Um vendaval com rajadas de até 90 km/h atingiu a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz, São Paulo, na segunda-feira, 22 de setembro de 2025. A unidade, responsável pela produção de propulsores para o Corolla Cross, sofreu danos graves, com 90% da estrutura afetada, incluindo destelhamento de galpões e alagamentos que comprometeram equipamentos essenciais. A paralisação ocorreu porque a fábrica fornece motores 2.0 Dynamic Force para o SUV médio, montado em Sorocaba. Sem esses componentes, a produção em Sorocaba e Indaiatuba foi interrompida, impactando o fornecimento para concessionárias no Brasil.
Até agosto de 2025, o Corolla Cross acumulava 44.694 emplacamentos, segundo dados da Fenabrave, configurando o terceiro SUV mais vendido no país e superando o ritmo de 2024, que fechou com 47.802 unidades. A interrupção veio em momento de recorde mensal, com 7.337 vendas em agosto.
A Toyota busca alternativas para mitigar os efeitos, mas a retomada plena da fábrica de Porto Feliz só ocorrerá em 2026.
Danos na estrutura industrial
O vendaval provocou microexplosão atmosférica, fenômeno que direciona ventos de nuvens de chuva ao solo em alta velocidade. Estruturas de ferro entortaram, e telhados foram lançados a até seis quilômetros de distância.
Sete veículos estacionados na fábrica ficaram destruídos, com um capotado. Funcionários se protegeram atrás de máquinas durante o evento.
Estoques e fornecimento afetados
Concessionárias relatam estoques mínimos do Corolla Cross, com duração prevista até meados de outubro. Vendas podem ser suspensas ou limitadas a trocas por usados, gerando filas de espera de até seis meses.
A montadora adota sistema lean manufacturing, que mantém reservas reduzidas para eficiência, mas agrava a escassez atual. Modelos híbridos, com motor 1.8 importado do Japão, não sofrem impacto direto.
- Importação de motores 2.0 do Japão e 1.5 da Indonésia está em estudo, mas logística complica retornos rápidos.
- Estoques remanescentes cobrem apenas demandas iniciais de outubro.
- Concessionárias em regiões como Pernambuco e Ceará notam alta em negociações de seminovos.
Medidas para funcionários
Férias coletivas iniciam em 1º de outubro para equipes de produção em Porto Feliz, Sorocaba e Indaiatuba, afetando cerca de 7.000 trabalhadores. A medida preserva contratos temporariamente.
Layoff foi aprovado por mais de 96% dos votantes em assembleias sindicais, com duração de 60 a 150 dias a partir de 21 de outubro. Salários líquidos integrais são garantidos para quem recebe até R$ 10 mil brutos.
Aprovação em Sorocaba alcançou 96,3%, com 3.709 participantes de 4.492 aptos. Em Indaiatuba, adesão foi de 99%.
Estratégias de recuperação
A Toyota avalia fornecimento externo de motores para retomar montagem parcial em Sorocaba. Reconstrução da fábrica inclui vistorias da Defesa Civil e foco em sustentabilidade operacional.
Unidade de Porto Feliz produz cerca de 108 mil motores anuais, sendo a única na América Latina para a marca. Interrupção compromete exportações para Argentina, elevando custos logísticos em 15%.
Lançamento do Yaris Cross, previsto para outubro, foi adiado sem nova data. A montadora depende de modelos da Argentina, como Hilux e SW4, para manter vendas.
Prejuízos estimados incluem 25 mil veículos não produzidos até dezembro, com perda de market share para Hyundai.
