Defesa de Vorcaro pede dados brutos do celular após laudo apontar inconsistências na perícia da PFPor Janderson Luiz
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Laudo contratado pela defesa de Vorcaro aponta lacunas na perícia do celular do ex-banqueiro. O documento, assinado pelo perito Marcos Monteiro e entregue em 26 de outubro de 2026, afirma que o material repassado aos advogados não permite verificar a integridade nem a totalidade dos dados extraídos do aparelho.
O laudo não afirma que houve adulteração. Diz, porém, que os arquivos fornecidos pelo STF não permitem identificar se os dados são legítimos nem se as alterações de datas decorreram de intervenção humana deliberada.
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Defesa cobra versão do GrayKey e acesso aos dados brutos
Segundo o perito, a Polícia Federal não informou a versão do software GrayKey usada para extrair os arquivos do iPhone de Vorcaro. Sem essa informação, afirma o documento, a defesa não consegue entender as limitações da versão utilizada.
O laudo também diz que o arquivo no formato UFDR, entregue pelo STF, é derivado do processamento dos dados extraídos e está sujeito à seleção de conteúdos feita por quem o gerou. A defesa não teve acesso aos arquivos brutos da extração forense, necessários para comparar os dados com o conteúdo coletado originalmente.
Arquivo UFDR pode ser alterado com relativa facilidade
O perito afirma que o UFDR admite modificações simples, sem sinais evidentes de adulteração em uma análise superficial. Para demonstrar, selecionou uma mensagem atribuída ao contato “Darlene Munroe” e editou diretamente um arquivo chamado “report.xml”. O texto original foi substituído por outra mensagem, e o arquivo refeito passou a exibir o conteúdo modificado.
657 arquivos com registro de modificação após a prisão
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai. O laudo identificou 657 arquivos com registro de modificação em 18 de novembro de 2025, e outros 999 com registros entre essa data e 14 de maio de 2026.
Entre os 2.151.257 arquivos de imagem do aparelho, 436 têm data de modificação posterior à apreensão, cerca de 0,02% do total. O perito também identificou 94 arquivos HEIC com registro de criação posterior à apreensão. Para ele, não é possível atribuir essas alterações a ação humana deliberada, mas tampouco é possível classificá-las como automáticas ou inofensivas sem elementos técnicos que demonstrem essa hipótese.
Termo de apreensão sem marca, IMEI e registro dos lacres
A PF apreendeu três aparelhos de Vorcaro: um iPhone 17, um iPad Pro e um smartphone de marca não especificada. Segundo o laudo, o termo de apreensão não descreve marca, número de série, IMEI ou cor dos dispositivos, nem o estado em que estavam.
O documento afirma que os lacres foram rompidos “em momento não documentado” e que não há registros fotográficos das embalagens. Também aponta que as fotos que identificam o iPad e o iPhone aparentam ser a mesma imagem. A PF afirma não ter conseguido extrair os dados do iPad, e não houve extração do outro celular.
Mendonça diz que cópia está lacrada e PF fala em enviar dados a ministros
Em setembro, a PF informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que tem meios técnicos para gerar cópias dos dados extraídos do celular de Vorcaro a todos os ministros que solicitarem. O ministro André Mendonça afirmou que a cópia que está sob sua guarda, em um HD, permanece lacrada e intocada, e que o celular original continua com a PF.
Defesa pede logs do GrayKey e documentação da cadeia de custódia
O laudo solicita cópia integral dos dados originalmente extraídos, registros técnicos e logs da ferramenta GrayKey, informações sobre o método de desbloqueio do iPhone e a documentação da cadeia de custódia. Segundo o perito, esses elementos são necessários para esclarecer a origem das alterações identificadas e permitir reprodução independente da análise.
Até o fechamento deste texto, não foi localizada manifestação pública da PF sobre o laudo apresentado pela defesa.















