Brasil define os seis atletas das modalidades de gelo para as Olimpíadas de Inverno em Milão-CortinaPor Thiago Lemos
7 min de leitura
![]() |
A Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) divulgou oficialmente, na tarde desta quarta-feira (21), a lista final com os nomes dos seis atletas que representarão o país nas competições de gelo dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina. O anúncio confirma a equipe que se juntará aos competidores das modalidades de neve, completando a delegação nacional que disputará o evento na Itália entre os dias 6 e 22 de fevereiro.
Com a soma dos atletas de neve, o Brasil alcança a marca histórica de 14 esportistas qualificados, estabelecendo um novo recorde de participação do país em uma única edição dos Jogos de Inverno. Este número reflete um avanço significativo no desenvolvimento e na profissionalização das modalidades de frio, superando as participações anteriores e ampliando a presença brasileira no cenário olímpico global.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
O grupo de elite das modalidades de gelo é formado por uma mistura de veteranos e novos talentos. A equipe inclui a competidora de skeleton Nicole Silveira e o experiente piloto de bobsled Edson Bindilatti. Completam o time de bobsled os atletas Davidson de Souza (conhecido como Boka), Luís Bacca, Rafael Souza e Gustavo Ferreira, que formam o quarteto focado em obter um desempenho competitivo nas pistas italianas.
Promessa é dívida, viu? 😅
E essa promessa que o Bruno Fratus fez para o time de bobsled para os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026?
▶️ Confira mais desse encontro no episódio #009 do Time Brasil Pelo Mundo, disponível em https://t.co/b3cm40HRRs! pic.twitter.com/xZruWKB0wx
— Time Brasil (@timebrasil) January 21, 2026
A expectativa em torno da delegação é alta, com os atletas tendo passado por um ciclo de preparação intenso em centros de treinamento na Europa e na América do Norte. O objetivo principal é superar as marcas históricas do Brasil e buscar posições de destaque em um dos eventos esportivos mais prestigiados do mundo, que reunirá os melhores atletas de inverno em diversas sedes italianas.
A experiência da equipe de bobsled
A equipe de bobsled chega a Milão-Cortina com uma base sólida e entrosada, fator crucial em uma modalidade decidida por milésimos de segundo. A liderança fica a cargo de Edson Bindilatti, um dos atletas mais experientes do time, que participa de mais uma edição olímpica e serve como pilar para o quarteto. Sua função como piloto é fundamental para guiar o trenó nas descidas em alta velocidade, exigindo precisão e sangue-frio.
Os demais integrantes, Davidson de Souza, Luís Bacca, Rafael Souza e Gustavo Ferreira, desempenham papéis estratégicos que vão desde o “push” inicial, a corrida que impulsiona o trenó, até a estabilização do equipamento durante o percurso. O trabalho em perfeita sincronia é resultado de anos de treinamento conjunto, visando otimizar cada movimento para garantir a máxima velocidade e segurança na pista de Cortina d’Ampezzo, conhecida por suas curvas desafiadoras.
Nicole Silveira lidera esperanças no skeleton
Nicole Silveira é apontada como uma das principais esperanças de um resultado expressivo para o Brasil. Competindo no skeleton, modalidade individual de alta velocidade, a atleta consolidou sua posição no cenário internacional com desempenhos consistentes em etapas da Copa do Mundo ao longo do último ciclo olímpico.
Para sua segunda participação consecutiva nos Jogos, Nicole expressou grande entusiasmo e afirmou estar focada em alcançar sua melhor forma física e mental. A preparação da atleta incluiu um estudo detalhado da pista italiana, adaptando sua técnica de pilotagem para as características específicas do traçado, que exige coragem e controle absoluto do trenó.
O objetivo de Silveira é claro: avançar nas classificatórias e lutar por uma posição entre as melhores do mundo. O investimento contínuo em seu desenvolvimento técnico pela CBDG busca consolidar o Brasil como uma nação emergente também nos esportes de descida individual no gelo, quebrando a hegemonia das potências tradicionais da modalidade.
Uma delegação recorde para o Brasil
A marca de 14 atletas qualificados para Milão-Cortina é um feito celebrado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e pela CBDG. Esse número representa não apenas um recorde, mas também a diversificação da presença do país em diferentes modalidades, tanto no gelo quanto na neve.
Este crescimento é fruto de um planejamento estratégico que incluiu maior investimento em programas de intercâmbio. Permitir que os atletas treinassem e competissem em pistas de alto nível no exterior foi determinante para que alcançassem os índices olímpicos exigidos pelas federações internacionais.
Outro fator importante foi o fortalecimento de programas de captação de talentos, especialmente entre comunidades de brasileiros que vivem em países com clima frio. Essa iniciativa tem ampliado a base de atletas com potencial para representar o país em competições de inverno no futuro.
Além disso, a estrutura de apoio aos esportistas foi aprimorada, com equipes multidisciplinares que incluem médicos, fisioterapeutas e psicólogos. Esse suporte integrado garante que os atletas cheguem às competições nas melhores condições possíveis para performar em alto nível.
Preparação intensa e desafios logísticos na Europa
A fase final de preparação dos atletas brasileiros envolverá um período de aclimatação na Europa semanas antes do início dos Jogos. Essa etapa é crucial para a adaptação ao fuso horário, ao clima e, principalmente, às condições específicas do gelo das pistas de competição. Para os pilotos, como Nicole Silveira e Edson Bindilatti, treinar no local das provas permite a memorização de cada curva e a identificação dos melhores trajetos para ganhar tempo.
A logística para uma delegação de esportes de inverno é complexa e envolve o transporte de equipamentos de grande porte e alta tecnologia. Os trenós de bobsled e skeleton, por exemplo, são caros, sensíveis e exigem manutenção constante. A equipe técnica brasileira já tem um plano detalhado para garantir que todo o material chegue em perfeitas condições e esteja ajustado para o desempenho máximo dos atletas durante as disputas oficiais.
Buscando superar marcas históricas em Milão-Cortina
O Brasil participa dos Jogos Olímpicos de Inverno desde Albertville 1992, e ao longo das décadas, tem evoluído de uma presença simbólica para uma participação cada vez mais competitiva. A delegação que vai à Itália carrega a responsabilidade e a motivação de buscar o melhor resultado da história do país no evento. Atualmente, a principal marca pertence a Isabel Clark, que alcançou a nona posição na prova de snowboard cross nos Jogos de Turim, em 2006. O objetivo da equipe de 2026 é igualar ou, idealmente, superar esse feito, colocando um atleta entre os oito melhores do mundo. Para isso, a estratégia se baseia na combinação da vasta experiência de atletas como Bindilatti com a energia e o potencial de competidores que estão no auge de suas carreiras, como Nicole Silveira. A aposta é que essa mescla possa render desempenhos consistentes e, quem sabe, uma surpresa positiva contra adversários de nações com séculos de tradição em esportes na neve e no gelo.
O rigoroso caminho da qualificação olímpica
A conquista das vagas para Milão-Cortina não foi uma tarefa simples. Os atletas brasileiros enfrentaram um ciclo de quatro anos de competições intensas para somar os pontos necessários nos rankings mundiais de suas respectivas modalidades. A participação em etapas da Copa do Mundo, Copa América e outros eventos internacionais foi obrigatória para atender aos critérios rigorosos estabelecidos pelas federações, garantindo que apenas os melhores do mundo estivessem presentes na Itália.















