Dois nanossatélites educacionais brasileiros, construídos com a participação de 100 estudantes de escolas públicas de Sorocaba e Fortaleza, foram lançados ao espaço a bordo de um foguete Falcon 9 da empresa SpaceX. A decolagem ocorreu às 15h32 pelo horário de Brasília no dia 1º de outubro de 2026, a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, localizada na Califórnia, nos Estados Unidos.
Os equipamentos, identificados como EduSat-2 e EduSat-3, integraram a missão compartilhada Transporter-18, formato que reúne cargas úteis de diversos países para inserção em órbita baixa. A iniciativa faz parte do projeto “AEB – Escola em Órbita”, uma cooperação entre a startup educacional Ideia Space e a Agência Espacial Brasileira, autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação responsável pela coordenação do setor aeroespacial público nacional.
EduSat-2 reúne alunos de Sorocaba contra alagamentos
Na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, 50 estudantes do nono ano do ensino fundamental 2 da Escola Municipal Doutor Getúlio Vargas participaram de um curso de 18 horas focado em missões espaciais, realizado entre 21 e 25 de setembro de 2026. A capacitação prática abordou o uso de programação eletrônica, montagem de computadores de bordo, sensores de controle de altitude e a instalação de placas solares para a geração autônoma de energia no espaço.
Durante os exercícios em sala, os alunos paulistas definiram que os instrumentos instalados no nanossatélite EduSat-2 terão como função principal a coleta de informações voltadas para mitigar enchentes e alagamentos, além de rastrear áreas com baixa infraestrutura de telecomunicações no município. A proposta estabelecida pelo grupo visa direcionar o monitoramento orbital para bairros periféricos e regiões rurais que sofrem frequentes interrupções de conexão à internet.
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“Iniciativas como essa ampliam as possibilidades de aprendizagem ao aproximar os estudantes de experiências práticas e de áreas do conhecimento que podem despertar novos interesses e perspectivas profissionais”, afirmou a gestora da Secretaria da Educação de Sorocaba, Lídia Trujillo.
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EduSat-3 mobiliza estudantes e corpo técnico em Fortaleza
Em Fortaleza, a montagem mobilizou outros 50 jovens divididos entre a Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Professor Paulo Ayrton de Araújo e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará. A turma cearense reuniu representantes dos ensinos fundamental 2, médio e técnico para configurar a estrutura de hardware e os pacotes operacionais inseridos no nanossatélite EduSat-3.
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“Os estudantes do IFCE colaboraram montando a base eletrônica do novo satélite e depois configurando a carga útil através de uma plataforma da Agência Espacial Brasileira”, disse o professor Clauson Nascimento, docente do curso de Engenharia de Telecomunicações do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
De acordo com o diretor de Produto e Educação da Ideia Space, Matheus Six, a experiência prática coloca as turmas públicas em contato direto com sistemas avançados de engenharia. “Foi incrível ver os alunos como protagonistas na construção de tecnologia. Espero que essa seja a primeira de muitas experiências como esta, a serem vividas por escolas da região”, declarou Six sobre as etapas de manufatura.
Cronograma e etapas do projeto AEB – Escola em Órbita
- 21 a 25 de setembro de 2026: realização do curso de 18 horas de capacitação e montagem técnica com os estudantes municipais em Sorocaba.
- 1º de outubro de 2026, às 15h32 de Brasília: lançamento do foguete Falcon 9 na missão Transporter-18 na Califórnia com os nanossatélites EduSat-2 e EduSat-3.
- 3 de outubro de 2026: publicação dos relatórios operacionais sobre o envio dos artefatos à órbita terrestre.
- Fase seguinte do programa: capacitação de 500 novos estudantes em Sorocaba e abertura de seleção para 500 vagas escolares em Fortaleza.
Capacitação e próximos passos das missões educacionais
A colocação dos dois módulos no espaço amplia a constelação de satélites didáticos mantida pela Ideia Space em parceria com a Agência Espacial Brasileira. Os nanossatélites passam a operar na órbita baixa da Terra, modelo em que o tempo de rotação permite a transmissão regular de dados coletados diretamente para as plataformas de processamento vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Até o momento, não houve confirmação sobre o recebimento dos primeiros sinais de telemetria emitidos diretamente pelas antenas receptoras instaladas nos colégios parceiros. Após o processo de estabilização orbital, a empresa e a agência brasileira planejam a expansão do treinamento educacional com a formação de 500 alunos em design de missões espaciais no interior paulista e o início do processo seletivo para selecionar instituições de ensino que vão receber outras 500 vagas na capital cearense.
