Boulos lidera com vantagem de 8 pontos na disputa pela Prefeitura de São Paulo, aponta pesquisaPor Carolina Costa
6 min de leitura
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O cenário político para a eleição da Prefeitura de São Paulo em 2024 continua movimentado, com uma nova pesquisa do instituto AtlasIntel mostrando uma liderança consolidada do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). Com 28,3% das intenções de voto, Boulos se destaca à frente dos principais concorrentes, o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o empresário Pablo Marçal (PRTB), que aparecem empatados com 20,9% cada um. Essa diferença de mais de sete pontos reflete o crescimento de Boulos, que vem ampliando sua vantagem conforme a campanha eleitoral avança.
Resultados da pesquisa
Segundo os dados coletados entre os dias 17 e 22 de setembro, a disputa pelo segundo lugar é acirrada, com Nunes e Marçal tecnicamente empatados. Em comparação com levantamentos anteriores, Nunes apresentou um crescimento tímido, subindo de 20,1% para 20,9%, enquanto Marçal, que chegou a alcançar 24,4%, perdeu terreno, caindo para o mesmo percentual do atual prefeito. Essa variação nas intenções de voto reflete as estratégias e debates que marcaram as últimas semanas de campanha, onde ambos os candidatos intensificaram seus esforços para alcançar o primeiro lugar.
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Tabata Amaral (PSB), que ocupa o quarto lugar na disputa, mantém 10,8% das intenções de voto, seguida por José Luiz Datena (PSDB), com 6,9%. Datena, que teve uma leve queda em comparação ao levantamento anterior, enfrenta desafios em consolidar sua candidatura, embora ainda conte com significativa popularidade entre os eleitores paulistanos.
Outros candidatos, como Maria Helena (Novo), com 3,8%, e Altino Prazeres Jr. (PSTU), João Pimenta (PCO) e Ricardo Sinese (UP), que registram 0,1% cada, continuam desempenhando papéis secundários na corrida eleitoral.
Segmentação por perfil de eleitores
A pesquisa também revela diferenças nas preferências eleitorais de acordo com o perfil dos eleitores. Guilherme Boulos, por exemplo, possui uma vantagem expressiva entre o público feminino, com 32,3% das intenções de voto, enquanto Marçal lidera entre o público masculino com 27%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Tabata Amaral é a preferida, acumulando 35,7% das intenções de voto, o que reflete sua popularidade entre a juventude progressista.
No que diz respeito à faixa etária, Boulos se destaca entre os eleitores de 25 a 34 anos, com 29,8%, e também entre os eleitores de 45 a 59 anos, onde detém 29,1%. No entanto, Nunes encontra maior apoio entre os eleitores com mais de 60 anos, com 31,3%, principalmente por sua base consolidada entre os mais conservadores.
As preferências por religião também são um fator relevante na disputa. Nunes lidera entre os católicos, com 31,6% das intenções de voto, enquanto Marçal se destaca entre os evangélicos, conquistando 35,9% desse público. Já Boulos lidera entre os eleitores que se identificam com outras religiões ou que são agnósticos ou ateus, um reflexo de sua postura mais laica e progressista.
Cenários de segundo turno
A pesquisa AtlasIntel simulou diversos cenários para o segundo turno, levando em consideração os quatro candidatos mais bem posicionados. Nos confrontos simulados, Boulos aparece como favorito em dois dos cenários possíveis. Ele venceria tanto Ricardo Nunes (com 41,7% contra 39,5%) quanto Pablo Marçal (com 44,4% contra 38,5%). Entretanto, em um cenário de segundo turno contra Tabata Amaral, a disputa seria mais apertada, com Amaral aparecendo à frente, com 33,2% contra 31,5% de Boulos.
Em contrapartida, Ricardo Nunes, apesar de sua força no primeiro turno, encontra dificuldades nas simulações de segundo turno. Ele venceria apenas Marçal, com uma margem expressiva de 47,5% contra 28%, mas perderia tanto para Tabata (46,8% contra 35,2%) quanto para Boulos, demonstrando as limitações de seu apoio em um cenário mais restrito.
A metodologia da pesquisa
A AtlasIntel utilizou a metodologia conhecida como Random Digital Recruitment (RDR) para conduzir essa pesquisa, um modelo que recruta organicamente os entrevistados durante sua navegação na web. Essa abordagem permite alcançar um grande número de eleitores em dispositivos variados, como smartphones, laptops e PCs. Embora o modelo apresente vantagens em termos de custo e acessibilidade, há controvérsias quanto ao risco de viés de seleção, uma vez que a participação é voluntária e baseada no uso da internet. Apesar disso, o instituto defende que essa metodologia garante respostas mais espontâneas, já que evita o impacto psicológico das interações face a face, comuns em pesquisas presenciais.
A disputa acirrada entre Nunes e Marçal
O atual empate técnico entre Ricardo Nunes e Pablo Marçal é um dos pontos mais destacados dessa pesquisa. Nunes, que assumiu a prefeitura após a morte de Bruno Covas, tem uma base consolidada entre os eleitores mais conservadores e os mais idosos, mas enfrenta dificuldades para expandir seu apoio entre os mais jovens e progressistas, que tendem a preferir Boulos ou Tabata Amaral.
Marçal, por outro lado, que ganhou notoriedade como influenciador digital e empresário, representa uma alternativa outsider para o eleitorado, com uma retórica mais voltada ao público evangélico e conservador. Sua queda nas últimas semanas, no entanto, demonstra a volatilidade de sua base de apoio, que pode estar migrando para outras candidaturas, especialmente com o aumento da polarização entre Boulos e Nunes.
O futuro da campanha
Com a proximidade das eleições, os candidatos intensificarão suas estratégias para conquistar os eleitores indecisos, que ainda somam 5,8% dos entrevistados, e também para evitar o aumento das intenções de voto nulo ou em branco, que somam 2,2%. Boulos, que já consolidou uma posição de liderança, deverá focar em manter sua base mobilizada e ampliar seu alcance entre os eleitores mais moderados, enquanto Nunes e Marçal precisarão definir estratégias claras para diferenciar suas candidaturas, evitando a dispersão de votos.
A disputa pela Prefeitura de São Paulo, uma das mais importantes do país, continua a ser um retrato das tensões políticas nacionais, com figuras de destaque que representam diferentes segmentos do espectro político brasileiro. A capacidade dos candidatos em se adaptarem às mudanças de cenário e em responderem às expectativas do eleitorado será crucial para definir os rumos da campanha nas próximas semanas.















