Quase seis em cada dez microempreendedores individuais (MEIs) do país estão prontos para impulsionar seus negócios neste ano, revela um levantamento recente realizado pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O estudo aponta que 57,3% dos MEIs planejam investir em suas empresas, com foco principal na aquisição de máquinas, equipamentos e melhorias em instalações físicas. A pesquisa, que entrevistou microempreendedores de todas as regiões brasileiras, reflete um cenário de otimismo entre esses profissionais, que enxergam no investimento uma forma de ampliar produção, alcançar novos clientes e gerar mais renda. No Brasil, onde cerca de 11 milhões de MEIs ativos movimentam a economia, esse dado sinaliza um momento de confiança no empreendedorismo.
O interesse em fortalecer os negócios varia conforme o setor de atuação. Na indústria, quase 60% dos entrevistados priorizam a compra de máquinas e a modernização de espaços físicos, enquanto no comércio, 38% pretendem reforçar o capital de giro e investir em equipamentos. Já no setor de serviços, 46% dos MEIs planejam destinar recursos para marketing e divulgação, além de melhorias estruturais. Esse movimento demonstra a diversidade de estratégias adotadas por esses empreendedores para se adaptar às demandas do mercado e conquistar espaço em um cenário econômico que vem se recuperando gradualmente.
Regiões como Norte e Centro-Oeste lideram o otimismo, com 67,6% dos MEIs planejando novos investimentos, seguidas pelo Nordeste, com 67%. No Sudeste, 44,7% dos microempreendedores focam em estratégias de marketing, enquanto no Sul, 38,5% também veem a divulgação como essencial para o crescimento. Esses números mostram como as prioridades mudam de acordo com as realidades locais, mas reforçam a disposição geral de expandir operações e melhorar a competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico.
Otimismo reflete retomada econômica
Dados do levantamento indicam que o entusiasmo dos MEIs está alinhado a uma percepção positiva sobre a economia brasileira. Cerca de 50% dos entrevistados acreditam que o cenário econômico será mais favorável neste ano em comparação com 2024, enquanto apenas 13,8% demonstram pessimismo. Esse otimismo é especialmente forte nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde 56,9% dos MEIs esperam bons resultados para seus negócios, seguidos por Nordeste (53,3%), Sudeste (48,5%) e Sul (47,9%). Para especialistas, essa confiança está ligada à redução do desemprego e ao aumento do consumo, fatores que beneficiam diretamente os pequenos negócios.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, destacou que os pequenos negócios foram responsáveis por gerar mais de 70% dos empregos em 2024, com a abertura de 4 milhões de novos empreendimentos. Ele enfatiza que o investimento planejado pelos MEIs reflete a retomada do crescimento econômico e a eficácia de políticas públicas, como a transferência de renda, que têm impulsionado o poder de compra dos brasileiros. Com isso, os microempreendedores veem no investimento uma oportunidade segura para ampliar suas operações e contribuir ainda mais para o desenvolvimento do país.
Setores em destaque na expansão dos MEIs
A pesquisa detalha como os planos de investimento variam entre os setores econômicos. No segmento industrial, a modernização é a palavra-chave, com 60% dos MEIs buscando máquinas e equipamentos para aumentar a capacidade produtiva. Esse foco reflete a necessidade de atender a uma demanda crescente por produtos manufaturados, especialmente em regiões onde a indústria tem peso significativo na economia local. Já no comércio, o reforço do capital de giro aparece como uma estratégia essencial para 38% dos entrevistados, que também planejam adquirir equipamentos para otimizar vendas.
No setor de serviços, que inclui atividades como terapias, salões de beleza e consultorias, quase 50% dos MEIs pretendem investir em infraestrutura física, enquanto 46% apostam em marketing para atrair novos clientes. Um exemplo é a microempreendedora Dilvane Fátima da Silva, de Chapecó (SC), que atua com terapias e planeja comprar câmera, microfone sem fio e refletores para melhorar o atendimento online. Esses investimentos mostram como os MEIs estão se adaptando às tendências digitais, buscando oferecer serviços mais profissionais e acessíveis.
Exemplos que inspiram o crescimento
Histórias de empreendedores como Joyce Gama, de São Luís (MA), ilustram o impacto desses investimentos. Aos 39 anos, ela mantém uma loja online de calçados femininos há quase uma década e agora planeja abrir um atacado em um ponto de grande circulação na capital maranhense. Com um plano de negócios já elaborado, Joyce exige que cada cliente leve ao menos dez pares de calçados por compra, mirando o aumento da escala de vendas. Além disso, ela trabalha com quatro fábricas – uma em São Paulo e três em Pernambuco – e sonha em exportar seus produtos para a Colômbia, começando com kits de sandálias e bolsas de palha.
Outro caso é o de Dilvane Fátima da Silva, que, aos 42 anos, transformou sua experiência como técnica de enfermagem em um negócio de terapias em Chapecó, a 556 km de Florianópolis. Com o crescimento da demanda por atendimentos online, ela decidiu investir em equipamentos para melhorar a qualidade das sessões virtuais. Esses exemplos destacam como os MEIs estão diversificando suas atuações e usando os recursos disponíveis para alcançar novos mercados, tanto locais quanto internacionais.
Variações regionais na aposta dos MEIs
As diferenças regionais reveladas pela pesquisa mostram como os MEIs adaptam suas estratégias às particularidades de cada área do país. No Norte e Centro-Oeste, onde 67,6% dos microempreendedores planejam investir, o foco está em máquinas e instalações físicas, refletindo a necessidade de infraestrutura em regiões com economias em expansão. No Nordeste, com 67% de intenção de investimento, a prioridade também está na estruturação dos negócios, mas há um esforço crescente em diversificar produtos e serviços.
No Sudeste, que concentra grande parte dos 11 milhões de MEIs ativos, 44,7% dos entrevistados planejam investir em marketing e divulgação, buscando se destacar em um mercado altamente competitivo. Já no Sul, 38,5% dos MEIs apostam em estratégias semelhantes, priorizando a visibilidade para conquistar consumidores locais. Essas variações indicam que, apesar do otimismo geral, os microempreendedores ajustam suas ações às demandas e desafios de suas regiões.
- Máquinas e equipamentos: 60% dos MEIs da indústria priorizam esses itens.
- Marketing e divulgação: 46% dos MEIs de serviços e 44,7% do Sudeste investem nessa área.
- Capital de giro: 38% dos MEIs do comércio buscam reforçar esse aspecto.
Impacto dos MEIs na economia nacional
Com 11 milhões de registros ativos, sendo 90% em operação, os MEIs representam a categoria mais popular de formalização de pequenos negócios no Brasil. Em 2024, eles foram responsáveis pela abertura de mais de 4 milhões de empreendimentos, consolidando seu papel como motor da economia. Esse desempenho é ainda mais impressionante quando se considera que os pequenos negócios respondem por 27% do PIB brasileiro e empregam 52% da mão de obra formal, segundo dados históricos analisados pelo Sebrae e pela FGV.
A formalização como MEI trouxe benefícios diretos, como a possibilidade de emitir notas fiscais e acessar direitos previdenciários, além de facilitar a contratação de um funcionário. Em estados como o Ceará, 72% dos microempreendedores afirmam que o registro ampliou suas vendas, permitindo negócios com outras empresas e até com o governo. Esse impacto econômico é sentido especialmente em regiões menos favorecidas, onde os MEIs ajudam a movimentar comunidades locais.
Planos que vão além do local
A ambição de muitos MEIs não se limita ao mercado doméstico. Joyce Gama, por exemplo, já planeja exportar seus calçados para a Colômbia, um passo que exige a criação de um site bilíngue e parcerias internacionais. Esse movimento reflete uma tendência entre os microempreendedores que, após consolidarem suas operações, buscam novos horizontes. No caso de Joyce, a exportação de kits com sandálias e bolsas de palha pode abrir portas para outros países da América Latina, aproveitando a crescente demanda por produtos artesanais brasileiros.
A pesquisa também mostra que 68% dos MEIs pretendem adotar novas estratégias para estimular vendas, como o uso de plataformas digitais e a diversificação de fornecedores. No Sul, onde 26% dos empreendedores planejam abrir novos negócios este ano, a inovação aparece como um fator-chave para o crescimento. Esses planos indicam que os MEIs estão atentos às mudanças no comportamento do consumidor e dispostos a se reinventar.
Calendário de apoio aos MEIs
O Sebrae tem desempenhado um papel crucial no suporte aos microempreendedores, oferecendo eventos e capacitações ao longo do ano. Um dos destaques é a Semana do MEI, realizada anualmente em maio, que neste ano ocorreu entre os dias 20 e 24. Com o tema “Chega junto com o Sebrae”, o evento trouxe palestras, oficinas práticas e cursos gratuitos, tanto presenciais quanto online, abordando temas como finanças, planejamento e vendas digitais. A programação visa profissionalizar a gestão dos MEIs e aumentar suas chances de sucesso.
Além disso, mutirões para auxiliar na entrega da declaração anual, que tem prazo até 31 de maio, ajudam os empreendedores a manterem seus registros em dia. Em cidades como Maringá (PR), onde há 18,2 mil MEIs, essas iniciativas são fundamentais para evitar multas e garantir a continuidade dos negócios. O apoio constante reflete o compromisso com o fortalecimento desse segmento essencial à economia.

Desafios e oportunidades à vista
Expandir os negócios nem sempre é um caminho tranquilo. Entre os desafios citados por 59% dos MEIs está o aumento das vendas, seguido pelo equilíbrio financeiro (36%) e a busca por mão de obra qualificada (29%). Outros obstáculos incluem o aumento dos custos (27%) e a redução do poder de compra dos consumidores (24%). Em um cenário de taxa de juros elevada, o acesso ao crédito também pode se tornar mais caro, dificultando investimentos para 45% dos entrevistados que planejam recorrer a financiamentos.
Por outro lado, as oportunidades são claras. A queda da taxa de desemprego, que atingiu 6,9% em 2023 – a menor em dez anos –, e o crescimento do consumo criam um ambiente favorável aos pequenos negócios. Com mais pessoas empregadas e ganhando salários melhores, os MEIs têm a chance de captar novos clientes e ampliar sua presença no mercado. A combinação de otimismo e planejamento pode ser o diferencial para o sucesso.
Prioridades dos MEIs em números
Os dados da pesquisa destacam as principais áreas de investimento planejadas pelos MEIs:
- Indústria: 60% focam em máquinas, equipamentos e instalações físicas.
- Serviços: 46% destinam recursos a marketing e 50% a infraestrutura.
- Comércio: 38% reforçam capital de giro e 40% compram equipamentos.
- Regiões: Norte e Centro-Oeste lideram com 67,6% de intenção de investimento.
Esses números mostram um esforço coletivo para modernizar operações e aumentar a competitividade, com impactos que vão além dos negócios individuais e alcançam a economia como um todo.
Formalização como chave do sucesso
Desde sua criação, há mais de 15 anos, o modelo MEI tem sido um divisor de águas para milhões de brasileiros. A formalização tirou da informalidade profissionais autônomos e pequenos empreendedores, oferecendo acesso a benefícios como aposentadoria e licença-maternidade. Em 2023, o Brasil registrou 2,9 milhões de novos MEIs, um número que se manteve estável em relação ao ano anterior, mas que soma-se aos 3,77 milhões de pequenos negócios abertos no total.
No Ceará, 91% dos MEIs estão em atividade, e 47% mantêm o mesmo ramo de atuação de quando eram empregados formais. Esse dado reflete a transição de trabalhadores assalariados para empreendedores, um movimento impulsionado tanto pela necessidade quanto pela oportunidade. A formalização também gerou um ganho estimado de até R$ 69,56 bilhões na economia, evidenciando seu peso no desenvolvimento nacional.
Tecnologia e inovação no radar
A adaptação ao mundo digital é outra prioridade para os MEIs. Cerca de 36,1% dos microempreendedores trabalham em casa, uma queda em relação aos 40% registrados antes da pandemia, indicando uma gradual mudança para espaços comerciais. No entanto, a tecnologia segue como aliada, com 64% dos MEIs afirmando que plataformas digitais tornaram seus negócios viáveis. Investimentos em sites, redes sociais e ferramentas de atendimento online, como os planejados por Dilvane Fátima, são exemplos dessa tendência.
No comércio, 53,4% dos MEIs estão confiantes em um futuro positivo, enquanto na indústria, 41% veem o último ano como melhor que o anterior. Esses dados sugerem que a inovação, aliada ao otimismo, está ajudando os microempreendedores a superar desafios e encontrar novos caminhos para o crescimento.
Um futuro em construção
Com 65% dos MEIs acreditando que este ano será melhor que 2024, o cenário é promissor. A disposição de investir em máquinas, marketing e capital de giro reflete uma visão estratégica, que combina o desejo de crescer com a necessidade de se adaptar a um mercado em transformação. Histórias como a de Joyce Gama, que planeja exportar, e Dilvane Fátima, que moderniza seu atendimento, mostram que os MEIs não estão apenas sobrevivendo, mas buscando protagonismo na economia.
A força dos microempreendedores individuais está na capacidade de se reinventar diariamente. Seja em São Luís, Chapecó ou qualquer canto do país, esses profissionais acordam cedo, criam oportunidades e fazem a economia girar. Com o apoio de iniciativas como as do Sebrae e um ambiente econômico mais favorável, os MEIs têm tudo para consolidar seu papel como pilares do desenvolvimento brasileiro.



