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Saturno apresenta colossal onda atmosférica com formato decagonal detectada pelo telescópio Hubble

Telescópio Espacial Hubble
Foto: Telescópio Espacial Hubble - Paopano/ Istockphoto.com
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O Telescópio Espacial Hubble, operado pela Nasa, localizou uma gigantesca onda atmosférica de 10 lados que cerca o polo sul do planeta Saturno, conforme detalhou um estudo publicado na revista Science Advances. Essa formação geométrica atua em camadas profundas do gigante gasoso e não se limita a um efeito superficial nas nuvens.

Cientistas do programa OPAL da Nasa registraram que o jato decagonal exibe uma estrutura vertical contínua que atravessa diferentes níveis de altitude da atmosfera saturniana.

Mudança sazonal expôs vórtice inédito aos telescópios

A visibilidade do polo sul para os instrumentos terrestres aumentou com a alternância periódica das estações em Saturno. Antes da confirmação espacial, os astrônomos Trevor Barry e Jean-Paul Oger notaram uma oscilação atípica em 2024 ao examinarem registros compartilhados no Laboratório Virtual de Observatório Planetário. O pesquisador Agustín Sánchez-Lavega, vinculado à Universidade do País Basco, conduziu a verificação preliminar a partir dessas imagens submetidas por observadores voluntários.

“O hexágono norte está lá sempre que o observamos há mais de 40 anos. Esta formação é diferente parece estar se intensificando, dando-nos a rara oportunidade de observar o desenvolvimento de um padrão atmosférico gigante”, afirmou a investigadora principal do OPAL. As medições obtidas pelo Hubble no espaço eliminaram qualquer distorção visual provocada pela atmosfera terrestre.

Quais dados confirmaram a extensão vertical da tempestade?

Pesquisadores cruzaram dados de diferentes épocas para entender se a estrutura já existia sem ter sido notada. “Dada a simetria do sistema de jato norte-sul de Saturno, temos procurado uma contraparte do hexágono norte de Saturno no polo sul em imagens do Hubble desde 1990”, disse Agustín Sánchez-Lavega ao recordar que os dados do telescópio confirmaram a presença da estrutura até 2023. A sonda Cassini da Nasa percorreu a órbita entre 2004 e 2017 sem achar qualquer rastro equivalente. A ausência anterior sugere um fenômeno recente.

  • 1990: início das averiguações por simetrias no polo sul com imagens do Hubble;
  • 2004 a 2017: sonda Cassini opera na órbita de Saturno sem detectar a onda decagonal;
  • 2023: instrumentos espaciais confirmam a presença da estrutura de múltiplos lados;
  • 2024: dados terrestres do Laboratório Virtual apontam faixa ondulada na região meridional.

Diferenças estruturais separam a nova onda do hexágono polar

Saturno mantém o decágono ativo.

Embora lembre o famoso hexágono do polo norte saturniano, o decágono recém-descoberto apresenta propriedades dinâmicas particulares em suas dez faces. A coordenação do programa OPAL explicou que o hexágono setentrional permanece estável há quatro décadas, enquanto o arranjo meridional continua em fase de intensificação. Essa transição oferece aos astrônomos uma oportunidade incomum para acompanhar o surgimento de correntes gasosas em escala colossal.

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