Câncer de intestino já soma mais de 23 mil mortes por ano no BrasilPor Luís Pereira
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Mais de 23 mil mortes por ano são atribuídas ao câncer de intestino no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A doença está entre os tipos mais frequentes de neoplasia no país e os diagnósticos vêm crescendo. O aumento atinge não só pessoas mais velhas, mas também indivíduos mais jovens.
Quais sintomas merecem atenção no dia a dia
A doença costuma evoluir em silêncio nas fases iniciais, por isso o corpo precisa ser observado com cuidado. Cada sinal que aparece pode fazer diferença no tratamento, sobretudo quando é deixado de lado.
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Os sinais mais citados surgem em momentos comuns, como na hora de ir ao banheiro. Convém observar com atenção:
- Presença de sangue nas fezes
- Sangramento vindo do reto
- Episódios de diarreia persistente
- Constipação intestinal frequente
- Fezes com formato mais fino por vários dias
- Perda de peso inexplicável
- Cólicas ou dor abdominal contínua
- Anemia sem causa aparente
Em 2023, a cantora Preta Gil relatou uma prisão de ventre fora do comum e alterações na cor e na consistência das fezes. Esses sinais foram o ponto de partida para observar as mudanças no próprio corpo.
O diagnóstico revelou um tumor de seis centímetros e só veio após um sangramento intenso, que a levou a uma emergência hospitalar. O caso mostra o risco de adiar a procura por ajuda médica diante dos primeiros indícios.
Por que os casos crescem entre pessoas mais jovens
O câncer colorretal é a terceira forma mais comum da doença no mundo, com quase 2 milhões de novos diagnósticos a cada ano. No Brasil, a tendência global se repete, e a doença responde por 10% dos novos casos de câncer registrados no país.
A maioria dos pacientes ainda tem mais de 50 anos. Mesmo assim, estudos apontam crescimento no número de jovens atingidos, fato que chama a atenção dos pesquisadores da área médica.
A explicação considerada mais aceita é a piora nos hábitos de vida dessa faixa etária. Há, portanto, uma ligação direta entre o estilo de vida atual e o surgimento mais precoce da doença, o que indica a necessidade de rever rotinas em todas as idades.
Hábitos que ajudam a reduzir o risco
Especialistas apontam que a prevenção do câncer de intestino depende muito das escolhas do dia a dia. Algumas rotinas podem diminuir as chances de desenvolver a doença.
Os principais hábitos associados à redução do risco são estes:
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- Alimentação balanceada: prato com porções adequadas de arroz, feijão ou macarrão, carne magra do tamanho da palma da mão e muitos vegetais e legumes.
- Controle do peso: manter um Índice de Massa Corporal (IMC) saudável, já que a obesidade é um dos principais fatores de risco do câncer colorretal.
- Exercício físico constante: caminhadas diárias de 40 minutos a uma hora contribuem para a saúde intestinal e geral.
- Tabaco e álcool: as substâncias presentes nesses produtos podem induzir mutações celulares e favorecer o desenvolvimento do câncer.
- Hidratação: em climas quentes, como o brasileiro, a ingestão de até 3 litros de líquidos por dia é recomendada, variando conforme o peso e a atividade física.
- Evacuação regular: o ideal é não passar de 48 horas sem evacuar, para evitar o contato prolongado da mucosa intestinal com substâncias carcinogênicas presentes nas fezes.
Exame FIT no SUS e o diagnóstico precoce
Muitas pessoas percebem sintomas, mas demoram a procurar atendimento, conforme pesquisa do A.C. Camargo. Quase metade das pessoas que notaram sangue nas fezes não buscou ajuda médica, o que revela uma lacuna na conscientização sobre o diagnóstico rápido.
Para fortalecer a rede pública, o Ministério da Saúde definiu um novo protocolo nacional de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança busca encontrar mais casos ainda em estágio inicial, quando o tratamento costuma ser mais eficaz.
O Teste Imunoquímico Fecal (FIT) foi escolhido como exame de referência para pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos. Ele identifica pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores no intestino.
Em relação aos exames antigos de sangue oculto, a diferença está na tecnologia. O FIT usa anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que torna o resultado bem mais preciso.
Quando procurar um médico e quais exames podem ser pedidos
Além de um estilo de vida saudável e do uso dos métodos de rastreamento, os especialistas recomendam buscar atendimento médico logo ao notar qualquer sintoma preocupante. Essa atitude pode fazer diferença no resultado do tratamento.
Mesmo quando os sinais parecem isolados ou leves, a avaliação profissional é indispensável para um diagnóstico rápido. O médico pode pedir exames complementares, como a colonoscopia, se julgar necessário.
Adiar essa avaliação pode atrasar as intervenções e reduzir sua eficácia. Por isso, a orientação médica reforça a ideia de que “tempo é vida” na luta contra a doença.















