Deputados aprovam exigência de capacitação no transporte público para atender usuários com deficiência e TEA

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Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Silvia Cristina (PP-RO) Foto: Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Silvia Cristina (PP-RO)

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados deu um passo significativo para aprimorar o atendimento no transporte público coletivo brasileiro. O colegiado aprovou uma proposta que visa incorporar a capacitação de profissionais do setor entre as diretrizes fundamentais da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Essa medida busca garantir que os trabalhadores estejam preparados para lidar com as necessidades específicas de diversos grupos de passageiros, promovendo um serviço mais inclusivo e acessível.

O objetivo central da iniciativa é elevar a qualidade do serviço prestado, com foco especial naqueles que mais necessitam de suporte. A proposta prioriza o atendimento a pessoas com deficiência, indivíduos com mobilidade reduzida e passageiros com transtorno do espectro autista (TEA), reconhecendo a importância de uma abordagem mais empática e eficiente no dia a dia do transporte urbano.

Ampliação do conceito de acessibilidade

A proposta, que segue em análise no parlamento, parte do Projeto de Lei 3425/25, originalmente apresentado pelo deputado Amom Mandel (Republicanos-AM). Por recomendação da deputada Silvia Cristina (PP-RO), que atuou como relatora, foi aprovada uma versão aprimorada, desenvolvida pela Comissão de Desenvolvimento Urbano. Este texto revisado preserva a essência da matéria original, introduzindo apenas ajustes pontuais de redação para maior clareza e adequação legislativa.

A relatora Silvia Cristina enfatizou a dimensão ampliada da acessibilidade, que vai além das adaptações físicas. “A efetiva acessibilidade não se restringe às adaptações estruturais e arquitetônicas dos veículos e equipamentos urbanos. Ela também exige a capacitação adequada dos profissionais que atendem os usuários”, afirmou a parlamentar. Essa perspectiva ressalta que um ambiente verdadeiramente acessível se constrói tanto por meio de infraestrutura adequada quanto pela preparação humana e cultural dos envolvidos.

Historicamente, a acessibilidade no transporte público tem sido um desafio complexo, muitas vezes limitada à instalação de rampas e elevadores, que são essenciais, mas insuficientes. A falta de treinamento adequado para os funcionários pode anular o benefício dessas adaptações, criando barreiras invisíveis para os usuários. Este projeto busca preencher essa lacuna, assegurando que o suporte humano esteja à altura das inovações estruturais e que os passageiros recebam o auxílio necessário de forma padronizada e respeitosa.

A iniciativa abrange uma vasta gama de profissionais que interagem diretamente com o público no sistema de transporte. Isso inclui:

  • Motoristas, responsáveis pela condução segura e pela interação inicial com os passageiros.
  • Cobradores, que lidam com a parte financeira e podem auxiliar na orientação e assistência.
  • Outros trabalhadores do sistema de transporte coletivo que atuam no atendimento e suporte aos usuários, como fiscais e pessoal de apoio em terminais e estações.

Essa inclusão garante que todos os pontos de contato do passageiro com o serviço sejam cobertos pela política de capacitação, promovendo uma experiência mais coesa, segura e respeitosa para todos os usuários, especialmente aqueles com necessidades especiais.

Por que essa capacitação é crucial para a mobilidade urbana

A inclusão da capacitação de profissionais na Política Nacional de Mobilidade Urbana representa um avanço fundamental para a construção de cidades mais acessíveis e justas. Em um cenário onde milhões de brasileiros dependem diariamente do transporte público, a falta de preparo adequado dos operadores pode transformar uma simples viagem em um desafio intransponível para pessoas com deficiência. A medida aprovada busca mitigar essas barreiras, garantindo que o direito à mobilidade seja exercido plenamente por todos os cidadãos.

A ausência de treinamento específico muitas vezes leva a situações de constrangimento, desinformação ou até mesmo a recusa de atendimento, contrariando princípios de cidadania e inclusão social. Ao capacitar motoristas, cobradores e outros funcionários, o projeto visa não apenas ensinar técnicas de auxílio prático, mas também fomentar uma cultura organizacional de respeito, empatia e proatividade. Isso se traduz em um serviço mais eficiente, seguro e digno, onde as necessidades individuais são compreendidas e atendidas com profissionalismo e sensibilidade.

Além disso, a iniciativa contribui para a conscientização sobre a diversidade de condições humanas e as diferentes formas de interação com o ambiente urbano. Compreender as particularidades de uma pessoa com baixa visão, um cadeirante, alguém com deficiência auditiva ou um indivíduo com autismo, por exemplo, permite que o profissional ofereça o suporte correto e personalizado, evitando mal-entendidos e promovendo a autonomia do passageiro. A formação continuada é, portanto, um investimento direto na qualidade de vida e na autonomia de uma parcela significativa da população brasileira.

A efetivação dessa política de capacitação pode gerar um impacto positivo em cascata. Não só melhora a experiência do usuário com deficiência, como também pode otimizar a operação do sistema como um todo, reduzindo incidentes e reclamações. Profissionais mais bem preparados tendem a se sentir mais valorizados e seguros em suas funções, contribuindo para um ambiente de trabalho mais positivo e para a imagem de responsabilidade social das empresas de transporte, que passam a ser vistas como promotoras da inclusão.

Próximos passos no trâmite legislativo

O Projeto de Lei 3425/25 está tramitando em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, o que significa que, se aprovado pelas comissões designadas, poderá seguir diretamente para a sanção presidencial, sem a necessidade de votação no plenário da Casa. Contudo, antes de se tornar lei, a proposta ainda precisa passar por mais uma etapa crucial de avaliação técnica e constitucional.

A próxima comissão a analisar o texto será a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Este é um colegiado fundamental que avalia a constitucionalidade, a legalidade e a técnica legislativa da proposta, assegurando que ela esteja em conformidade com as leis vigentes e a Carta Magna. Caso seja aprovado na CCJ, o projeto ainda dependerá da aprovação do Senado Federal para, finalmente, ser encaminhado para a sanção presidencial e entrar em vigor, transformando-se em uma política pública de alcance nacional. A expectativa é que o processo seja célere, dada a relevância social do tema e o consenso em torno da necessidade de aprimorar a acessibilidade nos transportes públicos do país.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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