Deserto de Nazca ganha 303 novos desenhos com apoio de inteligência artificial em seis mesesPor Beatriz
Atualizado 3 min de leitura
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Pesquisadores confirmaram 303 novos geoglifos figurativos no deserto de Nazca, no Peru, após seis meses de expedições em campo orientadas por inteligência artificial. O levantamento elevou o acervo conhecido de 430 para 733 figuras desse tipo, quase duplicando o conjunto catalogado ao longo de décadas de estudos na região.
A investigação de campo ocorreu entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023, com resultados divulgados formalmente em 2024. O trabalho científico mobilizou especialistas da Universidade de Yamagata, do Japão, em cooperação técnica com pesquisadores da IBM Research e suporte operacional do Centro Aeroespacial Alemão.
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Tecnologia da IBM Research apontou mais de 1.300 candidatos
O sistema de aprendizado profundo examinou fotografias aéreas de alta resolução cobrindo mais de 600 quilômetros quadrados da planície costeira peruana, com detalhamento de dez centímetros por pixel. O algoritmo indicou 1.309 locais com alta probabilidade de abrigar traçados históricos parcialmente apagados pela erosão.
A triagem computacional permitiu que arqueólogos concentrassem esforços presenciais nas coordenadas sinalizadas. Das 303 marcas históricas autenticadas, a ferramenta indicou diretamente 178 de forma individual e outras 66 apareceram agrupadas aos candidatos originais. As 59 figuras restantes surgiram durante as inspeções terrestres sem apontamento prévio do modelo digital.
A máquina não substituiu a checagem humana.

Desenhos em relevo trazem cabeças humanas e camelídeos
Os geoglifos recém-identificados pertencem ao estilo em relevo, caracterizado por dimensões menores, próximas de dez metros, e traços talhados em encostas ou solos pedregosos. Essa categoria se diferencia das tradicionais linhas monumentais, que se estendem por centenas de metros e formavam figuras geométricas ou animais silvestres.
Aproximadamente 81,6% dos novos desenhos em relevo retratam seres humanos, cabeças decepadas e animais domesticados, com ênfase em lhamas e alpacas. A proximidade física dessas representações com antigas trilhas sugere que os símbolos serviam como marcos visuais para transeuntes individuais ou pequenos grupos familiares. As formações geométricas gigantescas, em contraste, ficavam perto de praças cerimoniais dedicadas a rituais coletivos de maior escala comunitária.
Mapeamento a laser prevê impacto de enxurradas nos sítios
Além de acelerar a identificação de sítios arqueológicos, sensores de detecção e medição de distâncias por luz foram empregados na bacia de drenagem para monitorar perigos hidrológicos. Embora o relevo seja árido na maior parte do ano, tempestades no planalto andino geram torrentes repentinas que descem pelas encostas desérticas.
Os modelos digitais do Centro Aeroespacial Alemão simulam o escoamento superficial da água em áreas de risco elevado. Um dos casos monitorados envolve o geoglifo conhecido como Lagarto, seccionado pela rodovia Pan-Americana, cuja drenagem pluvial ameaça desgastar os sedimentos históricos preservados há mais de dois milênios. Os cálculos fornecem parâmetros para obras de contenção antes de danos irreversíveis à superfície.















