Mexilhão-dourado avança na Amazônia mais rápido que o previstoPor Carolina Costa
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O mexilhão-dourado se espalha pela Amazônia brasileira em ritmo superior ao projetado por modelos científicos e já forma colônias densas no rio Tocantins. Estudos publicados em 2026 confirmam a espécie em todos os municípios banhados pelo Tocantins, além do rio Pará e da ilha de Marajó, no Pará. Para os pesquisadores, a velocidade chama a atenção porque as projeções anteriores indicavam que a invasão não começaria antes da década de 2030.
O primeiro registro documentado na Amazônia foi feito em outubro de 2023, no rio Tocantins. Pouco mais de dois anos depois, o molusco ocupa uma área maior do que a prevista, enquanto as estimativas falavam em consolidação apenas na década de 2050. Entre 5 e 29 de dezembro de 2025, pesquisadores mapearam a presença da espécie em 62 pontos.
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Pedral do Lourenço registra média de 11.940 mexilhões por metro quadrado
No Pedral do Lourenço, formação rochosa entre Marabá e Tucuruí, no Pará, a densidade média medida em outubro de 2024 chegou a 11.940 mexilhões por metro quadrado. O maior valor registrado no mesmo local foi de 15.849 indivíduos por metro quadrado. Em 2023, a mesma área tinha 88 exemplares por metro quadrado.

Os exemplares medidos tinham entre 1,92 e 22,10 milímetros, com média de 12,22 milímetros. A variação de tamanho indica que a espécie completou ao menos um ciclo reprodutivo na região.
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Estudo publicado na Actapesca aponta limites no norte e no oeste da área
A pesquisa “Invasão dourada: atualização dos registros do mexilhão-dourado na região amazônica”, publicada na revista Actapesca, indica limites ao norte nos municípios de Muaná e Barcarena e a oeste em Curralinho e Oeiras do Pará. Nenhum exemplar foi encontrado em Belém. As colônias apareceram sobre rochas, raízes, troncos e estruturas artificiais.
Setor elétrico gasta US$ 9,97 milhões por ano para conter o molusco
O molusco Limnoperna fortunei, originário da Ásia, chegou à América do Sul em 1991, no estuário do rio da Prata, na Argentina, trazido por água de lastro. No Brasil, o primeiro registro ocorreu no fim da década de 1990, na bacia do lago Guaíba, no Rio Grande do Sul. A espécie forma bioincrustações que obstruem tubulações, filtros e sistemas de resfriamento de usinas hidrelétricas. O setor elétrico gasta US$ 9,97 milhões por ano com prevenção e controle, e o avanço também atinge abastecimento de água, aquicultura, pesca e navegação.
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Gastrópode nativo divide colônias e concorre por alimento com espécies locais
Pesquisadores observaram o gastrópode Vitta zebra vivendo nas colônias do invasor na Amazônia. O mexilhão-dourado filtra grandes volumes de água, reduz o plâncton e disputa espaço e alimento com espécies nativas. A erradicação completa é considerada improvável com as técnicas disponíveis, como raspagem, filtração, ultrassom e compostos químicos.
Desinfecção de barcos e laudos sanitários para peixes jovens são recomendados
Estudiosos recomendam a desinfecção de embarcações e equipamentos de pesca antes de uso em outros corpos d’água. Também sugerem laudos sanitários para cargas de peixes jovens na piscicultura. Novos registros surgiram no rio São Francisco, em Minas Gerais, com 113 exemplares coletados pela Unimontes em São Francisco e São Romão, a cerca de mil quilômetros do ponto anterior. A expansão é acompanhada por instituições como o Cepnor/ICMBio e a Ufra.















