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A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, em 13 de agosto de 2025, a Operação Rota Falsa, visando desarticular um esquema sofisticado que causou um prejuízo de R$ 114.908,31 à Uber. A ação, conduzida pela Delegacia de Defraudações, teve como alvos Pedro Pascoli Plata Souza e Yasmim Gusmão Soares, acusados de criar quase 2 mil viagens fraudulentas usando inteligência artificial para forjar perfis de motoristas e passageiros. A fraude, que envolveu manipulação de fotos e múltiplas paradas em corridas, foi descoberta após a própria Uber identificar irregularidades e acionar as autoridades. A operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, e a investigação segue para apurar a participação de possíveis cúmplices.

A fraude se baseava na criação de 70 perfis falsos de motoristas, muitos deles associados a Pascoli, que usava imagens manipuladas para burlar o sistema de verificação de identidade da Uber. As contas de passageiros, por sua vez, eram registradas a partir de um único endereço residencial, ligado ao principal suspeito. O esquema gerou lucros indevidos por meio de pagamentos via Pix, explorando falhas no sistema de cobrança da plataforma.

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  • Principais alvos: Pedro Pascoli e Yasmim Gusmão, suspeitos de articular o golpe.
  • Modo operandi: Uso de IA para criar perfis falsos e manipular fotos de identificação.
  • Prejuízo total: R$ 114.908,31 em 1.922 viagens fraudulentas.
  • Ação policial: Cinco mandados de busca e apreensão cumpridos no Rio de Janeiro.
Aplicativo Uber
Aplicativo Uber – Foto: Rokas Tenys / Shutterstock.com

Como funcionava o esquema fraudulento
O esquema descoberto pela Polícia Civil explorava vulnerabilidades no sistema de pagamentos da Uber, especialmente em corridas pagas via Pix. Os suspeitos criavam perfis falsos de motoristas e passageiros, utilizando inteligência artificial para gerar fotos manipuladas que enganavam os mecanismos de verificação da plataforma. Essas contas eram usadas para simular 1.922 viagens, sendo 1.125 canceladas após a adição de múltiplas paradas, o que aumentava o valor cobrado. Mesmo com o cancelamento, a Uber arcava com os custos, transferindo o valor total aos “motoristas” enquanto as contas dos “passageiros” acumulavam dívidas não pagas.

As 797 corridas concluídas partiram de 484 contas de usuários, sendo 478 registradas no mesmo endereço residencial ligado a Pedro Pascoli. As contas bancárias associadas aos motoristas, por sua vez, estavam vinculadas a Yasmim Gusmão, sugerindo uma operação coordenada. A manipulação de imagens era feita com ferramentas de IA, que sobrepunham rostos de outras pessoas em fotos de Pascoli, identificado por tatuagens características.

Uso de inteligência artificial na fraude
A sofisticação do golpe impressionou as autoridades. A inteligência artificial foi usada para criar imagens realistas, permitindo que os suspeitos burlassem o sistema de autenticação facial da Uber. A plataforma exige que motoristas tirem selfies periodicamente para confirmar a identidade, mas os fraudadores manipulavam fotos para simular diferentes pessoas.

  • Fotos manipuladas: Imagens de Pascoli com rostos de terceiros, geradas por IA.
  • Contas falsas: 70 perfis de motoristas e 484 de passageiros criados.
  • Tatuagens como pista: Marcas no corpo de Pascoli ajudaram a identificá-lo.
  • Ferramentas de IA: Softwares avançados para edição de imagens foram utilizados.

A polícia acredita que o esquema pode ter mais envolvidos, já que 85 contas adicionais de motoristas estavam vinculadas aos dados bancários de Pascoli. A investigação agora busca mapear a extensão da rede e identificar possíveis comparsas que auxiliavam na criação e gestão dos perfis falsos.

Resposta da Uber às fraudes
A Uber foi a responsável por detectar as irregularidades e acionar a Polícia Civil. A empresa destacou que possui equipes especializadas em detecção de fraudes, que utilizam análises manuais e sistemas automatizados para identificar comportamentos suspeitos. Esses sistemas monitoram mais de 600 sinais diferentes, como padrões de cancelamento, trajetos anormais e discrepâncias em dados bancários.

A plataforma informou que está colaborando ativamente com as autoridades, fornecendo informações para a identificação dos suspeitos. Além disso, a Uber afirmou que implementa constantemente novas tecnologias para prevenir fraudes, incluindo melhorias no treinamento de agentes e no sistema de verificação de identidade. A empresa reiterou seu compromisso em proteger usuários e motoristas honestos, garantindo que qualquer comportamento fraudulento resulte em medidas rigorosas, como a desativação permanente de contas.

Medidas de segurança da plataforma
Para combater fraudes como essa, a Uber adota diversas estratégias de segurança. Uma delas é o uso do U-Código, um sistema de validação que exige um código de quatro dígitos para confirmar o início de uma corrida. Esse código só deve ser compartilhado presencialmente com o motorista, dificultando golpes remotos. Além disso, a empresa mantém um contrato com o Serpro, que verifica informações cadastrais em tempo real com base na Carteira Nacional de Habilitação.

  • U-Código: Código de validação para confirmar corridas presencialmente.
  • Verificação com Serpro: Checagem de dados em tempo real com a Senatran.
  • Selfies aleatórias: Motoristas devem tirar fotos para confirmar identidade.
  • Monitoramento: Sistemas analisam padrões de comportamento para detectar fraudes.

A Uber também incentiva que vítimas de golpes ou atividades suspeitas relatem os casos pelo aplicativo, permitindo a análise e eventual ressarcimento. A empresa mantém uma equipe de resposta a autoridades, composta por ex-policiais, para colaborar com investigações criminais.

Impacto do golpe no mercado de aplicativos
O esquema de R$ 115 mil expõe vulnerabilidades no setor de transporte por aplicativo, que movimenta bilhões anualmente no Brasil. A fraude não apenas gerou prejuízos financeiros à Uber, mas também levantou preocupações sobre a segurança e a confiabilidade das plataformas digitais. A manipulação de imagens por IA representa um novo desafio para empresas que dependem de sistemas de autenticação digital.

A Polícia Civil destacou que o caso pode servir como alerta para outras empresas do setor, que precisam investir em tecnologias mais robustas de verificação. A operação também reforça a importância da colaboração entre plataformas e autoridades para coibir crimes cibernéticos. A investigação continua, com foco em rastrear possíveis ramificações do esquema e evitar que fraudes semelhantes se repitam.

Avanços na investigação policial
A Operação Rota Falsa marcou um passo significativo no combate a fraudes digitais no Brasil. Os cinco mandados de busca e apreensão cumpridos no Rio de Janeiro resultaram na coleta de evidências que podem esclarecer a extensão do golpe. A polícia identificou que a maioria das contas fraudulentas estava concentrada em um único endereço, o que facilitou a localização dos principais suspeitos.

A Delegacia de Defraudações agora analisa dispositivos eletrônicos apreendidos para identificar softwares de IA utilizados e possíveis conexões com outros crimes. A operação também destacou o papel das tatuagens de Pascoli como evidência crucial, já que as marcas apareciam em várias fotos manipuladas, permitindo a identificação do suspeito.

  • Mandados cumpridos: Cinco buscas em endereços ligados aos suspeitos.
  • Evidências coletadas: Dispositivos eletrônicos e documentos bancários.
  • Tatuagens-chave: Marcas corporais ajudaram a ligar Pascoli às contas falsas.
  • Próximos passos: Análise de equipamentos para identificar mais envolvidos.

Prevenção contra fraudes digitais
A fraude contra a Uber reforça a necessidade de medidas preventivas tanto por parte das empresas quanto dos usuários. Para os passageiros, é essencial verificar a identidade do motorista antes de iniciar a corrida, conferindo nome, foto e placa do veículo no aplicativo. A Uber recomenda nunca compartilhar o U-Código por telefone ou mensagem, já que isso pode facilitar golpes.

Para os motoristas, a empresa sugere evitar pagamentos fora do aplicativo e relatar comportamentos suspeitos de passageiros. A colaboração entre usuários, motoristas e a plataforma é fundamental para manter a segurança e reduzir o impacto de fraudes no setor.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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