes em 2026.
Paralelamente às estimativas privadas, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional em 31 de agosto de 2026, prevê um piso oficial de R$ 1.741,00, equivalente a uma alta de R$ 120,00 ou 7,4% sobre o valor atual. O ministro em exercício da Fazenda e secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, defendeu a regra de correção que garante ganho acima da inflação. “O reajuste está dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente”, afirmou Durigan.
Cenários da meutudo e do PLOA para o salário mínimo de 2027
As simulações elaboradas pela fintech dividem a correção do piso nacional em três faixas distintas, calculadas a partir do comportamento recente dos indicadores econômicos e da média de 7% nos reajustes aplicados entre 2024 e 2026. Os valores projetados pela meutudo e pelo Governo Federal para a remuneração básica mensal do trabalhador brasileiro em 2027 são os seguintes:
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- Cenário pessimista da meutudo: R$ 1.729,00 por mês, com alta de 6,7% sobre o piso de 2026.
- Cenário realista da meutudo: R$ 1.735,00 por mês, com ganho de 7% e aumento nominal de R$ 114,00.
- Previsão oficial do Governo Federal no PLOA 2027: R$ 1.741,00 por mês, com reajuste de 7,4% e acréscimo de R$ 120,00.
- Cenário otimista da meutudo: R$ 1.745,00 por mês, representando uma elevação de 7,6% em relação a 2026.
Para construir as três faixas, a análise privada utilizou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acumulou alta de 4,29% entre dezembro de 2025 e setembro de 2026. A esse percentual foram somadas simulações para os meses de outubro e novembro baseadas no menor valor, na média e no maior índice registrados nos mesmos bimestres entre 2023 e 2025. Já a previsão oficial de R$ 1.741,00 do Ministério da Fazenda utilizou uma projeção de INPC acumulado de 4,93% em 12 meses, calculada pela Secretaria de Política Econômica.
Cálculo do salário mínimo de 2027 pelas regras do arcabouço fiscal
O cálculo para definir o salário mínimo de 2027 segue a política de valorização estabelecida pela Lei nº 14.663/2023, que determina a soma da inflação medida pelo INPC acumulada em 12 meses, de dezembro de 2025 a novembro de 2026, ao crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) de dois anos antes. Pelas regras fiscais vigentes na Lei Complementar nº 200/2023, que instituiu o arcabouço fiscal (mecanismo de controle das contas públicas), e no artigo 4º da Lei nº 15.077/2024, o ganho real acima da inflação entre 2025 e 2030 fica restrito ao intervalo de 0,6% a 2,5% ao ano.
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Como o PIB de 2025 registrou expansão de 2,3% segundo os dados oficiais do IBGE, o índice ficou abaixo do teto de 2,5% imposto pela legislação fiscal. Com isso, o percentual de 2,3% entra integralmente na fórmula de atualização do piso para 2027, multiplicado pela variação da inflação do período sobre a base atual de R$ 1.621,00.
Histórico de reajustes do salário mínimo entre 2024 e 2026 e impacto fiscal
Caso se confirme o valor realista de R$ 1.735,00, o acréscimo de R$ 114,00 superará a média de R$ 100,00 registrada nos aumentos anuais entre 2024 e 2026. Em 23 de dezembro de 2025, a edição do Decreto nº 12.797/2025 fixou o piso de 2026 em R$ 1.621,00, uma alta nominal de R$ 103,00 (6,79%) sobre os R$ 1.518,00 pagos em 2025. Naquele cálculo, o governo somou o INPC de 4,18% ao teto permitido de 2,5% de ganho real, embora o PIB de dois anos antes tivesse crescido 3,4%. Já para o orçamento de 2027, a estimativa federal passou por revisão: no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado em abril de 2026, a previsão inicial era de R$ 1.717,00, valor elevado para R$ 1.741,00 em agosto devido à expectativa de inflação maior.
Nas contas públicas, cada R$ 1,00 de aumento no salário mínimo mensal amplia as despesas primárias anuais da União em R$ 413,2 milhões em 2027. Desse montante por real acrescido, R$ 308,4 milhões concentram-se no Regime Geral de Previdência Social, R$ 74,0 milhões vão para o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS, auxílio pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) e R$ 30,3 milhões recaem sobre o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que custeia o abono salarial e o seguro-desemprego. Se o reajuste de R$ 120,00 previsto no PLOA for confirmado, o impacto total nos gastos federais em 2027 será de R$ 49,6 bilhões.
Benefícios do INSS, salários CLT e cronograma do salário mínimo de 2027
A atualização do piso nacional altera diretamente os pagamentos destinados a trabalhadores com carteira assinada (CLT) que recebem a remuneração mínima, além de corrigir aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) equivalentes a um salário mínimo. O novo valor também reajusta a parcela mensal do BPC/LOAS, o teto do abono salarial do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e a cota mínima do seguro-desemprego. Segurados do INSS que ganham acima do piso nacional não recebem o ganho real do PIB e têm os benefícios corrigidos apenas pela variação integral do INPC.
A elevação da renda mensal amplia ainda a margem consignável, percentual máximo do salário ou benefício que pode ser comprometido com o pagamento de parcelas de empréstimos consignados descontados diretamente na folha. Para os consumidores que desejam simular a nova margem de crédito para trabalhadores CLT e segurados do INSS, a meutudo disponibiliza o cálculo gratuito em seu aplicativo para sistemas Android e iOS, mediante cadastro com nome completo, telefone celular, e-mail, CPF, data de nascimento e validação por código SMS.
O valor definitivo do salário mínimo de 2027 ainda não está confirmado e só será conhecido em dezembro de 2026, após o IBGE divulgar os índices fechados do INPC referentes aos meses de outubro e novembro.
Com a divulgação da inflação acumulada de 12 meses e a votação do Orçamento pelo Congresso Nacional no segundo semestre, o valor exato será oficializado por decreto presidencial no fim de dezembro de 2026. O novo piso entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, com pagamento aos trabalhadores CLT até o quinto dia útil de fevereiro.
