Defesa de Vorcaro contesta perícia da PF, mas análise aponta rotinas do iOS em iPhone apreendidoPor Janderson Luiz
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A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu ao Supremo Tribunal Federal que a Corte considere sob suspeita parte das provas extraídas de um iPhone apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. O argumento se apoia em 207 eventos de tela e 33 ativações da câmera frontal registrados após a prisão. A petição foi apresentada na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com base em um parecer técnico de perito contratado pelos advogados.
Uma análise técnica dos dados extraídos do aparelho aponta outra explicação para esses registros. Segundo o levantamento, boa parte deles corresponde a rotinas do sistema operacional da Apple, e não há sinal de desbloqueio nem de alteração de mensagens.
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Defesa aponta 207 eventos de tela e 33 ativações da câmera
Um dos argumentos da defesa envolve o intervalo entre 23h22 do dia da prisão e 2h25 da madrugada seguinte, quando o celular já estava sob custódia policial. Nesse período, o parecer identificou 207 eventos de tela, 33 acionamentos da câmera frontal e três conexões pela entrada USB. Para a análise, porém, os 207 eventos correspondem a 52 vezes em que a tela foi acesa. No iPhone, a tela acende com movimento, toque ou ligação à energia, e as ativações da câmera frontal estão ligadas ao Face ID, que tenta reconhecer o dono quando a tela acende. Nenhuma dessas tentativas levou ao desbloqueio: depois das 23h22, o aparelho não foi desbloqueado de novo, enquanto, nos dias anteriores à apreensão, havia entre 230 e 456 desbloqueios por dia.
As três conexões USB aparecem como operações de carga da bateria, alternadas com o uso de um carregador sem fio. A manutenção da carga era necessária porque a extração foi feita com o aparelho ligado. Ainda assim, os registros não dizem quem manuseou o telefone naquela madrugada, e o próprio parecer da defesa reconhece que eles não permitem determinar quem operou o dispositivo.
Celular não registrou novas mensagens após a prisão
Segundo os dados, nenhuma mensagem armazenada no aparelho tem horário posterior às 23h21. Às 23h22, o telefone foi colocado em modo avião, o que interrompeu as conexões. Minutos antes, às 23h19, ele havia sido desbloqueado com senha para duas chamadas pelo WhatsApp, uma delas a um advogado do banqueiro.
A defesa também aponta uma alteração no banco de dados do WhatsApp às 1h48 da madrugada seguinte, seis segundos depois de uma conexão USB. Para a análise, essa simultaneidade é compatível com tarefas de manutenção que o iOS executa sozinho quando o aparelho está ligado à energia. Os 436 arquivos novos e os 657 modificados seguem a mesma lógica: 94 imagens são elementos gráficos do papel de parede, e os 340 arquivos do iFood têm data de alteração que corresponde, exatamente, a 180 dias após a criação, prazo de exclusão automática de imagens temporárias.
Defesa questiona cadeia de custódia e pede dados brutos
Os advogados cobram desde fevereiro os arquivos brutos da extração. Até agora, receberam um relatório em formato que permite consultas, filtros e edições. Para eles, a documentação tem lacunas: o termo de apreensão não traz número de série nem IMEI, e o campo do lacre está vazio. Os representantes do banqueiro disseram que é “impossível aferir a integridade da prova” sem os dados brutos.
Do lado da Polícia Federal, a resposta enviada ao STF em 13 de setembro de 2026 afirma que a fonte original da extração está em envelope lacrado, sem registro de rompimento ou novo manuseio. O código de verificação do pacote entregue à defesa coincide com o registrado no laudo da PF, o que o próprio parecer dos advogados admite. A defesa, porém, sustenta que isso não responde o que ocorreu entre a extração e a geração do relatório.
Os advogados pedem também a soltura de Vorcaro, que voltou a ser preso em março de 2026.















