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João Ricardo Rangel Mendes, fundador e ex-CEO da agência de viagens online Hurb, foi detido na noite de 5 de janeiro de 2026. A prisão ocorreu no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará, enquanto ele tentava embarcar em um voo com destino a Guarulhos, São Paulo, utilizando um documento de identidade falso.

A ação foi desencadeada após funcionários da companhia aérea desconfiarem da autenticidade do documento apresentado durante o procedimento de embarque. Além da falsificação, foi constatado que o empresário, que estava sob monitoramento judicial, usava uma tornozeleira eletrônica completamente descarregada.

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Após ser abordado pela Polícia Militar, acionada pela segurança do aeroporto, Mendes foi conduzido à Delegacia Regional de Acaraú. No local, ele foi autuado em flagrante pelo crime de uso de documento falso, um novo capítulo em sua extensa lista de problemas com a justiça, que se intensificaram após a crise que atingiu sua empresa.

joão ricardo mendes
joão ricardo mendes – Divulgação

Como ocorreu a identificação no aeroporto

A suspeita que levou à prisão de Mendes surgiu durante a verificação de rotina no balcão de embarque de um voo da companhia Latam, por volta das 23 horas. A equipe de atendimento notou inconsistências evidentes no documento de identidade, que estava em nome de um terceiro, levantando o alerta imediato.

Agentes do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) foram mobilizados para atender à ocorrência. Ao chegarem ao local, os policiais confirmaram a falsificação do documento, que foi descrita por fontes ligadas à investigação como grosseira, facilitando a identificação do crime e a subsequente detenção do empresário.

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Violação de medida judicial e documento falso

Um dos fatores que agravaram a situação de João Ricardo Rangel Mendes foi a constatação de que sua tornozeleira eletrônica estava sem bateria. O dispositivo é uma medida cautelar imposta pela justiça como alternativa à prisão em regime fechado, e mantê-lo funcional é uma obrigação do monitorado.

O descumprimento dessa regra configura uma violação direta de uma ordem judicial. Essa infração pode levar à revogação do benefício de responder ao processo em liberdade, resultando em um mandado de prisão para cumprimento de pena em regime fechado, independentemente do novo crime cometido.

Somado a isso, o uso de documento falso é um crime previsto no artigo 304 do Código Penal brasileiro. A tentativa de embarcar com uma identidade que não era sua indica uma possível intenção de fugir ou se esquivar de suas obrigações legais, o que será objeto de investigação no inquérito policial já instaurado.

O histórico de problemas com a justiça

A necessidade de monitoramento eletrônico para João Ricardo Mendes teve origem em um caso anterior, ocorrido em abril de 2025. Naquela ocasião, ele foi preso em flagrante no Rio de Janeiro por furto de obras de arte em um hotel de luxo e em um escritório de arquitetura na Barra da Tijuca. O empresário subtraiu quadros e esculturas cujo valor total foi estimado em aproximadamente R$ 23 mil. Parte dos itens foi localizada e recuperada pelas autoridades em sua residência, localizada em um condomínio de alto padrão. A justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, alegando a periculosidade do réu e a existência de outros antecedentes. Mendes permaneceu detido por cerca de três meses, sendo liberado em julho de 2025 sob a condição de usar a tornozeleira eletrônica, medida que ele descumpriu ao ser flagrado em Jericoacoara.

A crise que abalou a reputação da Hurb

A trajetória de Mendes como empresário começou a ruir publicamente com a crise financeira e operacional que atingiu a Hurb após a pandemia de Covid-19. A empresa, que se popularizou vendendo pacotes de viagem com datas flexíveis a preços muito baixos, não conseguiu honrar seus compromissos quando a demanda por viagens explodiu.

Milhares de consumidores registraram reclamações em órgãos de defesa do consumidor, relatando cancelamentos unilaterais, impossibilidade de agendar as viagens compradas e uma enorme dificuldade para obter o reembolso dos valores pagos. A situação gerou uma avalanche de processos judiciais contra a companhia.

A crise de credibilidade se aprofundou a ponto de a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) intervir, exigindo que a Hurb apresentasse demonstrativos financeiros detalhados para comprovar sua capacidade de cumprir os contratos vendidos. A empresa também foi proibida de comercializar novos pacotes com datas flexíveis.

A reputação da Hurb foi severamente danificada, transformando o que era uma história de sucesso do empreendedorismo digital brasileiro em um caso emblemático de má gestão e desrespeito ao consumidor, com consequências que se estenderam para a esfera criminal de seu fundador.

Da ascensão ao colapso do império de viagens

A história de João Ricardo Rangel Mendes no mundo dos negócios começou de forma modesta, aos 18 anos, com uma barraca de bebidas na Praia do Pepê, no Rio de Janeiro. O grande salto ocorreu em 2011, quando ele e seu irmão fundaram o Hotel Urbano, uma plataforma online que surfou na onda dos sites de compras coletivas para vender pacotes de viagens e hospedagens com descontos agressivos. A empresa cresceu de forma exponencial, consolidando-se como uma das principais agências de viagens digitais do país.

Com o tempo, o Hotel Urbano passou por um rebranding e se tornou a Hurb. A estratégia de vender pacotes flexíveis, especialmente durante a pandemia, atraiu milhões de clientes que sonhavam em viajar após o período de restrições. No entanto, o modelo de negócio, que dependia da compra de passagens e diárias em um cenário de baixa demanda para atender clientes no futuro, mostrou-se insustentável. Quando os preços do setor de turismo dispararam, a empresa não conseguiu arcar com os custos, o que deu início ao colapso operacional e à crise de confiança que culminou em sua derrocada.

A conturbada saída do comando da empresa

Em abril de 2023, no auge da crise da Hurb, João Ricardo Rangel Mendes renunciou ao cargo de CEO. Sua saída foi motivada por uma série de polêmicas, incluindo a exposição de dados pessoais de um cliente em um grupo de WhatsApp e um comportamento considerado inadequado em interações nas redes sociais, onde chegou a debochar de consumidores que reclamavam.

Em uma carta pública divulgada na época, ele admitiu ter cometido erros e atribuiu parte de seu comportamento a fatores pessoais, como o luto familiar. No entanto, sua gestão já era alvo de intensas críticas, e sua renúncia foi vista como uma tentativa de controlar os danos à imagem da empresa, que já estava severamente comprometida.

Desdobramentos legais da nova detenção

Com a autuação em flagrante na delegacia de Acaraú, um inquérito policial foi formalmente aberto para investigar todas as circunstâncias do crime de uso de documento falso. As autoridades cearenses estão em contato com a justiça do Rio de Janeiro para compartilhar informações sobre o descumprimento das medidas cautelares, o que deve agravar a situação jurídica do empresário nos processos aos quais ele já responde.

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Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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