Ações da Meta caem 7% após plano de investimentos em IA de 2026

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Meta Foto: Meta - gguy / Shutterstock.com

As ações da Meta Platforms recuaram cerca de 7% nos Estados Unidos na quinta-feira (22) após a empresa anunciar uma nova classe de ações sem direito a voto e ampliar sua projeção de gastos para financiar projetos de inteligência artificial (IA). A reação dos investidores provocou uma onda de vendas no setor de tecnologia e derrubou o índice Nasdaq 100 em 2,9%.

No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado na quarta-feira (21), a companhia elevou o piso de sua previsão de despesas de capital (capex, sigla em inglês para investimentos em bens de capital como servidores e imóveis) para o ano de 2026, que passou para a faixa de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões, ante a estimativa anterior de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões. Apesar da cautela do mercado com o volume de gastos, o diretor-executivo (CEO) e fundador da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, defendeu a estratégia: “Os nossos investimentos estão dando resultado, o negócio principal está sólido e estamos ganhando velocidade em todas as frentes”, declarou.

Criação das ações Classe C da Meta e manutenção do controle de Mark Zuckerberg

Para sustentar a ampliação de centros de dados, a compra de chips e a infraestrutura voltada à operação de sistemas de inteligência artificial, o conselho de administração da Meta aprovou a criação das ações ordinárias Classe C. Esses novos papéis não dão direito a voto nas assembleias e têm início de vigência previsto para 19 de janeiro de 2027.

A empresa informou que a nova estrutura societária servirá para captar recursos no mercado, remunerar funcionários e financiar eventuais aquisições de outras companhias sem diluir o poder de decisão de Mark Zuckerberg. Na prática, a emissão de novas ações no mercado pode diluir a participação financeira dos acionistas atuais, mas preserva o controle político de quem detém papéis com direito a voto.

A distribuição ocorrerá por meio de um dividendo único em ações: os investidores receberão uma ação Classe C para cada ação Classe A e Classe B que estiver em circulação. A operação terá o efeito prático de um desdobramento na proporção de duas para uma, mantendo inalterada a divisão do poder de voto entre os sócios. Paralelamente, a companhia assinou um Acordo de Alinhamento de Fundador (Founder Alignment Agreement, documento societário que vincula o executivo à empresa) com Zuckerberg, definindo regras para a venda de papéis Classe C recebidos no dividendo, critérios sobre a permanência dele no comando e condições para futuros dividendos dessa categoria.

Indicadores financeiros da Meta no balanço do 3º trimestre de 2026

O aumento nos desembolsos com infraestrutura pressionou o caixa da companhia entre julho e setembro, mesmo com o avanço no faturamento. Enquanto a receita cresceu 26% na comparação anual e superou a média de US$ 63,33 bilhões esperada por analistas, impulsionada pela publicidade, o fluxo de caixa livre (dinheiro que sobra após o pagamento de custos operacionais e investimentos) ficou negativo, revertendo o saldo positivo registrado no terceiro trimestre de 2025. O resultado líquido também sofreu o impacto de um acordo judicial firmado com 52 procuradores-gerais estaduais nos Estados Unidos sobre processos ligados à saúde mental de adolescentes.

Nasdaq
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  • Receita total no 3º trimestre de 2026: US$ 64,6 bilhões (alta anual de 26%).
  • Receita publicitária no 3º trimestre de 2026: US$ 63,06 bilhões.
  • Lucro líquido no 3º trimestre de 2026: US$ 9,8 bilhões, equivalente a US$ 3,83 por ação.
  • Encargo legal no trimestre: US$ 9,89 bilhões referentes ao acordo com procuradores-gerais estaduais.
  • Despesas de capital (capex) no 3º trimestre de 2026: US$ 34,91 bilhões.
  • Fluxo de caixa livre no 3º trimestre de 2026: saldo negativo de US$ 2,12 bilhões, ante resultado positivo de US$ 10,63 bilhões no mesmo período de 2025.
  • Previsão de receita total para o 4º trimestre de 2026: entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões, faixa acima das projeções de Wall Street.

Reação às ações da Meta derruba SpaceX, Tesla e setor de semicondutores

O plano de financiamento reacendeu questionamentos no mercado financeiro sobre o montante que as gigantes de tecnologia precisarão desembolsar para competir em inteligência artificial e em quanto tempo esses aportes trarão retorno financeiro. O setor tem recorrido à emissão de papéis e a empréstimos para erguer centros de dados. Com o anúncio, o custo de proteção contra um eventual calote da dívida da Meta atingiu nível recorde na quinta-feira, 22 de outubro de 2026.

A aversão ao risco espalhou-se para outras empresas associadas à corrida por IA e levou investidores a migrarem para ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries).

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  • SpaceX: queda de 9,1% nas ações na quinta-feira (22).
  • Índice de semicondutores da Filadélfia: recuo de quase 7%.
  • Tesla: baixa de 3,1% nos papéis.
  • Títulos do Tesouro dos EUA de dez anos: rendimento recuou para pouco abaixo de 5% diante da maior procura pelos papéis.
  • Petróleo Brent: cotação subiu para US$ 113,17 por barril em meio a riscos no Oriente Médio.
  • Títulos públicos da França de dez anos: juros superaram a marca de 5%, ampliando a diferença em relação aos títulos da Alemanha.

Condenação da Meta no Novo México, gastos passados e metas até 2027

O reajuste na projeção anual de investimentos dá sequência à escalada de gastos registrada nos meses anteriores. No segundo trimestre de 2026, a Meta havia desembolsado US$ 31,08 bilhões em despesas de capital, mantendo na época a estimativa de fechar o ano entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões.

Além do encargo bilionário com procuradores estaduais contabilizado no balanço, a empresa enfrentou outro revés jurídico na quarta-feira (21). Um júri no estado do Novo México, nos Estados Unidos, ordenou que a Meta pague US$ 25 bilhões após concluir que a companhia enganou consumidores a respeito da privacidade de seus dados.

Na frente operacional, a empresa informou no relatório trimestral que o Muse, seu novo agente de inteligência artificial, foi utilizado por mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá durante as primeiras seis semanas de operação. Já para a divisão Reality Labs, área dedicada a equipamentos e softwares de realidade virtual e aumentada, a Meta projeta reduzir os prejuízos anuais para cerca de US$ 15 bilhões em 2027, abaixo da perda estimada entre US$ 18 bilhões e US$ 19 bilhões para o acumulado de 2026.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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