Bactéria do intestino reduz ganho de peso de camundongos obesosPor Bruna
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A bactéria Intestinimonas butyriciproducens consegue transformar a frutose-lisina, composto formado no aquecimento de alimentos, em butirato, molécula ligada ao metabolismo. Em estudo de 2025 publicado na revista Microbiome, camundongos com obesidade induzida por dieta que receberam a bactéria ganharam menos peso e apresentaram menos hiperglicemia.
A capacidade foi descrita pela primeira vez em 2015, a partir de uma cepa isolada de fezes de um voluntário saudável, em trabalho publicado na revista Nature Communications. Desde então, o grupo passou a investigar se a espécie tem relação com a saúde metabólica em pessoas e em animais.
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Bactéria usa açúcar e lisina para produzir butirato por duas rotas
A frutose-lisina se forma quando açúcares reagem com aminoácidos durante o aquecimento e o processamento de alimentos. Segundo os autores do estudo de 2025, a Intestinimonas butyriciproducens aproveita tanto a parte açucarada quanto a parte da lisina liberadas nessa degradação e produz butirato por duas vias separadas.
Esse é o ponto mais incomum do achado. A bactéria transforma um composto da culinária em uma molécula de sinalização, algo que poucos micro-organismos intestinais haviam mostrado fazer. Algumas cepas probióticas, como as de Bifidobacterium e Lactobacillus, só aproveitam o açúcar da frutose-lisina e deixam a lisina de lado.
Em 2015, o mesmo grupo mostrou que a cepa AF211 também converte lisina em butirato e acetato. Segundo o trabalho, a proteína da dieta pode ser fonte de butirato no cólon, e a conversão da frutose-lisina poderia proteger o organismo dos efeitos indesejados dos produtos da reação de Amadori.
Os autores explicam que o butirato serve de fonte de energia para as células do cólon e suprime inflamação em diversos tecidos. Por isso, a conversão de um composto da dieta em butirato interessa tanto à nutrição quanto ao estudo do metabolismo.
Menos Intestinimonas nas pessoas com maior risco metabólico
Em uma coorte sueca com 1.011 pessoas, entre elas indivíduos com pré-diabetes, diabetes tipo 2 e parentes saudáveis, a bactéria apareceu em menor quantidade nos casos de maior risco. A abundância da espécie e dos genes de conversão da frutose-lisina se associou de forma negativa a triglicerídeos, índice de massa corporal, glicose em jejum, glicose do teste de tolerância e insulina em jejum.
Os pesquisadores descrevem esses resultados como associações, e não como prova de causa. Por isso, levaram a cepa para um experimento direto em animais, para entender o mecanismo e preparar estudos futuros em pessoas.
A espécie é considerada um micro-organismo comensal prevalente no intestino humano. Em amostras de pessoas saudáveis, a via da lisina apareceu em muitas delas, e a da frutose-lisina em cerca de metade, segundo uma tese de 2016 do mesmo grupo.
Em camundongos obesos, bactéria reduziu ganho de peso e glicemia

Para testar o efeito, os pesquisadores deram a cepa GL3 por via oral a camundongos com obesidade induzida por dieta, modelo usado para imitar a síndrome metabólica humana. A suplementação reduziu o ganho de peso, a hiperglicemia e a adiposidade dos animais.
Os níveis de butirato no plasma e no ceco aumentaram de forma significativa. No tecido adiposo inguinal, a bactéria também reduziu inflamação e favoreceu vias ligadas à sinalização da insulina e ao chamado browning, processo em que a gordura branca ganha características da gordura marrom.
Os autores afirmam que parte desses efeitos pode vir da formação de butirato a partir da frutose-lisina da dieta. Eles não sustentam que esse seja o único caminho.
Próximo passo é testar a bactéria em estudos com humanos
Para os autores, a bactéria é candidata a novas estratégias baseadas em microbiota para prevenir ou tratar doenças metabólicas. O trabalho reconhece que resultados em animais não garantem o mesmo efeito em pessoas.
A frutose-lisina é abundante em alimentos processados e aquecidos. Pesquisas anteriores associaram os produtos dessa reação a riscos cardiovasculares e complicações do diabetes, por isso o interesse em saber se uma bactéria capaz de degradá-la pode reduzir esse risco.
O estudo tem 12 autores e a primeira autora é Elena Rampanelli. Os experimentos com humanos ainda precisam ser feitos. O isolado usado nos testes com animais é o GL3, e a pergunta que resta é se o efeito se repete em pessoas.















