Jovem advogada morre em SC após choque anafilático em tomografia com contraste

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Jovem morre em exame de tomografia Foto: Jovem morre em exame de tomografia - Foto: Instagram

Uma jovem advogada de 22 anos, Letícia Paul, morreu após sofrer um choque anafilático durante uma tomografia com contraste no Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul, Santa Catarina, na terça-feira, 19 de agosto de 2025. A morte, confirmada menos de 24 horas depois, na quarta-feira, 20, chocou familiares e amigos, que buscam respostas sobre o que levou à tragédia. Letícia, que tratava uma infecção urinária e pedras nos rins, passou mal durante o procedimento, foi entubada, mas não resistiu. A família questiona a condução do atendimento, enquanto o hospital afirma seguir protocolos. O caso reacende o debate sobre os riscos raros, mas graves, do uso de contraste em exames de imagem.

Letícia, recém-formada em Direito e cursando pós-graduação em Negócios Imobiliários, realizava tomografias periodicamente devido a problemas renais, segundo a tia, Sandra Paul. Não havia histórico conhecido de alergias, mas a família desconhece se exames anteriores usavam contraste. A Polícia Civil investiga o caso, solicitando prontuários médicos para esclarecer as circunstâncias.

Jovem morre em tomografia
Jovem morre em tomografia – Foto: Internet
  • Exame de rotina: Letícia fazia tomografias regularmente para monitorar pedras nos rins.
  • Reação rápida: O choque anafilático ocorreu durante a aplicação do contraste.
  • Investigação em curso: Autoridades apuram possíveis falhas no atendimento.

A tragédia, que abalou a cidade de Lontras, onde Letícia morava, levanta questões sobre a segurança de exames com contraste e os protocolos de emergência em hospitais.

Riscos do contraste em exames de imagem

O uso de contraste em tomografias, como o iodado, é comum para realçar vasos sanguíneos e órgãos, facilitando diagnósticos. Apesar de seguro na maioria dos casos, pode desencadear reações alérgicas graves, como o choque anafilático, em menos de 0,04% dos pacientes, segundo o radiologista Augusto Villela Polonia. Essas reações, embora raras, exigem resposta imediata. No caso de Letícia, a família questiona por que o atendimento não conseguiu reverter o quadro, já que o incidente ocorreu dentro de um hospital equipado.

Hospitais devem seguir protocolos rigorosos antes de aplicar contraste, como avaliar histórico de alergias e manter medicamentos como adrenalina à disposição. A cirurgiã Vanessa Prado destaca que a entrevista pré-exame é crucial para identificar riscos.

  • Histórico médico: Avaliação detalhada de alergias e doenças crônicas.
  • Preparo emergencial: Equipes devem ter adrenalina e suporte ventilatório prontos.
  • Alternativas: Exames sem contraste, como ultrassonografia, podem ser indicados.

A ausência de alergias conhecidas no caso de Letícia torna a tragédia ainda mais desconcertante, reforçando a necessidade de maior conscientização sobre os riscos.

O que é o choque anafilático

O choque anafilático, conforme explica a alergista Jane da Silva, da UFSC, é uma reação alérgica grave que ocorre quando o sistema imunológico reage exageradamente a uma substância, como medicamentos, alimentos ou contrastes radiológicos. Os sintomas surgem em segundos ou até uma hora após a exposição e podem incluir dificuldade respiratória, inchaço, urticária e queda de pressão arterial.

No caso de Letícia, a reação foi fulminante. Após o contraste, ela sofreu uma parada cardíaca dentro do equipamento de tomografia, foi reanimada e entubada, mas faleceu na noite seguinte. A família destaca que a jovem estava lúcida e bem antes do exame, o que intensifica a busca por explicações.

  • Sintomas respiratórios: Chiado, tosse e sensação de garganta fechada.
  • Sinais cardiovasculares: Pulso rápido, tontura e desmaio.
  • Reação cutânea: Urticária e inchaço em lábios, língua ou rosto.
  • Risco fatal: Parada cardíaca pode ocorrer sem intervenção imediata.

A velocidade da reação exige que hospitais estejam preparados para agir em minutos, o que nem sempre é suficiente, como mostram casos raros como este.

Protocolos de segurança em hospitais

Hospitais e clínicas devem adotar medidas rigorosas para minimizar riscos em exames com contraste. Antes do procedimento, é essencial uma triagem detalhada, investigando alergias, asma ou condições como insuficiência renal, que aumentam a vulnerabilidade. A Sociedade Brasileira de Radiologia recomenda que equipes tenham adrenalina, corticoides e anti-histamínicos disponíveis para emergências.

No Hospital Regional Alto Vale, a direção afirmou que todos os procedimentos seguiram os protocolos recomendados. Ainda assim, a Polícia Civil requisitou prontuários e depoimentos para esclarecer possíveis falhas. A família de Letícia, inconformada, cobra transparência.

  • Triagem pré-exame: Perguntas sobre alergias e medicamentos em uso.
  • Medicamentos de emergência: Adrenalina e corticoides para reações graves.
  • Monitoramento: Acompanhamento durante e após o exame.
  • Alternativas seguras: Uso de exames sem contraste quando possível.

A investigação pode trazer luz sobre a adequação do atendimento e os procedimentos adotados no caso.

Impacto na comunidade e busca por respostas

A morte de Letícia Paul gerou comoção em Lontras e Rio do Sul. Amigos e colegas da jovem, muitos deles advogados, prometem buscar esclarecimentos. O primo Yuri Kaue afirmou que a família deseja apenas entender o que aconteceu, sem apontar culpados precipitadamente. O velório, realizado na quinta-feira, 21, reuniu dezenas de pessoas no Cemitério Memorial Jardim Primavera, antes da cremação em Balneário Camboriú.

Casos como esse reacendem o debate sobre a segurança de procedimentos médicos rotineiros. Embora o risco de choque anafilático seja baixo, a gravidade exige atenção redobrada. Especialistas recomendam que pacientes com histórico de alergias carreguem injeções de epinefrina e usem braceletes de identificação.

  • Apoio à família: Comunidade se mobiliza para apoiar parentes de Letícia.
  • Conscientização: Debate sobre riscos de exames com contraste ganha força.
  • Investigação: Polícia Civil analisa prontuários e depoimentos.

A tragédia destaca a importância de protocolos rigorosos e da preparação para emergências em unidades de saúde.

Prevenção e cuidados pós-exame

Evitar o contato com alérgenos conhecidos é a principal forma de prevenir o choque anafilático. Para pacientes sem histórico de alergias, como Letícia, o risco é imprevisível, mas pode ser minimizado com triagem adequada. Após exames com contraste, a hidratação é recomendada para eliminar a substância pelos rins, especialmente em pacientes com problemas renais.

Médicos podem indicar pré-medicação com corticoides ou anti-histamínicos em casos de risco elevado. Pacientes que já sofreram reações graves devem consultar alergologistas para testes que identifiquem os gatilhos.

  • Hidratação: Ajuda a eliminar o contraste do organismo.
  • Pré-medicação: Reduz riscos em pacientes com histórico de alergias.
  • Testes alérgicos: Identificam substâncias desencadeantes.
  • Orientação médica: Fundamental para pacientes com condições crônicas.

A conscientização sobre esses cuidados pode salvar vidas em situações críticas.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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