Cientistas desvendam mistério de estrelas que ‘rejuvenesceram’

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Estrela no espaço, céu estrelado Foto: Estrela no espaço, céu estrelado - Foto: Triff/ Shutterstock.com

Astrônomos solucionaram um mistério de décadas sobre estrelas que parecem mais jovens do que o ambiente ao redor, contrariando modelos tradicionais de evolução estelar. Uma equipe de pesquisadores, incluindo cientistas da Índia, revelou que esses astros “desafiadores da idade” são o resultado de um processo de “canibalismo estelar”, onde uma estrela absorve outra. A descoberta, feita em 26 de agosto de 2024, finalmente explica a anomalia.

As estrelas, classificadas como Blue Stragglers (azuis desgarradas), são comumente encontradas em aglomerados estelares densos, como os globulares. Elas se destacam por serem mais quentes e luminosas, o que as faz parecer mais jovens, em contraste com outras estrelas do mesmo aglomerado, que deveriam ter uma idade similar, já que todas se formaram na mesma época.

Embora a teoria predominante para a existência dessas estrelas indicasse fusões estelares ou transferência de massa em sistemas binários, a obtenção de evidências observacionais diretas desses eventos ocorrendo nos próprios astros sempre foi um desafio complexo para os astrônomos.

Pela primeira vez, uma equipe de astrônomos do Indian Institute of Astrophysics (IIA), em Bengaluru, um instituto autônomo vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia (DST) do Governo da Índia, observou diretamente indícios de fusões estelares. A descoberta foi feita em uma Blue Straggler específica no antigo aglomerado aberto NGC 6791. Para o estudo, a equipe utilizou dados do Ultraviolet Imaging Telescope (UVIT) a bordo do AstroSat e do telescópio espacial Gaia.

“Confirmamos que a Blue Straggler em NGC 6791 é de fato um produto da fusão de duas estrelas, detectando um aumento de lítio em sua superfície”, informou o Indian Institute of Astrophysics (IIA) em comunicado.

A instituição acrescentou que “esta é a primeira evidência observacional direta de fusões estelares em Blue Stragglers fora da nossa galáxia”. Essa confirmação de que a fusão de dois astros pode gerar uma Blue Straggler representa um avanço significativo na compreensão da evolução estelar e dos sistemas binários.

O lítio é destruído em altas temperaturas dentro das estrelas. Por isso, sua presença na superfície das Blue Stragglers indica que o astro deve ter sido formado recentemente ou que seu suprimento de lítio foi reposto por algum processo externo, como a fusão.

A descoberta auxiliará os astrônomos a aprofundar a compreensão sobre a evolução estelar e dos sistemas binários. O IIA ainda disse que “é também um passo significativo para entender a população de Blue Stragglers em outras galáxias e no Universo como um todo”.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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