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A Galáxia de Andrômeda aparece em uma comparação que mostra, lado a lado, o registro bruto e o resultado tratado. A NASA destacou o par no Astronomy Picture of the Day em 27 de setembro de 2026. O painel expõe a poluição visual captada por sensores no solo antes do processamento digital e revela como a atividade humana e o ruído eletrônico alteram a observação do espaço profundo a partir da Terra.

As imagens são do astrofotógrafo Kees Scherer, feitas com dados de um observatório de jardim instalado em Portugal. Na nota explicativa do Astronomy Picture of the Day, editado pelo astrofísico Robert Nemiroff, da Michigan Technological University, e por Jerry Bonnell, do Goddard Space Flight Center da NASA, a equipe justificou a comparação. “A imagem destacada do ‘antes’ mostra como a principal galáxia vizinha da Via Láctea realmente aparece em uma longa exposição através dos céus movimentados da Terra e com uma câmera digital que introduz imperfeições normais”, afirmou a publicação, em tradução livre.

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Quatro tipos de ruído aparecem na foto sem tratamento

A versão bruta traz quatro classes de perturbações sobrepostas à luz da galáxia. Há faixas brilhantes deixadas por aviões comerciais que passam de forma contínua, além de trilhas retas feitas por satélites artificiais em órbita baixa. A tomada também reúne traços pontuais de raios cósmicos e de partículas subatômicas, e pontos fixos, os chamados pixels defeituosos, causados pelas limitações térmicas e eletrônicas do sensor.

Durante a exposição, partículas energéticas chocam-se com a atmosfera e geram cascatas de múons, partículas subatômicas capazes de atravessar o ar e atingir o sensor. Esse impacto produz marcas aleatórias e pequenos clarões brancos que não pertencem ao espaço profundo. Somados aos feixes de aviões e satélites que cruzam a linha de visada do telescópio, esses ruídos se acumulam sobre o quadro e escondem a luz tênue dos braços espirais.

Empilhamento de imagens dispensa retoque manual

O processo não usou manipulação manual no Adobe Photoshop, apesar do título coloquial da comparação. A limpeza foi feita com algoritmos estatísticos em programas de astrofotografia: Astro Pixel Processor, DeepSkyStacker e PixInsight. Essas ferramentas alinham as 223 imagens usando as estrelas como referência geométrica e calculam a dispersão dos dados para isolar a luz constante da galáxia.

A técnica principal é a rejeição estatística de valores discrepantes, conhecida como sigma clipping. O método analisa cada pixel correspondente em todas as exposições da série. Elementos que aparecem em apenas um ou dois quadros, como o rastro de uma fuselagem ou o reflexo do painel de um satélite, recebem peso quase nulo e saem da média final. Já os fótons que viajam continuamente desde a Galáxia de Andrômeda mantêm a intensidade em todas as fotos e formam a imagem nítida.

A equipe do Astronomy Picture of the Day explicou que as etapas serviram para reduzir artefatos terrestres sem ligação com o corpo celeste distante. O objetivo, segundo a equipe, foi reproduzir a aparência real da Galáxia de Andrômeda, também catalogada como M31, sem criar uma imagem fantasiosa.

Leia também: DAVINCI da NASA conclui ensaios térmicos a 465 °C para explorar atmosfera de Vênus

Captação iniciada em 2019 e números do painel

As exposições foram feitas por Kees Scherer a partir de 1 de janeiro de 2019, em território português. A composição foi selecionada pela NASA como Astronomy Picture of the Day em 14 de outubro de 2019, em uma apresentação inicial, e foi reeditada e destacada de novo em 27 de setembro de 2026. A galáxia fica a uma distância estimada de 2,5 milhões de anos-luz da Terra e é a estrutura galáctica de grande porte mais próxima da Via Láctea.

Os dados confirmados da captação e do processamento são estes:

  • Total de tomadas: 223 exposições individuais da mesma região do céu
  • Tempo de cada tomada: 300 segundos, ou 5 minutos de exposição contínua
  • Tempo total integrado: 18 horas e 35 minutos de luz coletada
  • Local de captação dos dados originais: Portugal

Satélites e aviões complicam a astrofotografia

A quantidade de trilhas registradas reflete a ocupação crescente da órbita baixa da Terra por frotas comerciais de satélites. Astrônomos profissionais e astrofotógrafos amadores têm reclamado com frequência, porque os reflexos solares desses equipamentos contaminam o campo de visão dos telescópios. O aumento da densidade orbital exige sessões de captura mais longas e mais volume de processamento para isolar a luz astronômica original.

Scherer afirmou que a observação atual precisa lidar com um céu congestionado por tráfego aéreo e dispositivos espaciais. Para separar o que vem do Universo dos sinais gerados na atmosfera ou nos próprios equipamentos, a astrofotografia depende de tempos totais de exposição cada vez maiores e de filtros matemáticos mais refinados.

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