Prisão domiciliar para pastor Márcio Poncio é determinada por ministro do STF
O pastor Márcio Poncio deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó, especificamente o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Rio de Janeiro, no domingo, 12 de julho. Ele retornou para sua residência após a saída, que ocorreu no final da tarde, conforme informações da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).
A mudança em sua situação ocorreu no sábado, 11 de julho, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do empresário em regime domiciliar. Essa determinação judicial veio acompanhada de diversas medidas cautelares, incluindo a obrigatoriedade de uso de tornozeleira eletrônica.
Márcio Poncio havia sido detido pela Polícia Federal (PF) no dia 2 de julho, como parte da 5ª fase da Operação Unha e Carne. Na mesma ação, mandados de prisão também foram emitidos contra Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam sob custódia. A operação visa desvendar um complexo esquema de pagamentos relacionados ao jogo do bicho e à “Máfia do Cigarro” que envolveria agentes públicos, indicando a profundidade da investigação em âmbito estadual.
Para justificar a alteração da modalidade de prisão, o ministro Moraes considerou o delicado estado de saúde de Márcio Poncio. Ele sofre de retocolite ulcerativa grave, já passou por procedimento cirúrgico para a remoção do intestino grosso e do reto, e necessita de acompanhamento médico contínuo. Além disso, a gravidez de alto risco de sua esposa também foi um fator relevante na decisão judicial.
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No momento de sua prisão, agentes da PF encontraram Poncio em um flat localizado na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Além de ser empresário, ele é pastor da Igreja da Nuvem e conhecido por ser pai da deputada estadual Sarah Poncio, do Solidariedade-RJ, e do cantor Saulo Poncio, que fez parte da dupla UM44K.
As restrições impostas por Moraes incluem o uso do monitoramento eletrônico, a proibição de Márcio Poncio de estabelecer qualquer tipo de contato com outros indivíduos sob investigação e o veto ao uso de redes sociais. A determinação judicial abrange ainda a suspensão imediata de quaisquer documentos de porte de arma em seu nome e a exigência de entrega de seus passaportes.
Detalhes da investigação sobre jogos ilegais e a “Máfia do Cigarro”
As investigações apontam que Márcio Poncio é suspeito de envolvimento com a chamada “Máfia do Cigarro”. Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, é considerado uma das figuras de maior proeminência no jogo do bicho no estado e está sob apuração como líder da organização criminosa.
A Polícia Federal explicou que a fase atual da Operação Unha e Carne tem como objetivo aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro. Essa prática seria realizada pela nova cúpula do jogo do bicho e investiga possíveis conexões do esquema com membros dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
O que revelam as planilhas apreendidas em operações anteriores
A atual 5ª fase da Operação Unha e Carne tem sua origem na Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021. Essa operação inicial focava no combate ao monopólio de cigarros na região do Grande Rio. Naquela ocasião, Adilsinho já era um dos alvos, mas não foi localizado pelas autoridades.
Durante a Operação Fumus, a PF apreendeu planilhas que continham registros de “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”. Essas listas despertaram a atenção dos investigadores devido à indicação de possíveis repasses diretos de verbas a agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.
Há informações de que pelo menos vinte políticos estão sob investigação por suspeita de receberem pagamentos regulares de Adilsinho.
Adilsinho, o contraventor, foi capturado em fevereiro deste ano, na cidade de Cabo Frio, quase cinco anos após a primeira tentativa de prisão. Sua localização foi confirmada por meio de monitoramento realizado com o uso de drones.
Em abril, o ministro Gilmar Mendes, também do STF, declarou ter ouvido relatos de um diretor da Polícia Federal. Segundo essas informações, mais de trinta deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro estariam recebendo “mesadas” provenientes do jogo do bicho.

















