VW, GM, Toyota e Stellantis cobram igualdade contra benefícios à BYD

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produção de carro - Foto: Gorodenkoff/Shutterstock.com

Quatro grandes montadoras – Volkswagen, General Motors, Toyota e Stellantis – enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 de julho de 2025, em Brasília, criticando o pedido da chinesa BYD por redução de impostos de importação de kits SKD e CKD, de 18-20% para 5-10%. Assinada pelos presidentes das empresas, a carta alerta que a medida, em análise pela Camex, pode comprometer R$180 bilhões em investimentos e causar demissões na indústria automotiva nacional. A BYD, que planeja iniciar operações em Camaçari, Bahia, defende a redução como necessária para viabilizar a nacionalização gradual de sua produção. As montadoras tradicionais, com fábricas já consolidadas no país, argumentam que a importação de kits prontos reduz empregos e o valor agregado local. A decisão, prevista para 30 de julho, opõe interesses da indústria nacional e investimentos estrangeiros.

A carta, endossada pela Anfavea, destaca que a produção local gera até dez empregos indiretos por vaga, contra dois ou três com kits importados.

O embate reflete a concorrência crescente entre montadoras tradicionais e a BYD, que já importou 35 mil veículos em 2024. A fábrica baiana, sob investigação por condições trabalhistas, é um ponto central na disputa.

Detalhes da carta e argumentos das montadoras

A carta enviada ao presidente Lula, assinada por Ciro Possobom (Volkswagen), Evandro Maggio (Toyota), Emanuelle Cappellano (Stellantis) e Santiago Chamorro (GM), foi também encaminhada ao vice-presidente Geraldo Alckmin e ao ministro Rui Costa. Os executivos argumentam que a redução de impostos para kits SKD e CKD, solicitada pela BYD em fevereiro de 2025, cria concorrência desleal e ameaça a indústria nacional.

Eles alertam que o modelo de montagem de kits importados não é uma transição para a industrialização, mas um padrão que pode se consolidar, reduzindo a produção local. As montadoras enfatizam os R$180 bilhões em investimentos planejados até 2030, sendo R$130 bilhões em novos veículos e R$50 bilhões em fornecedores, que podem ser revistos caso a medida avance.

  • Investimentos: R$180 bilhões até 2030, com R$130 bi em veículos e R$50 bi em autopeças.
  • Empregos: Produção local gera até 10 empregos indiretos por vaga; kits importados, 2-3.
  • Concorrência: BYD importou 35 mil veículos em 2024, enquanto nacionais enfrentam retração.
  • Risco: Possível revisão de R$60 bilhões em investimentos se incentivos forem concedidos.

A Anfavea reforça que a produção nacional caiu 7% em 2024, enquanto importações asiáticas cresceram 190%, intensificando a pressão por igualdade.

Posição da BYD e fábrica em Camaçari

A BYD, que anunciou a construção de uma fábrica em Camaçari, Bahia, com investimento de R$3 bilhões, argumenta que a redução de impostos é essencial para iniciar a produção em regime SKD, com nacionalização progressiva a partir de 2026. A empresa planeja fabricar carros elétricos, híbridos e chassis de ônibus, com operação inicial prevista para agosto de 2025.

A fábrica, instalada na antiga planta da Ford, enfrenta críticas por condições de trabalho, especialmente de operários chineses, com denúncias de jornadas exaustivas e alojamentos precários. A BYD nega irregularidades e destaca que a unidade criará 1.200 empregos diretos na Bahia, além de atrair fornecedores locais.

  • Investimento: R$3 bilhões para a fábrica de Camaçari, com 1.200 empregos diretos.
  • Produção: Carros elétricos, híbridos e chassis de ônibus, com início em SKD.
  • Nacionalização: Prevista para começar em 2026, com peças como motores e bancos.
  • Denúncias: Investigação sobre condições trabalhistas de operários chineses.

A empresa planeja uma visita de Lula à fábrica em agosto, reforçando sua aposta no mercado brasileiro.

BYD – Foto: winhorse/istock

Repercussão na indústria e sindicatos

A proposta da BYD gerou forte reação de sindicatos e associações. A CUT, Força Sindical e sindicatos do ABC, Sorocaba, Caxias do Sul e Juiz de Fora emitiram um manifesto alertando para o risco de desindustrialização. Eles temem que incentivos sem exigência de conteúdo local reduzam a demanda por autopeças nacionais, impactando até 50 mil empregos indiretos.

A Abipeças e o Sindipeças também enviaram uma carta a Lula, classificando a redução de impostos como “renúncia fiscal injustificada” e alertando para uma “concorrência inusitada”. A FIEPE destacou a fábrica da Stellantis em Goiana, Pernambuco, que gera 44% dos empregos formais da cidade, como exemplo de risco.

  • Sindicatos: CUT e Força Sindical alertam para desindustrialização e perda de empregos.
  • Abipeças e Sindipeças: Criticam renúncia fiscal e concorrência desleal.
  • FIEPE: Cita fábrica da Stellantis, com 44% dos empregos em Goiana, em risco.
  • Empregos indiretos: Até 50 mil vagas podem ser afetadas na cadeia de autopeças.

A mobilização reflete a preocupação com a sustentabilidade da indústria automotiva nacional.

Investimentos e produção local

As montadoras tradicionais destacam sua presença consolidada no Brasil, com fábricas em São Paulo, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Stellantis opera em Goiana e Betim, Volkswagen em São Bernardo do Campo e Taubaté, GM em Gravataí e São Caetano do Sul, e Toyota em Sorocaba e Indaiatuba. Esses complexos empregam diretamente 120 mil trabalhadores e movimentam US$74,7 bilhões anuais, representando 2,5% do PIB nacional.

Os investimentos de R$180 bilhões incluem novos modelos híbridos e elétricos, com destaque para o Jeep Renegade híbrido da Stellantis e o Polo Track da Volkswagen. A produção local é intensiva em mão de obra e fornecedores, contrastando com o modelo SKD, que exige menos trabalhadores e peças nacionais.

  • Empregos diretos: 120 mil trabalhadores nas fábricas das quatro montadoras.
  • Contribuição econômica: US$74,7 bilhões por ano, 2,5% do PIB.
  • Novos modelos: Jeep Renegade híbrido e Polo Track em desenvolvimento.
  • Fornecedores: 508 produtores de autopeças dependem da produção local.

A diferença entre os modelos de produção reforça o argumento das montadoras contra os incentivos à BYD.

Debate político e decisão iminente

A discussão sobre os incentivos à BYD ocorre às vésperas de uma reunião extraordinária do Gecex-Camex, marcada para 30 de julho de 2025, em Brasília. O colegiado, formado por 11 ministérios, decidirá sobre a redução de impostos, sob coordenação do ministro Rui Costa, ex-governador da Bahia, onde a BYD investe. A proximidade de Costa com o projeto baiano levanta debates sobre possível favorecimento.

As montadoras tradicionais apelam por uma política industrial que priorize a produção local, enquanto a BYD defende que os incentivos são temporários e viabilizarão a nacionalização. O governo Lula enfrenta o dilema de atrair investimentos estrangeiros sem prejudicar a indústria consolidada.

  • Reunião da Camex: 30 de julho, para decidir sobre redução de impostos.
  • Rui Costa: Ex-governador da Bahia, ligado ao projeto da BYD.
  • Dilema governamental: Equilibrar investimentos chineses e indústria local.
  • Apelo das montadoras: Política industrial focada na produção nacional.

A decisão da Camex será crucial para o futuro da indústria automotiva no Brasil, com reflexos em empregos e competitividade.

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