Governador Cláudio Castro (PL) concedeu coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (29) no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, para abordar a megaoperação policial realizada na véspera nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, batizada de Operação Contenção, resultou em 129 mortes confirmadas até o momento, com o governador classificando-a como um avanço no combate ao Comando Vermelho. Castro enfatizou que o estado enfrenta uma guerra contra estruturas criminosas paralelas e alertou que o número de vítimas pode aumentar conforme perícias prosseguem.
A operação mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com o objetivo de cumprir 69 mandados de prisão em 180 endereços. Confrontos armados ocorreram ao longo do dia, levando a um saldo inicial de 64 óbitos divulgado pelo governo na terça-feira (28), incluindo quatro policiais. Moradores relataram descoberta de mais corpos durante a madrugada, elevando o total para 129, entre suspeitos neutralizados e civis afetados.
- Apreensões incluíram 93 fuzis e grande quantidade de munições.
- 81 pessoas foram detidas, com dois líderes da facção transferidos para presídios federais.
- Barricadas incendiadas e uso de drones por criminosos complicaram o acesso policial.
Autoridades estaduais parabenizaram as forças envolvidas pela ação integrada, descrita como a maior dos últimos 15 anos no estado.
Detalhes da operação Contenção
A megaoperação começou às primeiras horas da terça-feira (28) e se estendeu por mais de 12 horas, com foco na expansão territorial do Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte. Agentes enfrentaram resistência armada, incluindo barricadas em chamas e ataques com drones carregados de explosivos. O governador destacou que a ação visava capturar líderes criminosos e desarticular redes de tráfico.
Planejamento durou mais de 60 dias, com investigação prévia de um ano pela Polícia Civil. Helicópteros, blindados e veículos de demolição foram empregados para apoiar as equipes no terreno. Apesar dos confrontos, o balanço oficial aponta 60 suspeitos neutralizados entre os mortos iniciais.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, informou que nove milhões de metros quadrados de área foram percorridos, abrangendo 26 comunidades com cerca de 280 mil moradores.
Contagem de vítimas e descobertas
Moradores do Complexo da Penha localizaram 64 corpos em áreas de mata durante a madrugada de quarta-feira (29), que foram levados à Praça São Lucas para identificação. Esses achados não integravam o balanço oficial anterior, exigindo perícia para confirmação de ligação com a operação.
O total de 129 mortes supera recordes anteriores, como os 28 óbitos no Jacarezinho em 2021 e os 24 na Vila Cruzeiro em 2022, ambas sob gestão atual. Quatro policiais, incluindo agentes do BOPE, foram as únicas vítimas reconhecidas como tal pelo governador.
Seis feridos foram registrados, com três civis baleados por disparos perdidos, incluindo uma mulher em academia que recebeu alta médica.
Criminosos retaliaram com toque de recolher em mensagens via aplicativos, levando a saques em mercados locais.
Posição do governo estadual
Cláudio Castro reuniu-se com a cúpula de segurança antes da coletiva e elogiou o empenho das forças locais. Ele classificou a operação como um duro golpe à criminalidade, com apreensões que enfraquecem o poder bélico das facções. O governador defendeu que o Rio sai na frente no enfrentamento ao crime organizado, priorizando a segurança pública.
Em declaração, Castro solidarizou-se com as famílias dos policiais mortos, chamando-os de guerreiros que salvaram vidas. Ele reiterou a necessidade de articulação entre estados, mas criticou ausências em níveis superiores.
A ação faz parte de uma iniciativa permanente contra o Comando Vermelho, com transferências de detidos para unidades federais solicitadas ao Ministério da Justiça.
Disputa com o governo federal
O governador afirmou que o Rio atuou sozinho na operação, citando negações de pedidos de blindados e apoio da União em três ocasiões. Segundo ele, a falta de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) limitou recursos, uma vez que o presidente Lula se opõe ao mecanismo.
Em nota, o Ministério da Justiça rebateu, informando que a Força Nacional opera no estado desde 2023, com 11 renovações atendidas até dezembro de 2025. O governo federal destacou que não houve consulta prévia para a ação específica.
Castro evitou aprofundar o embate, dizendo que não responderá a tentativas de politização e que o foco deve ser no combate ao crime.
Repercussão na sociedade
O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União cobraram esclarecimentos ao governo estadual sobre o cumprimento de protocolos, como uso de câmeras corporais e presença de ambulâncias. A ação gerou fechamento de 49 escolas, afetando milhares de alunos na região.
Human Rights Watch classificou o saldo de mortes como uma tragédia, questionando alternativas menos letais. Grupos de pesquisa, como o Geni/UFF, registram 707 ações policiais com óbitos na região metropolitana desde 2007, totalizando 2.905 civis e 31 policiais mortos.
Moradores relataram dificuldades de acesso a serviços durante o dia, com ruas bloqueadas e transporte interrompido. A prefeitura recomendou evitar deslocamentos nas áreas afetadas.
Medidas de apoio logístico
Ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate posicionaram-se em pontos estratégicos para atendimento rápido. A Defesa Civil removeu os corpos localizados na praça com rabecões, sem presença policial imediata no local.
O governo estadual planeja reuniões com outros governadores via vídeo para discutir estratégias nacionais. Transferência de dez integrantes do Comando Vermelho para presídios federais foi autorizada.
Especialistas em segurança apontam a necessidade de integração entre União, estado e município para ações futuras, evitando repetições de isolamento operacional.
