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Cientistas identificaram que fragmentos de um meteorito de Marte encontrado no deserto do Saara possuem 4,1 bilhões de anos de idade. A análise geoquímica da rocha espacial confirmou registros diretos da crosta primitiva do planeta vermelho, revelando detalhes inéditos sobre a formação da superfície marciana logo após o surgimento do Sistema Solar.

O exemplar analisado pertence à rocha catalogada como Northwest Africa 7034, apelidada de “Black Beauty”, recolhida na porção africana do deserto e mantida sob custódia científica internacional. Diferente de outros meteoritos marcianos compostos majoritariamente por rochas ígneas homogêneas, a peça é uma brecha que reúne diferentes tipos de minerais cimentados por atividade vulcânica e impactos sucessivos.

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Fragmentos da crosta de Marte comprovam idade recorde

As datações laboratoriais concentraram-se em grãos microscópicos de zircão preservados dentro da matriz rochosa. O decaimento radioativo de elementos químicos presentes nesses minerais permitiu precisar a data de 4,1 bilhões de anos, marco temporal que remonta ao período em que Marte sofria intensos bombardeios de asteroides.

A estrutura preservada no Saara aponta elementos cruciais para a geologia planetária:

  • Idade confirmada em 4,1 bilhões de anos em porções da crosta primitiva marciana
  • Presença de minerais hidratados que atestam contato prolongado com água no início do planeta
  • Composição brechada formada pela fusão de diferentes fragmentos rochosos após colisões cósmicas
  • Amostra com peso original de aproximadamente 320 gramas recolhida no deserto africano

A dinâmica do meteorito envolveu uma sucessão de eventos violentos antes da chegada à Terra. Um grande impacto ocorrido na superfície de Marte ejetou a matéria rochosa para fora da atmosfera marciana, fazendo com que o bloco viajasse pelo espaço interplanetário até cruzar a trajetória gravitacional terrestre e precipitar no continente africano.

Análise química revela água na juventude do planeta

A verificação de assinaturas isotópicas de oxigênio e hidrogênio nas inclusões minerais reforçou a existência de sistemas hidrotermais na fase primordial do solo de Marte. Os dados apontam que a crosta não apenas resfriou rapidamente, mas também interagiu com fluidos aquosos em estágios nos quais a vida microscópica poderia, em tese, encontrar condições básicas de sustentação.

Pesquisadores mantêm novos ensaios laboratoriais para correlacionar o material com dados de sondas orbitais que mapeiam as crateras marcianas, buscando determinar com precisão a bacia de onde o fragmento se soltou.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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