O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, enfrenta a redução de bancadas no Congresso Nacional e o desgaste na relação com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), após o resultado do primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026. Além de ver a chapa presidencial com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) terminar em quinto lugar, a legenda encolheu na Câmara dos Deputados e cairá de 14 para cinco representantes no Senado Federal a partir de 2027.
Na corrida ao Palácio do Planalto, a dupla formada por Ronaldo Caiado na cabeça de chapa e Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente somou 2,18% dos votos válidos, o que corresponde a cerca de 2,6 milhões de votos. O resultado deixou o partido atrás dos candidatos que avançaram ao segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), além de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Diante da configuração da disputa presidencial entre o PT e o PL, a direção nacional da sigla decidiu adotar neutralidade na segunda etapa do pleito, liberando os diretórios estaduais para definirem seus apoios. “Diante da diversidade de cenários eleitorais que tivemos nos Estados, em que as instâncias estaduais do PSD tiveram liberdade para construir suas alianças, a direção nacional entende como natural manter esta diretriz neste segundo turno”, declarou Kassab.
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Chapa de Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab foi alternativa em 2026
A formação de uma candidatura própria ao Executivo federal não era o plano inicial da cúpula do PSD para a sucessão presidencial. Kassab trabalhou durante o mandato estadual para viabilizar o nome do governador de São Paulo na disputa nacional, mas precisou alterar a rota quando o chefe do Executivo paulista decidiu concorrer à reeleição no estado.
“Eu fiquei quatro anos tentando lançar o [governador de São Paulo] Tarcísio [de Freitas, do Republicanos] como candidato”, afirmou o dirigente partidário. “O meu candidato era o Tarcísio, todo mundo sabe.” Segundo Kassab, a escolha por Ronaldo Caiado ocorreu após a negativa do governador paulista e serviu também para demarcar que o PSD mantinha posição própria e não integrava a ala bolsonarista.
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PSD sofre redução de bancadas no Congresso Nacional e perde estados
Os resultados das urnas em 2026 diminuíram o tamanho do PSD no Poder Legislativo federal para a legislatura que se inicia em 2027. Na Câmara dos Deputados, a representação do partido caiu de 48 para 44 deputados federais eleitos. No Senado Federal, a bancada sofrerá um corte de nove cadeiras, passando dos atuais 14 senadores para cinco parlamentares.
A legenda também deixou o comando de governos estaduais relevantes, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, mas garantiu vitórias em outras unidades da federação logo na primeira rodada de votação. O PSD elegeu quatro governadores no primeiro turno de 2026 — Fábio Mitidieri em Sergipe, Dr. Furlan no Amapá, Eduardo Braide no Maranhão e Raquel Lyra em Pernambuco — e ainda disputa o segundo turno no Amazonas, com Omar Aziz, e no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, mantendo frentes de negociação regional apesar do recuo nas bancadas do Congresso.
Ao avaliar o balanço das urnas, o presidente da sigla rejeitou a leitura de fracasso generalizado e atribuiu a perda de espaço parlamentar ao avanço da legenda de Flávio Bolsonaro. “Não dá para dizer que o PSD é um dos grandes derrotados na eleição, sendo que ele cresceu na maior parte dos aspectos, e os outros perderam”, disse Kassab. “Todos os partidos de centro foram atingidos pelo PL”, acrescentou.
Atritos entre Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas no governo paulista
Em São Paulo, a aliança com Tarcísio de Freitas acumulou tensões ao longo de 2026. Kassab comandou a Secretaria de Governo e Relações Institucionais da gestão estadual desde 2023 até anunciar sua saída em 25 de março de 2026 para atuar nas articulações eleitorais. Durante a definição da chapa governista, o presidente do PSD pleiteava a vaga de vice-governador, mas Tarcísio optou por manter no posto Felício Ramuth, que deixou o PSD e se filiou ao MDB.
O impasse sobre a vaga de vice somou-se a divergências públicas iniciadas em janeiro de 2026, quando Kassab declarou que Tarcísio deveria demonstrar gratidão ao ex-presidente Jair Bolsonaro sem parecer “submisso”, o que provocou reação imediata do governador em defesa de sua lealdade a Bolsonaro. Posteriormente, em maio de 2026, prefeitos e deputados do PSD do interior paulista ameaçaram não fazer campanha para a reeleição do governador no primeiro turno por causa da manutenção de Felício Ramuth na chapa, movimento que Kassab negou ter orientado.
Expansão do PSD em 2024 contrasta com espaço reduzido em 2027
O desempenho nacional e estadual de 2026 contrasta com a expansão municipal obtida pelo partido dois anos antes. Nas eleições municipais de 2024, o PSD tornou-se a legenda com o maior número de prefeituras do país ao eleger 887 prefeitos, incluindo cinco capitais, um crescimento de 35% em relação ao pleito de 2020, quando havia conquistado 66 prefeituras apenas no estado de São Paulo.
Esse avanço territorial foi impulsionado pela migração de prefeitos e lideranças já eleitas por outras legendas, especialmente do PSDB em território paulista. Adversários e integrantes de partidos aliados acusaram Kassab de utilizar o cargo na Secretaria de Governo para atrair gestores municipais para a própria sigla, acusação que o dirigente sempre rebateu.
Reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos, Tarcísio de Freitas prepara a montagem do secretariado para o segundo mandato sem a presença do antigo articulador. A lista oficial de secretários para 2027 ainda não foi confirmada pelo governo estadual, mas aliados do governador dão como certa a exclusão de Kassab do primeiro escalão. A expectativa nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes é que a Secretaria de Governo e Relações Institucionais passe ao comando do presidente estadual do Republicanos em São Paulo e ex-secretário de Governo, Roberto Carneiro.
