Onda de calor extrema no Brasil: sensação térmica pode atingir 70°C nos próximos diasPor Carolina Costa
6 min de leitura
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Uma intensa onda de calor deve atingir o Brasil nos próximos dias, elevando as temperaturas e aumentando drasticamente a sensação térmica em diversas regiões do país. Com base na tabela de Climatologia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP), algumas localidades poderão enfrentar uma sensação térmica extrema, podendo chegar a até 70°C. Esse fenômeno é resultado de uma combinação entre altas temperaturas, umidade elevada e outros fatores climáticos que influenciam diretamente na percepção do calor pelo corpo humano. Especialistas alertam para os impactos severos dessa condição, incluindo riscos à saúde da população, sobrecarga no sistema elétrico e agravamento de problemas ambientais. Cidades como Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as mais afetadas por essa nova onda de calor, que já é considerada uma das mais intensas da história recente do país.
A sensação térmica extrema poderá ser sentida em diferentes regiões, com impactos mais severos em áreas de grande concentração urbana e baixa circulação de ventos. A umidade elevada agrava a percepção de calor, dificultando a transpiração e aumentando o desconforto térmico.
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A previsão de sensações térmicas tão elevadas preocupa especialistas, que destacam a necessidade de medidas emergenciais para minimizar os efeitos da onda de calor sobre a população, principalmente entre grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
O que é sensação térmica e como ela é calculada
A sensação térmica, também chamada de temperatura aparente, é a forma como o corpo humano percebe a temperatura ambiente. Esse cálculo considera fatores como umidade relativa do ar, velocidade do vento e radiação solar. Em condições de alta umidade, a transpiração se torna menos eficiente, dificultando a regulação térmica do corpo e aumentando a percepção de calor.
No Brasil, a metodologia da Climatologia Aplicada da USP é amplamente utilizada para estimar a sensação térmica. Essa tabela considera a combinação entre temperatura do ar e umidade relativa, proporcionando uma projeção mais precisa sobre como o calor será percebido pelos indivíduos. Quando a umidade está elevada, a sensação térmica pode ser até 15°C maior do que a temperatura real registrada pelos termômetros.
Regiões mais afetadas pela onda de calor
- São Paulo: Máximas entre 34°C e 35°C, com sensação térmica podendo ultrapassar 50°C.
- Rio de Janeiro: Temperaturas próximas de 39°C, com umidade alta elevando a sensação térmica para 66°C.
- Porto Alegre: Com máximas de 39°C e umidade relativa do ar próxima de 95%, a sensação térmica pode chegar a 70°C.
- Centro-Oeste: Estados como Mato Grosso e Goiás podem registrar temperaturas superiores a 40°C, com sensação térmica acima dos 50°C.
- Nordeste: Capitais como Salvador e Fortaleza devem enfrentar temperaturas elevadas combinadas com alta umidade, ampliando o desconforto térmico.
Impactos da onda de calor na saúde pública
A exposição prolongada a temperaturas extremas pode ter graves consequências para a saúde, especialmente entre grupos mais vulneráveis. Entre os principais riscos associados a essa onda de calor estão:
- Desidratação: O aumento da transpiração leva à perda de líquidos e sais minerais, podendo causar tonturas, fraqueza e fadiga extrema.
- Golpe de calor: Quando o corpo não consegue dissipar o calor, a temperatura interna pode subir rapidamente, causando confusão mental, desmaios e, em casos mais graves, risco de morte.
- Exacerbação de doenças cardiovasculares: O calor extremo sobrecarrega o sistema circulatório, aumentando a pressão arterial e o risco de infartos e AVCs.
- Problemas respiratórios: O calor intenso pode agravar quadros de asma, bronquite e outras doenças respiratórias, principalmente em áreas com altos níveis de poluição.
Recomendações para enfrentar a onda de calor
- Hidrate-se constantemente, bebendo pelo menos dois litros de água por dia.
- Evite exposição ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação solar é mais intensa.
- Use roupas leves e de cores claras, preferindo tecidos que permitam a ventilação do corpo.
- Aplique protetor solar para evitar queimaduras e danos causados pela radiação ultravioleta.
- Evite atividades físicas intensas ao ar livre durante os períodos de maior calor.
- Mantenha ambientes arejados, utilizando ventiladores ou ar-condicionado para reduzir a sensação térmica dentro de casa.
Onda de calor e seus impactos na economia
Além dos danos à saúde, a previsão de sensação térmica extrema deve impactar diretamente a economia. Com temperaturas elevadas, o consumo de energia elétrica tende a crescer exponencialmente devido ao uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, aumentando os riscos de sobrecarga no sistema elétrico. Além disso, setores como a agricultura podem ser prejudicados, com perdas significativas em lavouras sensíveis ao calor extremo.
O setor de turismo também pode ser impactado, uma vez que destinos ao ar livre podem se tornar menos atrativos devido ao desconforto térmico. Por outro lado, mercados de bebidas, climatização e produtos de proteção solar tendem a registrar aumento nas vendas durante períodos de calor intenso.
Histórico de ondas de calor no Brasil
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado recordes sucessivos de calor, evidenciando um padrão de aquecimento global.
- 2024: O ano mais quente já registrado no Brasil, com temperaturas atingindo 40°C em diversas regiões por vários meses consecutivos.
- 2023: Sensação térmica de 58°C no Rio de Janeiro durante uma forte onda de calor em novembro.
- 2022: Recorde de temperatura em Cuiabá, com 44,7°C registrados em setembro.
- 2020: São Paulo registra o mês mais quente em mais de 70 anos, com média de 36°C em outubro.
Mudanças climáticas e ondas de calor mais frequentes
O aumento na frequência e intensidade das ondas de calor está diretamente ligado às mudanças climáticas globais. O aquecimento da atmosfera, impulsionado pela emissão de gases de efeito estufa, tem alterado os padrões climáticos e intensificado eventos extremos.
Medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas incluem a redução do desmatamento, investimentos em fontes de energia renováveis e adoção de políticas de adaptação urbana para tornar as cidades mais resilientes ao calor extremo.
Como se proteger das altas temperaturas
- Beba líquidos regularmente, mesmo sem sentir sede.
- Evite refeições pesadas, optando por alimentos leves e de fácil digestão.
- Resfrie o corpo, tomando banhos frios ou utilizando panos úmidos para reduzir a temperatura corporal.
- Cuidado com crianças e idosos, que são mais vulneráveis ao calor extremo.
- Evite sair de casa nos horários mais quentes e busque locais climatizados quando necessário.
A previsão de sensações térmicas de até 70°C nos próximos dias evidencia a necessidade de medidas preventivas para proteger a população e minimizar os impactos desse evento climático extremo. Além de cuidados individuais, ações governamentais e políticas de adaptação ao aquecimento global são essenciais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.















