Salário mínimo de 2027: Orçamento prevê R$ 1.741, R$ 120 acima do valor de 2026Por Luís Pereira
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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a do senador Flávio Nantes Bolsonaro (PL) apresentaram suas diretrizes para o reajuste do salário mínimo a partir de 2027, em 16 de outubro de 2026. O PT afirma que manterá a regra que limita o ganho real a 2,5% acima da inflação. O PL promete aumentos reais, mas não detalhou a fórmula de cálculo.
Em nome da candidatura à reeleição, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que um novo mandato manteria o modelo atual e a ligação do piso aos benefícios previdenciários. Segundo ele, o governo seguiria o ajuste fiscal iniciado em 2023, que reduziu o déficit em cerca de 2% do PIB, com a fórmula de reajuste que garante ganho real.
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Como cada chapa trata o piso e as aposentadorias
O plano de governo do PL registrado no Tribunal Superior Eleitoral não estabelece uma regra específica para a correção do piso nacional. Questionada sobre o formato do reajuste e sobre a vinculação com a Previdência, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que o candidato não mexerá no salário mínimo nem na aposentadoria. A equipe disse que o equilíbrio das contas virá pelo corte de despesas. “Agiremos com responsabilidade, eficiência e coragem para racionalizar despesas”, declarou o grupo.
Ao longo de 2026, interlocutores do PL chegaram a apresentar a empresários e agentes do mercado financeiro estudos para desvincular o piso das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos aumentos reais, corrigindo esses pagamentos só pela inflação. Depois da repercussão, o candidato e a equipe negaram cortes. “Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa”, disse Flávio Bolsonaro. Em 25 de setembro de 2026, o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, coordenador da área econômica do plano, afirmou que a campanha preparava medidas para manter a vinculação entre o piso e os benefícios.
A campanha do PL não respondeu qual fórmula ou qual percentual de ganho real adotaria acima da inflação caso fosse eleito. Por isso, a política do partido para o piso segue sem definição pública.
Quem recebe o piso e a previsão de R$ 1.741 para 2027
Pela Constituição, o piso nacional deve ser reajustado periodicamente para preservar o poder de compra do trabalhador, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O valor serve de referência para 61,9 milhões de pessoas no país. Entre elas estão cerca de 29,3 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que não podem receber benefício abaixo do mínimo.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) afirmou que o salário mínimo tem grande alcance social, por servir de referência para assalariados, servidores, beneficiários da Previdência, do BPC e do abono salarial. Para o órgão, a política ajudou a reduzir desigualdades salariais entre homens e mulheres, negros e não negros e entre regiões. Durigan declarou que o reajuste também vai para a Previdência e para os benefícios sociais indexados ao piso.
Os números definidos pelo governo federal para acompanhar o valor atual e a projeção estão nesta lista. O valor de 2027 é uma previsão do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e deve ser fixado por decreto em dezembro, depois da divulgação do INPC acumulado até novembro.
- Valor mensal em vigor desde 1º de janeiro de 2026, fixado pelo Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025: R$ 1.621, o equivalente a R$ 54,04 por dia e R$ 7,37 por hora.
- Valor mensal projetado no PLOA enviado ao Congresso Nacional em 31 de agosto de 2026 para vigorar a partir de 1º de janeiro de 2027: R$ 1.741, aumento nominal de R$ 120, ou 7,4%.
- Injeção estimada pelo Dieese na economia do país em 2026: R$ 81,7 bilhões.
- Despesas previstas com benefícios do INSS em 2027, segundo o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS): R$ 1,218 trilhão, alta de 7,92% sobre 2026.
Como o piso mudou desde o governo Bolsonaro e o peso nas contas
A regra de cálculo mudou entre as últimas gestões. No governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), a equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes, corrigiu o piso só pela inflação do ano anterior, sem ganho real. Em outubro de 2022, Guedes mencionou a desindexação dos benefícios previdenciários, mas recuou dias depois e prometeu alta real para 2023.
Ao assumir o terceiro mandato em 2023, Lula retomou a fórmula usada no governo de Dilma Rousseff, que somava a inflação do ano anterior à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No fim de 2024, o Congresso adequou a regra ao arcabouço fiscal, com piso de 0,6% e teto de 2,5% para o ganho real.
No reajuste de 2026, que elevou o valor em R$ 103, ou 6,79%, o cálculo considerou o INPC de 4,18% e o crescimento do PIB de 3,4%. O ganho real foi travado no limite de 2,5%. Sem essa trava, o piso chegaria a R$ 1.636. Já a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, calculou que o salário mínimo seria de R$ 1.451 em 2026, R$ 170 abaixo do valor atual, se desde 2023 a correção fosse só pela inflação.
A valorização do piso estimula o consumo, o PIB e a arrecadação federal. Em contrapartida, aumenta as despesas obrigatórias da União e pressiona a inflação. As contas do governo federal registram déficits primários seguidos desde 2014, com exceção de 2022, e tiveram rombo recorde em 2020, na pandemia de Covid-19. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, cerca de R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central divulgados em 30 de setembro de 2026.
O segundo turno da eleição presidencial estava marcado para 25 de outubro de 2026. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos, com 56.104.268 votos, e Lula teve 45,16%, com 53.876.617 votos. A apuração desta matéria não confirmou o resultado do segundo turno.















