A Cúpula da Segurança Pública do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira (31) os primeiros nomes identificados entre os mortos na megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital. A ação, deflagrada em 28 de outubro, visava desarticular estruturas do Comando Vermelho e resultou em 121 mortes no total, incluindo quatro policiais e 117 suspeitos. Dos 99 corpos já identificados pelo Instituto Médico-Legal (IML), 78 apresentavam histórico criminal, como envolvimento em homicídios e tráfico de drogas, enquanto 42 possuíam mandados de prisão em aberto.
Agentes do IML trabalharam desde terça-feira em uma força-tarefa para agilizar as identificações, priorizando exames balísticos e de DNA quando necessário. A operação mobilizou 2.500 policiais civis e militares, com foco em cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão. Confrontos intensos ocorreram na Serra da Misericórdia, área de mata que separa as comunidades.
- Principais apreensões incluíram 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver, além de uma tonelada de drogas.
- 113 pessoas foram presas, sendo 33 vindas de outros estados como Amazonas e Bahia.
- Dez menores infratores também foram apreendidos durante as incursões.
Origem interestadual dos envolvidos
Trinta e nove dos identificados procediam de outros estados, destacando a rede nacional do grupo criminoso. Treze vinham do Pará, sete do Amazonas, seis da Bahia, quatro do Ceará, quatro de Goiás, três do Espírito Santo, um do Mato Grosso e um da Paraíba. Esses dados reforçam que os complexos atuavam como centro de coordenação para atividades em diversas regiões do país.
Investigações de inteligência indicam que os locais serviam para treinamentos armados, preparando membros para retornar a seus estados de origem. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, enfatizou que a operação interrompeu fluxos de armamento e entorpecentes que abasteciam facções em pelo menos dez unidades da federação.
Chefes eliminados na ação
A operação neutralizou líderes regionais do tráfico, enfraquecendo a hierarquia do Comando Vermelho. Entre os mortos, destacam-se nomes como DG e FB, chefes na Bahia; Mazola, responsável por Feira de Santana, também na Bahia; e PP, líder no Pará. Esses indivíduos coordenavam envios de drogas e armas a partir do Rio.
Outros eliminados incluem Chico Rato e Gringo, de Manaus, no Amazonas; Russo, de Vitória, no Espírito Santo; Fernando Henrique dos Santos, de Goiás; e Rodinha, de Itaberaí, no mesmo estado. A polícia confirmou que esses chefes participavam de reuniões estratégicas nos complexos, usando a proximidade com vias expressas para logística.
A eliminação desses alvos ocorreu durante incursões na Vila Cruzeiro e na área de mata, onde grupos armados resistiram com fuzis de grosso calibre.
Estratégia da operação Contenção
A ação começou às primeiras horas de terça-feira, com helicópteros e drones monitorando movimentações suspeitas. Policiais do BOPE avançaram pela Serra da Misericórdia, local de embates prolongados que duraram mais de 12 horas. Câmeras corporais registraram as abordagens, conforme exigido por normas judiciais.
Moradores auxiliaram no transporte de corpos encontrados na mata para pontos acessíveis, facilitando o trabalho do IML. O governador Cláudio Castro afirmou que a operação devolve a mobilidade urbana à população, com foco em cumprir a lei e técnica policial.
Equipamentos como bombas lançadas por drones foram usados para dispersar barricadas erguidas por criminosos.
Perfil do principal alvo foragido
O traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, escapou do cerco apesar de ser o foco principal da operação. Nascido em 1970, em Caiçara, ele ocupa a terceira posição na hierarquia do Comando Vermelho, abaixo apenas de Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar, ambos presos. Sua ficha inclui prisões por porte ilegal de arma e tráfico desde 2007.
Doca utilizou subordinados para criar barreiras e fugir pela área de mata. O Disque Denúncia oferece R$ 100 mil por informações sobre seu paradeiro. Registros indicam que ele ordenava execuções internas e expandia rotas de distribuição de entorpecentes.
Balanço de apreensões e prisões
As forças de segurança registraram 113 detenções, com destaque para 33 indivíduos de fora do estado. Armas de alto poder de fogo dominaram as apreensões, totalizando 118 itens, o maior volume em uma única ação no Rio. Uma tonelada de drogas, incluindo maconha e cocaína, foi confiscada em depósitos improvisados.
Dez menores foram apreendidos com munições e celulares usados para coordenação. Os presos enfrentam acusações de associação ao tráfico e porte ilegal. A operação também interrompeu rotas de fuga por túneis subterrâneos na região.
