Comitê dos EUA aprova lei contra Moraes e Casa Branca emite alerta ao Brasil

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Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes - Foto: Focus Pix / Shutterstock.com

Na manhã de 26 de fevereiro de 2025, o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos tomou uma decisão que pode estremecer ainda mais os laços diplomáticos entre Brasil e EUA, aprovando o projeto “No Censors on our Shores Act” por ampla maioria. A legislação, impulsionada por republicanos alinhados ao recém-empossado presidente Donald Trump, tem como alvo principal o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, acusado por parlamentares americanos de violar a liberdade de expressão ao ordenar bloqueios de plataformas digitais como o X, de Elon Musk, em 2024. Com sanções previstas como deportação e proibição de entrada em território americano, a medida reflete uma resposta direta às ações judiciais brasileiras que afetaram empresas de tecnologia dos EUA. Horas após a votação, o Departamento de Estado americano publicou um comunicado nas redes sociais, destacando que “respeito à soberania é uma via de duas mãos”, em um recado claro ao Brasil. No cenário interno, a aprovação agitou o meio político, com aliados de Jair Bolsonaro celebrando o movimento, enquanto o governo Lula busca evitar uma crise aberta com a administração Trump.

A notícia da votação rapidamente reverberou em Brasília, onde autoridades acompanham os próximos passos do projeto, que ainda precisa ser analisado pelo plenário da Câmara e pelo Senado americano.

No centro da controvérsia, Moraes segue como figura polarizadora, com suas decisões contra desinformação e tentativas de golpe sendo elogiadas por uns e criticadas por outros, agora em escala internacional.

Escalada de Tensões entre Washington e Brasília

O projeto de lei, protocolado em setembro de 2024 pelos deputados María Elvira Salazar e Darrell Issa, ganhou força após a eleição de Trump em novembro do mesmo ano. A aprovação no comitê, liderado pelo republicano Jim Jordan, marca um avanço significativo na agenda conservadora americana, que vê nas ações de Moraes uma ameaça aos valores da Primeira Emenda.

Dias antes da votação, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, esteve em Washington, articulando apoio entre parlamentares trumpistas, como parte de uma estratégia que visa pressionar o STF e fortalecer a oposição ao governo Lula.

Pouco após o anúncio, Elon Musk, dono do X, publicou um comentário enigmático nas redes sociais, apenas “Interessante”, sugerindo seu envolvimento indireto no caso.

Contexto Político e Diplomático em Jogo

A origem da disputa remonta a agosto de 2024, quando Moraes determinou a suspensão do X no Brasil por descumprimento de exigências legais, como a nomeação de um representante no país. A plataforma voltou a operar semanas depois, mas o episódio deixou marcas profundas, alimentando críticas de bolsonaristas e atraindo a atenção de conservadores americanos. Com a posse de Trump em janeiro de 2025, a ofensiva contra o ministro ganhou novo impulso, culminando na aprovação do projeto no comitê. No Brasil, o governo tenta manter a calma, mas encara a possibilidade de sanções contra um integrante do STF como um desafio à sua soberania. Enquanto isso, a Rumble, plataforma alternativa que retomou operações no Brasil em fevereiro de 2025, também enfrenta exigências judiciais, ampliando o escopo do conflito.

Raízes do Embate com Moraes

Em 2024, as ações de Moraes contra a desinformação nas redes sociais já vinham gerando atritos com empresas americanas. Perfis de influenciadores como Allan dos Santos foram bloqueados, e plataformas como X e Rumble resistiram às ordens judiciais brasileiras.

A eleição de Trump intensificou a pressão, com o novo governo americano priorizando a defesa da liberdade de expressão como bandeira política, o que colocou Moraes diretamente na mira dos republicanos.

Detalhes do Projeto “No Censors on our Shores Act”

Introduzido em resposta aos bloqueios digitais no Brasil, o projeto prevê medidas duras contra autoridades estrangeiras que restrinjam o acesso de cidadãos americanos a conteúdos online. A votação no Comitê Judiciário, dominado pelos republicanos, foi conduzida por Jim Jordan, conhecido por sua proximidade com Trump.

A legislação ainda depende de aprovação no plenário da Câmara e no Senado, mas já sinaliza a disposição dos EUA em retaliar ações judiciais brasileiras que afetem suas empresas de tecnologia.

Histórico de Ações Judiciais no Brasil

Desde 2023, o STF, sob influência de Moraes, intensificou investigações contra redes de desinformação ligadas a tentativas de golpe após os atos de 8 de janeiro. Essas operações resultaram em mais de 30 denúncias, incluindo a de Jair Bolsonaro, apresentada em fevereiro de 2025.

A suspensão do X em 2024 foi um marco, com multas diárias de R$ 50 mil aplicadas à plataforma até que cedesse às exigências legais, reacendendo o debate sobre soberania digital.

Marcos da Crise Internacional

  • Suspensão do X no Brasil em agosto de 2024, por ordem de Moraes.
  • Protocolo do “No Censors on our Shores Act” em setembro de 2024.
  • Retorno da Rumble ao Brasil em fevereiro de 2025, sob novas exigências judiciais.
  • Aprovação do projeto no Comitê Judiciário em 26 de fevereiro de 2025.

Alvos e Implicações da Lei Americana

A legislação mira explicitamente autoridades como Moraes, mas pode atingir até 650 indivíduos, segundo padrões similares à Lei Magnitsky, usada desde 2012 para punir violações de direitos humanos. No caso atual, o foco é a liberdade de expressão.

No Brasil, a medida é vista como uma tentativa de interferência na soberania nacional, enquanto nos EUA reforça a narrativa republicana de combate à censura global.

Resposta Diplomática dos EUA

O comunicado do Departamento de Estado, divulgado horas após a votação, enfatizou que bloquear informações e multar empresas americanas por não censurar conteúdos nos EUA é incompatível com valores democráticos compartilhados entre os dois países.

A mensagem foi interpretada como um alerta ao STF e ao governo brasileiro, que agora enfrentam o desafio de responder sem escalar ainda mais as tensões com a administração Trump.

Articulações Políticas entre Bolsonaristas e Trumpistas

Eduardo Bolsonaro desempenhou papel central na ponte entre a oposição brasileira e os republicanos. Suas três viagens aos EUA desde janeiro de 2025 incluíram encontros com figuras como María Elvira Salazar, Darrell Issa e o senador Rick Scott.

Esses contatos visam não apenas pressionar Moraes, mas também fortalecer a campanha bolsonarista para as eleições de 2026, aproveitando o apoio da base trumpista.

Repercussão no STF e no Governo Brasileiro

Ministros do STF acompanham os desdobramentos, mas mantêm que a ofensiva americana não interfere nas investigações em curso, como a denúncia contra Bolsonaro por tentativa de golpe, protocolada em fevereiro de 2025.

No Palácio do Planalto, a preocupação cresce com a possibilidade de uma crise diplomática, embora o governo evite comentários públicos que possam inflamar o conflito com os EUA.

Curiosidades do Confronto

Elon Musk, figura central na disputa, limitou-se a um comentário nas redes sociais após a votação, enquanto aliados de Trump comparam Moraes ao Tribunal Penal Internacional, alvo de sanções americanas no passado.

O nome do projeto, “No Censors on our Shores Act”, reflete um trocadilho com a ideia de proteger as “costas” americanas de influências censoras externas, ecoando a retórica nacionalista de Trump.

A Rumble, ao voltar ao Brasil, trouxe de volta perfis como o de Allan dos Santos, reacendendo debates sobre os limites da liberdade de expressão no país.

Dados e Estatísticas da Disputa

A suspensão do X em 2024 impactou milhões de usuários brasileiros, enquanto a Rumble, ao retornar, enfrenta multas que podem chegar a R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento de ordens judiciais.

Nos EUA, a Lei Magnitsky, referência para o atual projeto, já sancionou 650 pessoas desde sua criação, sugerindo o potencial alcance da nova legislação.

A aprovação no Comitê Judiciário teve apoio de cerca de 70% dos membros presentes, consolidando a força republicana na Câmara.

Linha do Tempo Detalhada

Em agosto de 2024, o X foi suspenso no Brasil, retornando após negociações em setembro. No mesmo mês, Salazar e Issa protocolaram o projeto de lei. Em janeiro de 2025, Trump assumiu a presidência, e Eduardo Bolsonaro intensificou visitas aos EUA.

Fevereiro de 2025 marcou o retorno da Rumble ao Brasil e, no dia 26, a votação no comitê, com debates que duraram horas antes da decisão final.

Reações Imediatas à Votação

Horas após a aprovação, o Departamento de Estado reforçou sua posição, enquanto parlamentares brasileiros como Eduardo Bolsonaro usaram as redes sociais para celebrar o avanço da lei americana.

No Brasil, o silêncio oficial do governo contrasta com a movimentação de aliados de Bolsonaro, que veem na medida uma vitória política contra o STF.

Impactos Potenciais nas Relações Bilaterais

A aprovação da lei pode complicar acordos migratórios e comerciais entre Brasil e EUA, especialmente após tensões semelhantes em 2017, quando políticas de deportação já haviam gerado atritos.

A pressão sobre Moraes também reacende debates sobre a soberania digital, com o Brasil defendendo sua legislação e os EUA priorizando a proteção de suas empresas.

Expansão do Debate no Congresso Americano

A sessão do Comitê Judiciário foi marcada por discursos inflamados, com Jim Jordan acusando Moraes de “censura autoritária”. Democratas, em minoria, questionaram a legalidade de sancionar um juiz estrangeiro.

O próximo passo, a votação no plenário, deve ocorrer nos próximos meses, com os republicanos confiantes em sua maioria na Câmara.

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