Bancada do PL divide apoio a Davi Alcolumbre no Senado em 2027

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Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) - Waldemir Barreto/Agência Senado Foto: Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) - Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula a captação de votos dissidentes dentro do PL para garantir sua reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027, em Brasília. Mesmo com o anúncio oficial da cúpula do PL de lançar a candidatura própria do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), a bancada oposicionista registra divisão interna enquanto a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, sinaliza o afastamento da base de Alcolumbre.

A disputa pelo comando do Senado exige maioria absoluta de 41 votos entre os 81 parlamentares, escolhidos em votação secreta na abertura da legislatura. Com a eleição de 19 nomes no pleito de 4 de outubro de 2026, o PL passará a contar com 28 senadores a partir de fevereiro de 2027, formando a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde 1988, mas o tamanho da legenda não assegura vitória isolada sem alianças com o centro.

davi alcolumbre
Foto: davi alcolumbre – © Andressa Anholete/Agência Senado

Estratégia de Davi Alcolumbre para atrair votos do PL

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou em 5 de outubro de 2026 que a legenda não apoiará a recondução de Alcolumbre, sob a acusação de alinhamento do presidente do Senado com o governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto a ala bolsonarista eleita, que inclui a futura senadora Bia Kicis (PL-DF), pressiona a sigla por uma chapa puro-sangue, uma parcela dos parlamentares do partido mantém vínculos diretos com a atual gestão da Casa.

Acompanhe: Alcolumbre retira PEC da Segurança da pauta do Senado Federal

A ofensiva de Alcolumbre sobre a bancada adversária tem como articulador central o atual vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL-TO), que integra o grupo político do parlamentar amapaense e recebeu a oferta para assumir a relatoria do Orçamento de 2027, posto tradicionalmente ocupado pelo MDB. Nas conversas reservadas com senadores do PL que não pertencem ao núcleo próximo de Flávio Bolsonaro, os aliados do presidente do Senado argumentam que, caso Flávio vença a disputa presidencial, ter o comando do Legislativo também nas mãos do PL reduziria o poder de barganha individual dos congressistas nas negociações com o Palácio do Planalto.

Além das tratativas políticas, Alcolumbre utiliza a estrutura administrativa da Presidência do Senado nas conversas diretas com os parlamentares recém-eleitos. A pauta de negociações inclui a distribuição de gabinetes, a cessão de apartamentos funcionais e a nomeação para cargos vinculados à direção da Casa, fatores que pesam em uma eleição de escrutínio secreto na qual a orientação partidária formal não obriga o voto do parlamentar.

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Movimentação de Arthur Lira e o peso da federação PP-União Brasil

O cenário de Alcolumbre sofreu alterações dentro de sua própria aliança partidária. A federação composta por PP e União Brasil prepara a retirada do apoio à reeleição do senador amapaense em razão de sua aproximação com Lula, movimento que ocorre no momento em que dirigentes das duas legendas apoiam Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.

Nesse rearranjo, o deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), eleito senador em outubro com a maior votação do estado de Alagoas, passou a atuar nos bastidores como fiel da balança da sucessão. Questionado sobre a possibilidade de concorrer ao comando do Senado em 2027, Lira afirmou que uma candidatura própria é “pura especulação”, mas evitou declarar voto em Alcolumbre. Aliados do ex-presidente da Câmara avaliam que, como o mandato da Mesa Diretora iniciado em 2027 permite apenas dois anos na presidência sem direito à reeleição imediata dentro da mesma legislatura, ele pode priorizar a disputa de 2029, quando o eleito terá a prerrogativa de tentar a recondução para permanecer quatro anos no posto. Outro nome do partido cotado nas articulações é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que aparece como alternativa para compor chapa com Rogério Marinho ou disputar os votos de centro caso Alcolumbre não viabilize sua permanência.

Matemática das bancadas para os 41 votos em fevereiro de 2027

Interlocutores de Alcolumbre estimam que ele reúne atualmente entre 44 e 49 votos, mas a contagem depende de siglas que ainda negociam espaço na Mesa Diretora e no comando das comissões permanentes. A base declarada do atual presidente conta com MDB e PSD, que somam 13 senadores projetados para 2027 e têm manifestações favoráveis de lideranças como Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA). Sobre a recondução do aliado, Alencar afirmou: “Tive a oportunidade de dar meu voto favorável para a presidência dele e posso fazer isso novamente pelo trabalho dele”.

Na busca pelos votos dos 9 senadores do PT e das siglas de esquerda, Alcolumbre pautou e articulou no Senado a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala de trabalho 6×1. Ainda assim, a soma de MDB, PSD, PT e partidos menores de centro-esquerda — PSB, PDT e Rede — atinge 28 votos. Mesmo que adicione os 5 senadores do Republicanos, além das bancadas do PSDB e do Podemos, o atual presidente não alcança o mínimo de 41 votos sem o suporte da federação PP-União Brasil ou a adesão de dissidentes do PL. Do outro lado, Rogério Marinho parte de uma base de 31 votos, formada pelos 28 integrantes do PL e pelos 3 senadores do partido Novo, necessitando de ao menos 10 votos adicionais que podem ser supridos caso a federação de Lira e Tereza Cristina feche acordo com a oposição.

Derrotas no Amapá e histórico de confrontos entre os candidatos

A campanha pela reeleição ocorre após reveses eleitorais do grupo de Alcolumbre em seu reduto, o Amapá, no primeiro turno de outubro de 2026. O governador Clécio Luís perdeu a disputa pela reeleição para Dr. Furlan, enquanto a candidata Alliny Serrão (União Brasil) não conquistou a vaga ao Senado pelo estado, resultados que reduziram o capital político de Alcolumbre e levaram adversários a mencionarem nos bastidores a indicação para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) como saída para o senador.

Apesar das perdas regionais, o presidente do Senado recorda a aliados o desfecho da eleição para a Mesa Diretora realizada em 2023, quando seu grupo político articulou a reeleição de Rodrigo Pacheco e derrotou o próprio Rogério Marinho pelo placar de 49 votos a 32, resultado que deixou o PL fora da Mesa e da presidência de comissões por dois anos. A tensão entre os dois adversários voltou a se manifestar publicamente na última quinta-feira (15), quando Alcolumbre e Marinho discutiram no plenário do Senado após a retirada da PEC da Segurança Pública da pauta de votações.

Até o momento, não estão confirmadas as posições oficiais que a federação PP-União Brasil e o partido Republicanos adotarão formalmente na escolha da Mesa Diretora, nem a quantidade exata de votos de Davi Alcolumbre diante do caráter secreto do pleito. O calendário de articulações para a sucessão no Senado segue o cronograma político e eleitoral definido até o início da próxima legislatura:

  • 4 de outubro de 2026: realização do primeiro turno das eleições gerais, com a definição dos novos senadores;
  • 5 de outubro de 2026: anúncio oficial do PL descartando apoio a Davi Alcolumbre e lançando Rogério Marinho;
  • 15 de outubro de 2026: discussão em plenário entre Alcolumbre e Marinho após a retirada da PEC da Segurança Pública;
  • Domingo (25): votação do segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro;
  • Fevereiro de 2027: posse dos senadores eleitos e realização da votação secreta para a presidência do Senado.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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