3I/ATLAS passa perto de Marte em 3 de outubro e segue para fora do Sistema Solar

4 min de leitura
cometa interestelar 3I/ATLAS pelo Sistema Solar Foto: cometa interestelar 3I/ATLAS pelo Sistema Solar - NASA/JPL-Caltech

O cometa 3I/ATLAS cruza o Sistema Solar em uma trajetória hiperbólica, com velocidade superior a 30 km/s. Trata-se do terceiro objeto interestelar confirmado, identificado em 1º de julho de 2025 pelo sistema ATLAS, no Chile. Por ter origem fora da nossa estrela, ele guarda material formado em regiões distantes.

Cientistas usam telescópios como o James Webb para estudar a composição do corpo celeste. Segundo os astrônomos, o objeto não representa perigo para a Terra, já que sua menor distância do planeta será de 270 milhões de km. O periélio, ponto de maior proximidade com o Sol, ocorreu no fim de outubro de 2025, quando o cometa estava a cerca de 210 milhões de km da estrela.

3I/ATLAS dentro do Sistema Solar - NASA
Foto: 3I/ATLAS dentro do Sistema Solar – NASA

Entre os componentes identificados no objeto, o gelo de gás carbônico aparece em alta concentração. A composição é um dos pontos centrais do acompanhamento científico feito pelos pesquisadores.

A presença de vapor de água e de monóxido de carbono distingue o objeto dos cometas locais. Esse conjunto de gases marca a principal diferença em relação aos corpos do Sistema Solar.

A trajetória sugere que o objeto foi expelido de outro sistema estelar há bilhões de anos. Por isso, os pesquisadores tratam o cometa como um registro de outra vizinhança cósmica.

Descoberta no Chile e órbita que não gira em torno do Sol

O sistema ATLAS registrou o cometa durante observações de rotina no deserto do Atacama, no Chile. Os primeiros dados indicaram que a órbita não estava presa à gravidade do Sol.

Cálculos posteriores confirmaram que a velocidade de escape supera a do Sistema Solar. Equipes internacionais validaram a classificação como interestelar em poucos dias.

Gelo de gás carbônico predomina na superfície

A espectroscopia mostrou predomínio de CO₂ congelado na superfície. Segundo a análise, esse material se formou abaixo de -100°C nas regiões externas de outro sistema.

O vapor de água aparece em quantidade menor que nos cometas típicos do Sistema Solar. O monóxido de carbono completa o perfil de volatilidade observado.

Pela estimativa de brilho, o núcleo teria cerca de 1 quilômetro de diâmetro. A Nasa, porém, calcula entre 440 metros e 5,6 quilômetros. Conforme se aproxima do Sol, a atividade cresce e libera gases que formam a coma visível.

Observatórios na Terra e o James Webb seguem o cometa

Telescópios terrestres no Havaí e na Espanha acompanham as mudanças diárias. Já o James Webb faz imagens no infravermelho para mapear a distribuição dos materiais.

Os dados também alimentam modelos de evolução química em discos protoplanetários, regiões onde nascem planetas. O estudo reúne mais de 50 instituições em 20 países.

Cometa acelera e deixa o Sistema Solar após o periélio

Depois do periélio, o cometa se afasta com velocidade cada vez maior. A velocidade final deve passar de 40 km/s quando ele sair da influência da gravidade solar. Pelos dados da Nasa, o objeto chegou a cerca de 246 mil km/h no periélio.

A passagem perto de Marte ocorreu em 3 de outubro de 2025, a cerca de 29 milhões de km do planeta. Em 16 de março de 2026, o cometa passou a cerca de 53,6 milhões de km de Júpiter. Segundo a Nasa, as observações ópticas seguiriam até a primavera de 2026.

Diferenças em relação a 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov

Ao contrário do 1I/ʻOumuamua, que não mostrou atividade de cometa, o 3I/ATLAS tem cauda de gás. Em comparação com o 2I/Borisov, ele apresenta proporção maior de CO₂.

Essas variações indicam diversidade nos processos de formação de objetos interestelares. Cada um deles traz informações sobre as condições em sistemas distantes.

Instrumentos de alta resolução detectam emissões moleculares

Aparelhos de alta resolução registram emissões específicas de moléculas. Os espectros também confirmam a ausência de poeira fina, típica dos cometas do Sistema Solar.

A taxa de sublimação cresce 20% a cada milhão de quilômetros de aproximação do Sol. Os modelos previam brilho de magnitude 10 nas semanas seguintes ao periélio.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas