Poluição por microplásticos atinge nível crítico em ostras após 60 dias no estuário de SantosPor Maria
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Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constataram que ostras submetidas a águas contaminadas acumulam concentrações alarmantes de resíduos sintéticos microscópicos ao longo de 60 dias no Sistema Estuarino de Santos. O experimento monitorou a bioacumulação em moluscos bivalves do gênero Crassostrea transferidos de áreas de cultivo limpas para os canais do porto paulista em 29 de outubro de 2026. A análise biológica confirmou que os animais absorvem fibras têxteis e fragmentos urbanos em níveis que superam a barreira de segurança natural da espécie.
Os cientistas Victor Vasques Ribeiro e Ítalo Braga Castro, responsáveis pela condução do estudo divulgado no periódico Marine Pollution Bulletin, retiraram amostras periódicas dos animais para medir a penetração exata dos materiais nos tecidos internos. A avaliação laboratorial detalhou que a taxa de contaminação interna atingiu patamares críticos após o primeiro mês e atingiu o ponto mais elevado no fim do ciclo de dois meses de filtragem contínua. Essa aceleração direta comprova a vulnerabilidade da fauna aquática frente aos efluentes despejados rotineiramente em áreas costeiras e portuárias com elevada densidade urbana.
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Falhas na depuração biológica e riscos para o consumo humano
Submetidas a um processo de depuração em água salgada purificada durante sete dias em laboratório, as ostras expeliram parte da carga residual por meio da respiração e da excreção biológica. A microscopia avançada, no entanto, identificou que fragmentos microscópicos permaneceram incrustados nas brânquias e no trato digestivo dos espécimes analisados.
- Adesão tecidual severa: os polímeros de dimensões diminutas aderem firmemente às mucosas branquiais e resistem à expulsão mecânica natural.
- Intervalo insuficiente: o prazo padrão de uma semana em tanques filtrados diminui a concentração química imediata, mas não desaloja os materiais incrustados em tecidos profundos.
- Resistência estrutural dos polímeros: filamentos têxteis e partículas rígidas não sofrem degradação enzimática e permanecem estáveis no interior dos órgãos do molusco.
O risco sanitário atinge diretamente a população quando moluscos extraídos de zonas degradadas chegam à mesa sem controle sanitário rigoroso, transferindo partículas plásticas nocivas para a alimentação humana.
Bioindicadores de poluição no litoral paulista
Historicamente, o Sistema Estuarino de Santos enfrenta décadas de sobrecarga ambiental decorrente do polo industrial de Cubatão, da atividade portuária e da ocupação desordenada de encostas e manguezais. Desde os primeiros programas de monitoramento aquático implementados no estado de São Paulo na década de 1980, a comunidade acadêmica busca metodologias para quantificar os danos crônicos causados aos ecossistemas de mangue da Baixada Santista.
A investigação acadêmica descartou categoricamente a viabilidade de utilizar bivalves como ferramentas ativas de despoluição hídrica em canais degradados. O acúmulo contínuo de materiais plásticos sobrecarrega as funções vitais dos moluscos e desencadeia estresse fisiológico agudo que inviabiliza a sobrevivência prolongada das colônias em pontos críticos.
O valor prático do trabalho consolida as ostras como sentinelas biológicas de alta precisão para orientar fiscalizações e embasar planos de gestão ambiental costeira. Em vez de recorrer a coletas químicas pontuais de água com custos operacionais elevados, órgãos fiscalizadores contam agora com o histórico biológico acumulado nos tecidos animais para rastrear e combater o lançamento ilegal de efluentes no litoral.















