Lula admite força da direita no país, mas nega subestimar Flávio

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Lula - BW Press / Shutterstock.com Foto: Lula - BW Press / Shutterstock.com

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reconheceu o crescimento da direita no Brasil e em outros países durante sabatina televisiva na segunda-feira (19). Na entrevista, o petista negou ter subestimado a capacidade de articulação de seu adversário no segundo turno, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e afirmou confiar em uma virada na votação marcada para 25 de outubro de 2026.

A sabatina teve início às 19h45 (horário de Brasília) e foi conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues, Marina Demori e Simone Queiroz. Questionado sobre a redução da vantagem entre os concorrentes nas pesquisas de intenção de voto e sobre análises de que teria atingido um teto de crescimento, Lula admitiu que esperava definir a disputa já na primeira rodada devido ao volume de ações de sua gestão. “Confesso para você que cheguei a achar que poderíamos vencer a eleição já no primeiro turno, tal era a dimensão das entregas e realizações que fizemos no governo”, afirmou.

Lula relaciona atos de rua em 1,7 mil locais ao enfrentamento da direita

Ao responder se havia subestimado o oponente e a organização do campo conservador, o presidente rejeitou a hipótese e classificou o bolsonarismo como uma força política já conhecida no país. “Ninguém subestima a capacidade da direita neste país e no mundo inteiro, até porque ela tem crescido de forma muito expressiva em quase todos os países do mundo”, declarou Lula.

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Para sustentar a projeção de vitória no segundo turno, o candidato do PT apontou a mobilização de apoiadores nas últimas semanas. Quase 1,7 mil atos de campanha, entre passeatas e carreatas, ocorreram em municípios brasileiros no sábado (17) e no domingo (18), sendo parte deles organizada de maneira espontânea por eleitores. A contagem de quase 1,7 mil manifestações foi citada pelo presidente durante a entrevista, mas ainda não há detalhamento oficial independente sobre o número de eventos.

“Estou convencido de que vamos ganhar as eleições, há um movimento na rua que há muitos anos não se via. Fazia muitos anos que não víamos a quantidade de manifestações, muitas espontâneas. Então é uma coisa extremamente importante e isso me dá certeza que vou ganhar as eleições no dia 25 de outubro”, disse o presidente.

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Estratégia de Lula mira recuperação de votos em São Paulo, Minas e no Sul

Durante a entrevista, o candidato à reeleição reconheceu que perdeu votos em estados onde aguardava um desempenho superior na primeira etapa do pleito. Para tentar reverter o quadro, Lula afirmou que a coordenação de campanha atua com aliados regionais e com o apoio de governadores do Nordeste, ao mesmo tempo em que concentra esforços para ampliar a presença no Sul e no Sudeste, regiões em que o adversário abriu vantagem expressiva na votação inicial.

Na região Sul, que reúne Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro superou a marca de 10 milhões de votos somados no primeiro turno, enquanto Lula obteve pouco mais de 5 milhões de votos nos três estados. Já no Sudeste, o plano do petista envolve ganhar terreno nos dois maiores colégios eleitorais do país. “Nós temos plenas condições de vencer em Minas Gerais, diminuir a desvantagem em São Paulo e, acontecendo isso, venceremos a eleição como vencemos as anteriores”, declarou.

Comparação de Lula com a eleição de 2002 e os números do primeiro turno

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro de 2026, colocou Flávio Bolsonaro na primeira posição com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.104.503 votos, contra 45,16% obtidos por Luiz Inácio Lula da Silva, que somou 53.879.538 votos. Já no levantamento do instituto Datafolha divulgado na quinta-feira (15), registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE, órgão máximo da Justiça Eleitoral) sob o código BR-00466/2026, o senador do PL marcou 51% das intenções de votos válidos contra 49% do atual presidente, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, após um placar anterior de 52% a 48% registrado em 8 de outubro de 2026.

Ao avaliar o cenário de decisão em duas etapas, Lula comparou a disputa de 2026 com a eleição presidencial de 2002, quando enfrentou o ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB) e acabou eleito no segundo turno com 61,27% dos votos válidos. “Não sei por que, mas em 2002 eu tinha tanta certeza que eu ia ganhar as eleições, mas tanta certeza, que eu ia para o debate como se eu fosse já eleito presidente da República, tal era a força do povo que me apoiava. E quando não deu no 1º turno, eu te confesso que fiquei muito frustrado. Fui ao meu comitê, tinha muita delegação estrangeira, todo mundo de cabeça baixa. Eu fui obrigado a fazer um discurso para levantar o moral da minha tropa”, relatou.

Na sequência, o presidente afirmou encarar o atual processo eleitoral com outra postura. “Desta vez é diferente; estou muito mais sereno, porque eleição em dois turnos funciona assim mesmo”, disse.

A emissora também convidou Flávio Bolsonaro para uma sabatina prevista para quarta-feira (21), mas o senador ainda não havia confirmado participação até a noite de segunda-feira (19). Antes da ida às urnas no domingo (25), os dois candidatos têm um último confronto direto agendado na televisão na sexta-feira (23), após terem se enfrentado em debate no domingo (18).

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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