Uso do celular com a cabeça baixa pode afetar o pescoço mesmo sem causar dorPor Janderson Luiz
3 min de leitura
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O uso excessivo do celular está associado a mudanças na postura da cabeça e na mobilidade do pescoço, segundo um estudo publicado na revista BMC Musculoskeletal Disorders. O achado mais chamativo é que essas alterações apareceram sem relação direta com a intensidade da dor relatada pelas participantes.
A pesquisa foi divulgada em 28 de outubro de 2026 e avaliou jovens que passam muitas horas com o aparelho.
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Universitárias com uso intenso apresentaram cabeça mais inclinada
A pesquisa analisou 63 universitárias de 18 a 25 anos, que usavam o celular por cerca de seis horas diárias, em média. As jovens com mais sinais de dificuldade para controlar o uso do aparelho tinham maior inclinação da cabeça para a frente.
Elas também apresentavam mais dificuldade para movimentar o pescoço, como abaixar a cabeça, girá-la para a direita e incliná-la para o lado. Relataram ainda mais limitações nas tarefas do dia a dia.
Os resultados sugerem que a relação com o celular pode estar ligada não só à postura, mas também à mobilidade do pescoço e às dificuldades nas tarefas cotidianas. A pesquisa mostra uma associação e não comprova que o celular causa essas alterações, o que exige novos estudos.
Alterações apareceram mesmo sem relação com a intensidade da dor
Curiosamente, essa relação não foi observada com a intensidade da dor relatada. Os sinais de uso problemático estavam ligados à postura e aos movimentos do pescoço, mas não necessariamente a uma dor mais forte.
Pesquisas anteriores divergem sobre celular e dor no pescoço
Nem todos os estudos caminham na mesma direção. Um trabalho publicado em 2021 no Journal of Bodywork and Movement Therapies, com universitários de medicina de 18 a 30 anos, não encontrou correlação entre horas de celular, postura e dor cervical.
Já um estudo de 2024, publicado na Scientific Reports com 62 participantes de 18 a 35 anos, encontrou relação forte entre o tempo de uso, a resistência muscular do pescoço e a dor. Quem usava o celular por mais de quatro horas por dia relatou mais dor e menor resistência.
No Brasil, uma pesquisa publicada em 2022 na Brazilian Journal of Pain ligou a dependência do celular à dor na região cervical e a dificuldades nas atividades diárias entre jovens universitários.
Cuidados simples para usar o celular sem sobrecarregar o pescoço
O estudo não testou medidas de prevenção. Ainda assim, alguns cuidados costumam ser indicados para reduzir o desconforto de posturas mantidas por muito tempo:
- Eleve a tela: aproxime o celular da altura dos olhos, para evitar manter a cabeça inclinada por longos períodos.
- Faça pausas: interrompa o uso com regularidade e movimente o pescoço e os ombros com suavidade.
- Mude de posição: evite ficar muito tempo na mesma postura, mesmo quando ela parece confortável.
- Observe seus hábitos: se for difícil parar, perceba se o uso atrapalha o sono, as atividades e o descanso.
Se houver dor persistente, limitação dos movimentos ou sintomas que piorem, a orientação é procurar avaliação profissional.
Novos estudos devem esclarecer como o hábito afeta o pescoço
Os autores da pesquisa afirmam que ainda são necessários novos estudos para entender como esses hábitos contribuem para alterações na postura e nos movimentos do pescoço.














