SUS avança na digitalização para combater doenças tropicais e otimizar acesso à saúde em 2026Por Luís Pereira
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O Sistema Único de Saúde (SUS) está intensificando sua jornada de transformação digital, com foco estratégico no enfrentamento de doenças tropicais e na expansão do acesso ao cuidado em regiões remotas. Este tema central foi debatido durante o MEDTROP 2026, evento realizado em Brasília, reunindo especialistas para discutir como as inovações tecnológicas podem aprimorar a saúde pública brasileira.
A mesa de discussão, intitulada “Transformação Digital no SUS e o Enfrentamento das Doenças Tropicais”, contou com a participação de membros da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde. Os debates exploraram o potencial da telessaúde, a integração de dados por meio da interoperabilidade, o georreferenciamento de informações e a proteção de dados em saúde como pilares para um sistema mais eficiente e responsivo.
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Telessaúde como pilar de apoio à rede de atenção
A telessaúde foi apresentada não apenas como uma ferramenta isolada, mas como um sistema robusto de suporte à rede de atenção, especialmente vital em áreas com escassez de profissionais e dificuldades de acesso a serviços. João Pedro Braga Félix, diretor do Departamento de Inovação em Saúde Digital da SEIDIGI, enfatizou a capacidade da telessaúde e do telediagnóstico para auxiliar na tomada de decisões e qualificar os encaminhamentos, garantindo que os especialistas recebam pacientes com informações prévias que subsidiem a continuidade do tratamento.
A implantação desses serviços, conforme explicado, demanda uma análise detalhada das necessidades e da infraestrutura de cada localidade. É fundamental realizar um diagnóstico situacional para compreender os motivadores da implementação – seja a carência de profissionais, limitações de infraestrutura ou barreiras de acesso da população. Além disso, a rede de saúde precisa estar apta a dar prosseguimento ao cuidado a partir das demandas identificadas pela telessaúde.
As modalidades de telessaúde abordadas durante o evento incluem:
- Teleconsulta: consulta médica ou de outros profissionais de saúde à distância.
- Teleconsultoria: troca de informações e pareceres entre profissionais de saúde.
- Teleinterconsulta: discussão de casos clínicos entre dois ou mais profissionais.
- Telediagnóstico: emissão de laudos e pareceres diagnósticos à distância.
- Teleorientação: aconselhamento e direcionamento de pacientes e cuidadores.
Integração de dados para vigilância e resposta rápida
A interoperabilidade e a integração de informações foram destacadas como cruciais para uma visão abrangente da saúde. Joselio Emar de Araújo Queiroz, consultor técnico da SEIDIGI, detalhou o papel da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) na disseminação de informações padronizadas para cidadãos, profissionais e gestores. Essa padronização é essencial para que dados gerados por diferentes sistemas possam ser utilizados de forma coesa, transformando-os em inteligência estratégica.
No campo da vigilância em saúde, a RNDS promete revolucionar a capacidade de resposta a surtos. Ao harmonizar e padronizar os dados, é possível reduzir significativamente o intervalo entre o surgimento dos primeiros sinais de uma doença e a implementação de medidas de controle. Essa agilidade permite que as autoridades de saúde “enxerguem o surto antes da epidemia”, possibilitando ações preventivas e de proteção mais eficazes.
O consultor também ressaltou que a verdadeira transformação digital vai além da mera adoção de novas tecnologias. O maior desafio reside na mudança de mentalidade de pessoas, na otimização de processos e na adaptação de instituições, para que a tecnologia possa, de fato, gerar valor e aprimorar a qualidade do cuidado em saúde.
Georreferenciamento para identificar riscos e vulnerabilidades
A Infraestrutura de Dados Espaciais do Ministério da Saúde (IDE-MS) foi apresentada como uma ferramenta poderosa para a gestão estratégica da informação. Leandro Manassi Panitz, coordenador-geral de Gestão da Informação Estratégica em Saúde da SEIDIGI, explicou que a plataforma centraliza e disponibiliza dados georreferenciados de diversas fontes, permitindo uma análise espacial aprofundada.
A IDE-MS possibilita a associação de dados ambientais, demográficos e epidemiológicos para monitorar surtos, identificar áreas de risco e direcionar atenção especial a populações em situação de vulnerabilidade, como as comunidades indígenas e quilombolas. Exemplos práticos demonstraram a aplicação da ferramenta na Amazônia Legal, onde casos prováveis de arboviroses foram visualizados em conjunto com informações ambientais como temperatura e umidade.
Em outra demonstração, na região de Altamira, no Pará, a plataforma exibiu informações sobre comunidades tradicionais, focos de incêndio e estabelecimentos de saúde, ilustrando como a combinação de diferentes camadas de dados pode subsidiar análises complexas e a tomada de decisões em saúde. A infraestrutura também integra informações sobre eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, secas, inundações e baixa qualidade do ar, fatores que impactam diretamente a saúde pública.
Qualidade e proteção: a base da informação digital em saúde
A expansão do uso de informações no ambiente digital impõe uma atenção redobrada à qualidade e à proteção dos dados pessoais de saúde. Isabel Bispo, analista jurídica da SEIDIGI, destacou que esses dados são considerados sensíveis e, portanto, exigem cuidados rigorosos desde o momento do registro até o acesso e o compartilhamento.
A fidedignidade dos dados é um requisito inegociável. Não basta ter um volume massivo de informações se elas não refletem a realidade dos municípios e dos pacientes. Para que os dados gerem transformação e valor, eles precisam ser de alta qualidade e precisão. A segurança das informações é fundamental para que o sistema seja confiável e eficiente.
Durante sua apresentação, Isabel abordou práticas essenciais para mitigar a exposição desnecessária de informações pessoais. Entre as recomendações está a retirada de elementos identificadores de uma pessoa quando essa identificação não for estritamente necessária para a finalidade do compartilhamento. A minimização dos riscos para o indivíduo deve ser uma preocupação constante de todo profissional ao acessar ou compartilhar informações de saúde, garantindo a privacidade e a segurança dos pacientes.















