O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou na manhã deste domingo (25) o Teste de Integridade das urnas eletrônicas na sala do Museu do Voto, localizada no subsolo do edifício-sede da Corte em Brasília. A votação paralela começou às 8h, no horário de Brasília, e ocorre simultaneamente nas 26 capitais e no Distrito Federal, com previsão de encerramento às 17h.
A abertura da sala do Museu do Voto ocorreu por volta das 7h, com transmissão ao vivo pelo canal do TSE no YouTube. O local havia sido lacrado no sábado (24) com a presença de representantes do Ministério Público Eleitoral (MPE) e de servidores do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), permanecendo sob monitoramento de câmeras durante 24 horas. Leonardo Hernandez, juiz auxiliar da Presidência do TSE e da Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica do TRE-DF, explicou o passo a passo da cerimônia e defendeu a segurança dos equipamentos. “Em todo o período da urna eletrônica — implantada em 1996 —, nunca foi constatada nenhuma fraude no sistema eleitoral brasileiro”, afirmou.
Como funciona o voto cantado e a emissão da zerésima no TSE
Antes do começo da auditoria, os servidores do tribunal emitiram a zerésima de cada máquina, relatório oficial que comprova a inexistência de votos registrados previamente no equipamento. O documento detalha o código do município, a zona eleitoral, o local de votação, a seção, a lista dos candidatos com seus números e o total de eleitores aptos a votar que somava 338 eleitores na urna retirada para a avaliação na sede do TSE.
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Nas seções eleitorais regulares de todo o país, a zerésima também é impressa e afixada na entrada do local de votação, em duas vias, para consulta pública. Segundo Hernandez, o eleitor que notar qualquer irregularidade pode solicitar ao presidente da seção o registro do fato em ata. O magistrado acrescentou que a máquina só entra em funcionamento se todos os seus componentes estiverem íntegros; em caso de adulteração, o aparelho não liga.
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Durante a votação paralela no Distrito Federal, servidores cadastrados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) executam o chamado voto cantado, em função semelhante à de um mesário e prevista em resolução do TSE. Cada servidor lê em voz alta os dados de cédulas de papel preenchidas previamente à mão por representantes do Partido Liberal (PL) e do Partido dos Trabalhadores (PT) e, em seguida, digita os votos nos equipamentos sorteados sob filmagem contínua.
Como a etapa de 25 de outubro de 2026 abrange apenas os cargos de presidente da República e de governador este último em disputa no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e no Distrito Federal, o procedimento é mais simples que o do primeiro turno. No encerramento às 17h, os Boletins de Urna (BUs) impressos pelos aparelhos auditados serão comparados com os votos das cédulas de papel para atestar a coincidência dos números. Caso surja alguma divergência, a equipe técnica verifica a gravação para checar se ocorreu erro de digitação ou outra irregularidade.
Divisão das urnas sorteadas e balanço do 2º turno das Eleições 2026
Todas as máquinas avaliadas no Distrito Federal foram retiradas de escolas da capital após sorteio público realizado na véspera na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), com acompanhamento de partidos políticos, e substituídas nas seções de origem. Em regiões do país com distâncias maiores, o transporte dos aparelhos sorteados até os locais de teste costuma ser mais demorado. Os dados operacionais da auditoria e do início da votação no país registraram os seguintes números:
- 20 urnas eletrônicas: total de equipamentos sorteados para auditoria no Distrito Federal, sendo 16 auditados no plenário da CLDF, 2 no Museu do Voto no TSE e 2 submetidos ao Teste com Biometria na Escola Canadense de Brasília.
- 158.745.463 eleitores: total do eleitorado brasileiro apto a votar nas Eleições 2026.
- 467 urnas substituídas: quantidade de aparelhos trocados em todo o país nas duas primeiras horas de votação (entre 8h e 10h), o que representa 0,09% do total de 499.248 urnas em uso neste domingo (25).
- 48.815 equipamentos: volume de urnas de contingência reservadas pela Justiça Eleitoral para substituição em caso de necessidade.
O juiz auxiliar Leonardo Hernandez convidou a população a fiscalizar os trabalhos presencialmente ou pela internet, sem necessidade de ir até o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de cada estado. “Se você tem dúvidas da confiabilidade da urna eletrônica, se desloque até um dos locais de auditoria”, declarou. “O eleitor tem a oportunidade de participar do processo de votação e assegurar a democracia”, disse o magistrado, que também orientou os cidadãos a conferirem o número do candidato antes de votar para evitar enganos na digitação.
Histórico da auditoria nas Eleições 2026 e cronograma do TSE
O pleito de 2026 marca a primeira vez que o TSE conduz o Teste de Integridade dentro das instalações de sua própria sede em Brasília. A medida faz parte de uma sequência de verificações que inclui o Teste Público de Segurança, a atualização dos programas nas urnas e a validação dos sistemas de votação, etapa concluída no sábado (24) com a presença do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. A cronologia da auditoria no sistema eleitoral brasileiro e neste segundo turno reúne as seguintes datas:
- 1996 — Implantação da urna eletrônica no sistema de votação do Brasil.
- 2002 — Ano das eleições em que a Justiça Eleitoral iniciou a realização do Teste de Integridade.
- 4 de outubro de 2026 — Estreia do Teste de Integridade dentro da sede do TSE, no 1º turno, em parceria com o TRE-DF, concluído sem intercorrências.
- 24 de outubro de 2026, às 10h — Sorteio das 20 urnas eletrônicas do Distrito Federal na Câmara Legislativa do DF (CLDF).
- 24 de outubro de 2026, às 16h05 — Lacração das portas do Museu do Voto na sede do TSE com as duas urnas sorteadas para o local.
- 25 de outubro de 2026, às 7h — Abertura da sala lacrada do Museu do Voto e início da emissão da zerésima.
A votação oficial do segundo turno e a votação paralela do Teste de Integridade seguem em andamento até as 17h (horário de Brasília), quando os Boletins de Urna serão emitidos e confrontados com as cédulas de papel.
