Ciência

Telescópio Espacial Hubble registra mudanças na tempestade hexagonal de Saturno

Telescópio Hubble
Foto: Telescópio Hubble - Elliptic Studio/shutterstock.com
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O Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, registrou uma onda atmosférica gigantesca com dez lados envolvendo o polo sul de Saturno. A estrutura, batizada informalmente de decágono, atravessa várias camadas da atmosfera do planeta e não se limita à superfície visível das nuvens.

O formato lembra o conhecido hexágono que existe há décadas no polo norte de Saturno. Mas há diferenças importantes. Os cientistas acreditam estar diante do nascimento de um fenômeno atmosférico novo, distinto de tudo já catalogado no planeta.

O estudo saiu na revista Science Advances em 3 de setembro de 2026.

Anos de imagens do programa Opal captaram a formação em evolução

As observações que sustentam a descoberta vêm do programa Outer Planet Atmospheres Legacy, o Opal, que fotografa os planetas externos do sistema solar todos os anos há mais de uma década. É a primeira vez que um padrão de jato com lados bem definidos aparece no hemisfério sul de Saturno.

Uma das autoras do estudo, pesquisadora principal do programa Opal, disse nunca ter visto nada parecido no hemisfério sul do planeta. “O hexágono norte está lá sempre que o observamos há mais de 40 anos. Esta formação é diferente, parece estar se intensificando, dando-nos a rara oportunidade de observar o desenvolvimento de um padrão atmosférico gigante”, afirmou.

Mudança de estação em Saturno expôs o polo sul aos telescópios da Terra

A janela de observação só se abriu porque as estações de Saturno mudaram, voltando a expor o polo sul à perspectiva da Terra. Astrônomos que analisam imagens do planeta feitas por observatórios terrestres notaram a anomalia pela primeira vez.

Trevor Barry, Jean-Paul Oger e Agustín Sánchez-Lavega, autor principal do novo estudo e pesquisador da Universidade do País Basco, foram os primeiros a identificar o padrão. A universidade mantém o Laboratório Virtual de Observatório Planetário, site que recebe imagens de planetas do sistema solar enviadas por observadores amadores de todo o mundo.

Foi ali, em 2024, que apareceu pela primeira vez uma faixa ondulada sutil ao longo do polo sul.

Confirmação exigiu a nitidez do Hubble fora da atmosfera terrestre

Para confirmar a suspeita, os pesquisadores recorreram ao Hubble. Da órbita, o telescópio capta rotações completas de Saturno com nitidez e resolução espacial que nenhum observatório terrestre alcança, sem o embaçamento causado pela atmosfera da Terra.

“Dada a simetria do sistema de jato norte-sul de Saturno, temos procurado uma contraparte do hexágono norte de Saturno no polo sul em imagens do Hubble desde 1990”, disse Sánchez-Lavega. “Imagens da sonda Cassini, da Nasa, que orbitou Saturno entre 2004 e 2017, também não mostraram nenhum indício de uma formação de longa duração. Os dados do Hubble confirmaram a presença da estrutura até 2023.”

Pesquisador do Opal destaca continuidade das observações anuais

O coautor Mike Wong atribui a descoberta à lógica do próprio programa Opal. Em vez de imagens isoladas de um único momento, o projeto acompanha a evolução de tempestades curtas e de fenômenos de longa duração ano após ano.

Wong afirma que é justamente essa consistência ao longo do tempo que permite descobertas grandes e inesperadas.

Cientistas ainda não sabem se o padrão vai se estabilizar

A equipe vai continuar observando Saturno para saber se o decágono se estabiliza numa configuração permanente ou segue mudando de forma. Não há prazo definido para essa resposta.

Observações futuras devem ajudar a entender o que impulsiona a onda, o que ela revela sobre a dinâmica atmosférica de planetas gigantes em geral e como esses fenômenos podem se relacionar com os que acontecem na Terra.

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