Ozempic brasileiro chega em 2026 e promete revolucionar farmácias: veja os preçosPor Carolina Costa
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A partir de 2026, o Brasil assistirá a uma transformação no mercado farmacêutico com a chegada dos genéricos do Ozempic, medicamento à base de semaglutida, amplamente utilizado para diabetes tipo 2 e emagrecimento. Produzido por empresas como EMS, Hypera e Biomm, o “Ozempic brasileiro” promete preços mais acessíveis, ampliando o acesso a tratamentos e impactando redes de farmácias como RD Saúde e Grupo DPSP. Com a patente da Novo Nordisk expirando em julho de 2026, o setor se prepara para maior concorrência, margens de lucro ajustadas e aumento na demanda. A iniciativa, que já mobiliza laboratórios nacionais, responde à alta procura pelo medicamento, que movimenta mais de R$ 3 bilhões anualmente no país.
O lançamento da Olire, caneta de liraglutida da EMS, já disponível em farmácias do Sudeste, serve como um termômetro para o que está por vir. Apesar de menos eficaz que a semaglutida, a Olire custa até 30% menos que o Saxenda, da Novo Nordisk, e sinaliza como os genéricos podem redesenhar o mercado. A expectativa é que os novos produtos cheguem ao consumidor final com descontos significativos, seguindo a legislação brasileira que exige pelo menos 35% de redução em relação ao medicamento de referência.
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- Principais players: EMS, Hypera, Cimed e Biomm já desenvolvem versões genéricas.
- Impacto esperado: Preços mais baixos e aumento no volume de vendas em farmácias.
- Cronograma: Lançamentos previstos para o segundo semestre de 2026.
- Demanda atual: Ozempic e Wegovy representam cerca de 5% das vendas da RD Saúde.
Preços mais acessíveis abrem novo mercado
A queda da patente do Ozempic, marcada para julho de 2026, permitirá que farmacêuticas brasileiras lancem genéricos e biossimilares da semaglutida, princípio ativo que conquistou o mercado por sua eficácia no controle de diabetes e na perda de peso. Atualmente, o Ozempic é vendido por valores entre R$ 929 e R$ 1.063, dependendo da dosagem, enquanto o Wegovy, voltado para obesidade, chega a R$ 1.699. Com a entrada dos genéricos, espera-se uma redução de preço significativa, potencialmente superior aos 35% exigidos por lei, a exemplo do que ocorreu com o Viagra, cujo preço caiu de R$ 50 para R$ 0,90 após a quebra de patente.
Empresas como a EMS, que já investiu R$ 70 milhões em uma nova fábrica em Hortolândia (SP), estão na fase final de desenvolvimento. A Prati-Donaduzzi, outra gigante nacional, também avança na formulação de genéricos, importando matéria-prima da Ásia e negociando dispositivos de aplicação na Europa. A Hypera, por sua vez, projeta recuperação de margens no segundo semestre de 2025, preparando-se para capturar uma fatia do mercado a partir de 2026.
- Redução de preço: Genéricos podem custar até 60% menos que o Ozempic original.
- Investimentos: EMS e Prati-Donaduzzi destinam milhões para pesquisa e produção.
- Acessibilidade: Ampliação do acesso a tratamentos para diabetes e obesidade.
Competição aquece o varejo farmacêutico
A chegada dos genéricos do Ozempic deve intensificar a concorrência no varejo farmacêutico, especialmente para redes como RD Saúde e Grupo DPSP. O Itaú BBA estima que, na RD, os genéricos têm margens brutas entre 50% e 55%, mas a complexidade da molécula da semaglutida pode limitar esses ganhos. Ainda assim, analistas preveem que a categoria será positiva para o lucro das farmácias, mesmo em cenários conservadores com quedas de preço de 35% e margens brutas de 25%.
A análise do banco considera dois cenários: um com preços menores sem expansão de mercado e outro com aumento de 20% na demanda, o que poderia elevar o lucro líquido da RD em 11% até o fim de 2026. A Olire, lançada em agosto de 2025, já indica um aquecimento nas vendas, embora sua menor eficácia em relação à semaglutida limite o impacto imediato.
O mercado brasileiro de canetas para emagrecimento, avaliado em R$ 5,5 bilhões, deve crescer com a entrada de genéricos. A maior acessibilidade pode atrair novos consumidores, especialmente em um país onde 20,3% dos adultos são obesos, segundo dados do Vigitel de 2023.
Preparação das farmacêuticas nacionais
A mobilização das farmacêuticas brasileiras é intensa. A EMS, líder no mercado de genéricos, já negocia insumos e dispositivos para lançar sua versão do Ozempic em 2026. A Prati-Donaduzzi, com faturamento de R$ 2,3 bilhões em 2023, destina 5% de sua receita para pesquisa, incluindo medicamentos para diabetes e obesidade. A Hypera, por sua vez, vê na semaglutida uma oportunidade de diversificar seu portfólio, enquanto a Biomm foca em biossimilares de alta complexidade.
A produção local enfrenta desafios, como o alto custo da matéria-prima e a necessidade de canetas aplicadoras, que representam a maior parte do custo de produção, segundo estudo da Universidade de Yale. Ainda assim, o investimento em tecnologia e parcerias internacionais posiciona o Brasil como um futuro hub de genéricos de semaglutida.
- EMS: Nova fábrica em Hortolândia com financiamento do BNDES.
- Prati-Donaduzzi: Pesquisa avançada para genéricos de semaglutida.
- Hypera: Estratégia de longo prazo para capturar mercado em 2026.
- Biomm: Foco em biossimilares para competir com marcas globais.
Impacto na saúde pública e acesso
A chegada dos genéricos pode transformar o acesso a tratamentos para diabetes e obesidade no Brasil. Com 41% da população adulta projetada para ser obesa em 2035, segundo a World Obesity Federation, medicamentos mais baratos são cruciais. Atualmente, o SUS cobre apenas a cirurgia bariátrica para obesidade, mas há discussões para incluir genéricos no programa Farmácia Popular, o que poderia reduzir custos para o sistema público e ampliar o alcance.
A liraglutida, já mais acessível, custa cerca de R$ 500 a R$ 600, contra R$ 1.000 do Ozempic. Com genéricos, o preço da semaglutida pode cair para menos de R$ 780, segundo estimativas baseadas na legislação. Essa redução é vista como um passo para enfrentar a epidemia de obesidade, que mata 4 milhões de pessoas anualmente no mundo, superando as mortes por Covid-19 no pico da pandemia.
Regulação e desafios do mercado
A expiração da patente do Ozempic, confirmada pelo STF em 2021, limitou a exclusividade da Novo Nordisk a 20 anos a partir do depósito no INPI, encerrando tentativas da empresa de estender a proteção até 2029. A decisão abriu espaço para a concorrência, mas também trouxe desafios regulatórios. A Anvisa pode exigir retenção de receita para medicamentos GLP-1, como o Ozempic, para conter o uso off-label, o que poderia impactar as vendas.
Atualmente, esses medicamentos são classificados como tarja vermelha, exigindo prescrição, mas a compra sem receita é comum, aumentando riscos de automedicação. A possível exigência de retenção pode reduzir o acesso indiscriminado, mas também limitar o volume de vendas no curto prazo, segundo analistas da XP Investimentos.
- Regulação: Anvisa avalia medidas para conter uso off-label.
- Patente: STF confirmou expiração em julho de 2026.
- Riscos: Automedicação preocupa sociedades médicas.
Perspectivas para as farmácias
As redes de farmácias se preparam para um aumento na demanda com a chegada dos genéricos. A RD Saúde, por exemplo, já testa a Olire em suas lojas, com preços entre 20% e 30% menores que o Saxenda. A expectativa é que os genéricos de semaglutida sigam o mesmo caminho, oferecendo ao menos três opções de preço nas prateleiras, como destacou o CEO da Prati-Donaduzzi.
A XP Investimentos prevê que os medicamentos GLP-1 continuarão sendo um motor de crescimento para o varejo em 2025 e 2026, apesar de margens menores devido ao alto custo dos produtos. A alavancagem operacional, impulsionada pelo aumento no volume de vendas, pode compensar essa pressão, especialmente em redes com alta capilaridade, como RD e DPSP.
Cenário global e competitividade
No cenário global, a China também se prepara para lançar biossimilares da semaglutida em 2026, com reduções de preço estimadas em 25% pelo Goldman Sachs. O Brasil, com sua expertise em genéricos, pode se posicionar como um competidor relevante, especialmente com o apoio de financiamentos como o do BNDES. A produção local de canetas aplicadoras, no entanto, segue como um gargalo, já que o custo do dispositivo supera o do princípio ativo, segundo estudos internacionais.
A Novo Nordisk, que lucrou US$ 84 bilhões em 2023, enfrenta a perda de exclusividade em mercados estratégicos. Sua estratégia no Brasil inclui investimentos de R$ 1,3 bilhão em sua fábrica em Montes Claros (MG) para reduzir custos de produção de Ozempic e Wegovy, mantendo competitividade.
- China: Biossimilares previstos para 2026 com preços 25% menores.
- Brasil: Potencial hub de genéricos com apoio do BNDES.
- Novo Nordisk: Investe em produção local para manter mercado.















