Ciência

Nasa lança sondas gêmeas para desvendar mistério do desaparecimento da atmosfera de Marte

Nasa
Foto: Nasa - JHVEPhoto/ Shutterstock.com
Compartilhar
Siga no Google

A Nasa lançou nesta sexta-feira uma missão composta por duas sondas espaciais idênticas com o objetivo de estudar a atmosfera de Marte. Os equipamentos buscam entender o processo que transformou o vizinho terrestre de um mundo com água líquida em um deserto gelado e inóspito. A decolagem ocorreu conforme o cronograma técnico da agência. Cientistas esperam que os dados coletados revelem como o vento solar e outros fatores espaciais removeram os gases que protegiam o planeta. Esta é uma das etapas mais críticas para compreender a habitabilidade do sistema solar.

O projeto foca na interação entre as partículas carregadas do Sol e as camadas superiores do solo marciano. Historicamente, Marte possuía rios e possivelmente oceanos, indicando uma proteção gasosa muito mais densa do que a verificada atualmente. O envio de dois orbitadores simultâneos permite uma análise tridimensional inédita. Enquanto um mede as condições externas do vento solar, o outro verifica a reação imediata na atmosfera. Essa triangulação de dados elimina variáveis que missões anteriores, com apenas um veículo, não conseguiam isolar com precisão.

Tecnologia das sondas gêmeas permite monitoramento simultâneo

A estratégia de utilizar naves idênticas em órbitas complementares resolve um antigo problema da astrofísica planetária. Quando uma sonda solitária detecta uma mudança na pressão atmosférica, não é possível saber se o evento é global ou apenas uma variação local passageira. Com o novo par de orbitadores, a Nasa consegue observar o planeta de dois ângulos diferentes ao mesmo tempo. Isso garante que a perda de partículas para o vácuo espacial seja medida em tempo real e com profundidade.

Os instrumentos a bordo são capazes de identificar a composição química exata dos gases que ainda restam ao redor de Marte. A missão deve durar pelo menos dois anos terrestres, cobrindo diferentes estações marcianas e ciclos solares. O custo total do programa envolveu o desenvolvimento de sensores de última geração e sistemas de comunicação de alta velocidade. A telemetria inicial indica que todos os sistemas operam dentro da normalidade após a separação do foguete lançador.

Abaixo, os principais objetivos científicos da operação:

  • Medir a taxa atual de escape de oxigênio e hidrogênio para o espaço.
  • Analisar como o campo magnético remanescente de Marte influencia a proteção do solo.
  • Mapear a estrutura da ionosfera marciana sob diferentes intensidades de vento solar.
  • Identificar as causas da transformação de um clima temperado para o frio extremo.
  • Validar modelos teóricos sobre a evolução de planetas rochosos similares à Terra.
Nasa
Nasa – John M. Chase/ istockphoto.com

Transição climática de Marte desafia pesquisadores da agência

Evidências geológicas coletadas por robôs como o Curiosity e o Perseverance mostram que o solo de Marte já foi úmido e quente. Crateras e vales apresentam marcas de erosão que só poderiam ter sido causadas por fluxos persistentes de água líquida. No entanto, sem uma atmosfera robusta para gerar efeito estufa e pressão, a água evaporou ou congelou no subsolo. A Nasa quer descobrir exatamente em que ponto da história essa proteção foi “varrida” para longe.

Estudos preliminares sugerem que a perda do campo magnético global de Marte foi o gatilho principal para o desastre ambiental. Sem um escudo magnético, o planeta ficou exposto ao bombardeio constante de radiação. As sondas gêmeas vão testar se essa teoria explica a rapidez com que os oceanos desapareceram. Compreender esse fenômeno ajuda a prever o destino de outros exoplanetas descobertos fora do nosso sistema.

Próximos passos após a inserção na órbita marciana

A viagem até o planeta vermelho deve durar cerca de sete meses, utilizando uma trajetória de transferência de baixa energia. Durante o percurso, os engenheiros realizarão calibrações periódicas nos sensores de plasma e magnetômetros. A chegada está prevista para o final de 2026, quando as sondas executarão manobras de frenagem para entrar em órbita elíptica. Somente após essa fase é que a coleta sistemática de informações terá início definitivo.

A equipe de controle na Terra monitora a saúde das baterias e o alinhamento dos painéis solares das duas naves. Por serem gêmeas, a manutenção de software é simplificada, permitindo atualizações simultâneas para ambos os sistemas. Se os resultados forem positivos, a Nasa estuda aplicar o mesmo conceito de missões duplas para explorar as luas de Júpiter e Saturno no futuro. A precisão dos dados atuais é considerada essencial para o planejamento de futuras viagens tripuladas ao solo marciano.

O sucesso do lançamento reforça o papel do centro de controle em coordenar missões multiveículos em ambiente profundo. A agência espacial destaca que a cooperação internacional foi fundamental para o desenvolvimento de partes específicas do hardware. O volume de dados gerado por essa missão exigirá uma rede global de antenas para garantir que nenhum detalhe da atmosfera seja perdido. O mistério sobre o deserto vermelho está mais próximo de uma solução científica definitiva.

Compartilhar

Mais notícias em Ciência

Veja mais