Guaíba tem faixa de proteção de 10 a 30 metros como lago no RS

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Rio Guaiba - Diego Grandi - shutterstock.com Foto: Rio Guaiba - Diego Grandi - shutterstock.com

A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema) e a Prefeitura de Porto Alegre classificam oficialmente o Guaíba como um lago, definição que contraria o hábito da população gaúcha de chamá-lo de rio. Essa determinação técnica, em vigor na gestão pública estadual e municipal em 23 de outubro de 2026, estabelece uma faixa de proteção ambiental nas margens que varia entre 10 e 30 metros onde não são permitidas construções.

A nomenclatura oficial dá nome à Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, localizada na Região Hidrográfica da Bacia do Guaíba, e ao Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba. Apesar da posição dos órgãos governamentais, pesquisadores universitários e entidades ambientalistas mantêm um debate ativo sobre a natureza do corpo hídrico, uma vez que ele apresenta características híbridas de rio e de lago.

Por que o Guaíba divide a opinião dos cientistas no Rio Grande do Sul?

Rio Grande do Sul na comemoração do Desfile de Farroupilha
Foto: Rio Grande do Sul na comemoração do Desfile de Farroupilha – Foto: cabuscaa/ Istockphoto.com

O diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Joel Goldenfum, afirma que não existe consenso científico definitivo sobre a classificação porque o corpo d’água apresenta um comportamento duplo. Ao mesmo tempo em que exibe feições lacustres em sua extensão, o local é atravessado no meio por um grande canal formado pelas águas do Rio Jacuí, curso hídrico responsável por drenar cerca de um terço de todo o território do Rio Grande do Sul.

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Em outra linha de análise dentro da mesma universidade, o geólogo, professor da UFRGS e coordenador do Atlas Ambiental de Porto Alegre, Rualdo Menegat, sustenta que a denominação científica correta é lago Guaíba. A justificativa técnica do pesquisador baseia-se na conformação geográfica costeira e continental do estado, argumentando que o reservatório natural integra um sistema mais amplo de lagos e lagunas diretamente interligados, do qual também fazem parte a Laguna dos Patos e a Lagoa Mirim.

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Impacto da classificação do Guaíba nas regras de proteção da orla e no TJRS

A divergência entre os conceitos de rio e lago ultrapassa a discussão acadêmica e altera diretamente a gestão das águas e o ordenamento urbano de Porto Alegre. Quando a legislação enquadra o corpo hídrico como lago, a faixa marginal não edificável fica restrita ao intervalo de 10 a 30 metros, ao passo que a classificação como rio largo exige faixas de preservação permanente maiores, restringindo de forma mais severa o que pode ou não ser construído ao longo da orla.

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Essa disputa sobre o zoneamento e a proteção ambiental chegou ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), que promoveu uma audiência pública específica para debater a classificação do Guaíba. Na sessão judicial, representantes do governo do Estado, do Município de Porto Alegre e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) defenderam a definição oficial de lago apoiados no Atlas Ambiental de Porto Alegre, enquanto ambientalistas e outros especialistas apontaram características típicas de rio, destacando o curto tempo de permanência da água no reservatório.

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Histórico da denominação oficial e dados da Bacia do Lago Guaíba

O governo do Rio Grande do Sul adota a denominação oficial de lago desde o ano de 1998, marco temporal em que o poder público instituiu o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba e em que ocorreu a publicação do Atlas Ambiental de Porto Alegre. Do ponto de vista cultural e histórico, o termo Guaíba tem origem no idioma indígena tupi-guarani e carrega os significados de encontro das águas, baía de todas as águas ou ponto de encontro.

Para sustentar a classificação administrativa e o gerenciamento hídrico na região metropolitana, a Sema baseia seus atos em quatro instrumentos normativos estaduais publicados a partir dos anos 2000, além de monitorar os indicadores demográficos e geográficos do território:

  • Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, editado no ano de 2002, que estabelece as diretrizes iniciais de manejo da área.
  • Resolução CRH nº 50/2008 e Resolução CRH nº 207/2016, normativas do Conselho de Recursos Hídricos que regulamentam os parâmetros da bacia.
  • Decreto Estadual nº 53.885/2018, documento legal utilizado pela secretaria estadual como referência normativa para a definição de lago.
  • Área territorial total de 2.919 km² compreendida pela Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, somada a uma orla de 70 km de extensão composta por 16 ilhas.
  • População estimada em 1.344.982 habitantes dentro dos limites da bacia, segundo dados de 2020 da Sema, divididos entre 1.324.782 moradores em áreas urbanas e 20.199 residentes em áreas rurais.

Turismo na orla do Guaíba e variações climáticas em Porto Alegre

Independentemente do impasse técnico e jurídico sobre a sua natureza geográfica, a margem do Guaíba concentra os principais espaços de lazer, cultura e turismo ao ar livre da capital gaúcha, somando-se a outros pontos urbanos de Porto Alegre, como o Parque da Redenção, o Mercado Público e os museus da cidade. Na faixa litorânea, os moradores e visitantes frequentam o calçadão com ciclovia da Orla do Guaíba, o espaço cultural instalado na antiga Usina do Gasômetro, o conjunto de canais do Delta do Jacuí, os passeios em embarcações turísticas e os pontos de observação do tradicional pôr do sol sobre as águas.

A frequência de público nas áreas abertas à beira da água acompanha o comportamento meteorológico de Porto Alegre ao longo do ano, caracterizado por estações bem demarcadas, ventos que esfriam o fim de tarde na margem e chuvas distribuídas por todos os meses:

  • Primavera (setembro a novembro): temperaturas médias entre 13°C e 26°C, período que inclui outubro, o mês mais chuvoso do ano na capital, com média de precipitação de 172 mm.
  • Verão (dezembro a fevereiro): termômetros com variação média de 19°C a 29°C, registrando calor e fins de tarde mais longos na região da orla.
  • Outono (março a maio): marcas térmicas entre 13°C e 28°C, com queda gradual de temperatura, céu limpo e volume médio de chuva de 108 mm no mês de abril.
  • Inverno (junho a agosto): estação marcada por frio e umidade, apresentando médias de 10°C a 21°C e temperatura mínima de 10°C registrada em julho.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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