David Hearn, ex-atleta olímpico que competiu na canoagem slalom pelos Estados Unidos em três edições dos Jogos, revelou ter sido detido pela polícia na última sexta-feira (19). A prisão ocorreu após ele ter tocado um fragmento do revestimento azul que se encontrava parcialmente solto no espelho d’água do Memorial Lincoln, na capital Washington.
“Observei uma ponta descolada do revestimento azul. Estendi a mão e apenas encostei na extremidade dessa seção, que estava desprendida, mas ainda firmemente presa ao fundo”, relatou Hearn à ABC News. Ele enfatizou: “Consegui apenas tocar a borda dessa parte que continuava fixada e a manuseei levemente. Não removi, não causei nenhum tipo de avaria, não rasguei, não quebrei, não destruí, nem provoquei qualquer tipo de dano à estrutura do espelho d’água”.
Conforme seu depoimento, os policiais iniciaram o processo de algemá-lo sem que ele fosse formalmente notificado sobre as acusações. O antigo competidor olímpico ainda mencionou que seus direitos não foram lidos e que permaneceu sob custódia por cinco horas, impedido de realizar chamadas. Somente após esse período foi liberado, aguardando agora sua apresentação à Justiça americana no mês de julho.
Este incidente de detenção acontece em um cenário de controvérsia em torno da recente reforma do local, avaliada em US$ 14,65 milhões, que já apresenta falhas com algas e descascamento da pintura poucos dias após sua finalização. No último final de semana, o ex-presidente Donald Trump buscou culpar atos de vandalismo pelos problemas, mas não forneceu nenhuma evidência para sustentar suas alegações.
3-TIME US OLYMPIAN David Hearn ARRESTED
National Guard cuffs canoeist over Reflecting Pool ‘VANDALISM’ pic.twitter.com/aaSeeCO7AJ— RT (@RT_com) June 20, 2026
Detalhes da controversa reforma no espelho d’água
Por ordem do então presidente Trump, a histórica piscina foi esvaziada e revitalizada com foco nas celebrações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos. A intenção primária do líder norte-americano era eliminar a tonalidade esverdeada do espelho d’água, causada pela proliferação de algas, e aplicar uma pintura azul no fundo.
Contudo, menos de quinze dias após o anúncio da conclusão da obra por Trump, frequentadores do Lincoln Memorial, situado em Washington D.C., começaram a observar o desprendimento da tinta do fundo da piscina refletora, que se espalhava na água.
O projeto de revitalização foi executado por meio de um contrato de US$ 14,7 milhões (equivalente a aproximadamente R$ 75,6 milhões), firmado sem a necessidade de licitação pública.
“Detectamos problemas graves decorrentes de atos de vandalismo no esplêndido espelho d’água”, publicou Trump em sua plataforma social na noite da última sexta-feira (19).
Ele acrescentou: “Assim como há três dias, a grama ao redor da piscina foi destruída, e esforços foram feitos para danificar a superfície interna recém-instalada”. É crucial notar que Trump não divulgou quaisquer evidências que sustentassem essas alegações de vandalismo.
A renovação da piscina do Lincoln Memorial fez parte de uma série de grandes projetos propostos por Trump para reconfigurar a paisagem de Washington. Entre outras iniciativas do então presidente norte-americano estavam a edificação de um novo salão de bailes no local da antiga Ala Leste da Casa Branca e a construção de um grande arco nas proximidades do Cemitério Nacional de Arlington.
As entidades encarregadas da segurança e conservação do National Mall, incluindo o Serviço Nacional de Parques, não se manifestaram sobre o ocorrido.
O jornal “Washington Post” noticiou que a Polícia de Parques efetuou uma prisão na sexta-feira, sob a alegação de que a pessoa detida estaria removendo tinta da piscina.
Trump, por sua vez, reforçou a ideia de que algo suspeito estava em curso. “Não é diferente dos produtos químicos aplicados no National Mall; algo similar foi utilizado no espelho d’água na tentativa de destruir e desvalorizar nosso magnífico trabalho”, publicou ele na rede social Truth Social.
A referência de Trump era sobre a descoberta, na semana anterior, de grandes inscrições numéricas “86 47” na grama descolorida do National Mall. Autoridades indicaram que esses números poderiam constituir uma ameaça ao então 47º presidente. O número 86 é frequentemente interpretado como gíria para “se livrar de” alguém. O incidente permanece sob investigação, adicionando um contexto político às acusações de vandalismo.
As declarações do ex-presidente surgiram após vários dias de repercussão negativa acerca da condição do espelho d’água, cuja reforma, promovida por ele mesmo, custou mais de US$ 14 milhões visando às celebrações dos 250 anos dos EUA. Logo após a conclusão da obra, houve uma intensa proliferação de algas, retornando a tonalidade esverdeada à água – a mesma cor que Trump almejava eliminar ao determinar a pintura do fundo em “azul bandeira americana”.
Funcionários federais realizaram o tratamento da água com substâncias químicas para erradicar as algas. Atualmente, entretanto, porções da tinta azul se descolaram, revelando o fundo rochoso original.

